Roubo no Paraguai envolve PSL de Bolsonaro

O acordo entre os presidente Abdo Benitez e Jair Bolsonaro foi assinado em 24 de maio, mas seus detalhes foram mantidos em segredo. Quando alguns itens foram vazados pela imprensa local, o clima foi de indignação e revolta. Após cálculos de que o acordo de Itaipu iria causar prejuízos de mais de US$ 200 milhões aos cofres paraguaios até 2022, a crise política instalou-se no país, diz o colunista Altamiro Borges

O sofrido Paraguai – segundo país da América Latina, depois de Honduras e antes do Brasil, a sofrer um golpe parlamentar-judicial-midiático – segue sob forte tensão. Na semana passada, o presidente Abdo Benitez quase foi deposto. Nas ruas de Assunção, milhares de populares gritaram “Itaipu não se vende, se defende”, criticaram um criminoso acordo firmado com o Brasil sobre a hidrelétrica binacional e exigiram o impeachment do governante ultradireitista e trambiqueiro. Ele só não caiu porque recuou na negociata, que teve o envolvimento direto de um lobista do PSL de Jair Bolsonaro, conforme denúncias dos jornais paraguaios “ABC Collor” e “Última Hora”.

Segundo estes veículos, uma empresa ligada ao “capetão” seria beneficiada “através da exclusividade nas vendas do excedente de energia elétrica do Paraguai no mercado brasileiro”. O acordo entre os presidente Abdo Benitez e Jair Bolsonaro foi assinado em 24 de maio, mas seus detalhes foram mantidos em segredo. Quando alguns itens foram vazados pela imprensa local, o clima foi de indignação e revolta. Após cálculos de que o acordo de Itaipu iria causar prejuízos de mais de US$ 200 milhões aos cofres paraguaios até 2022, a crise política instalou-se no país.

Conforme relato do jornal Hora do Povo, o clima piorou a partir de 24 de julho, “quando o presidente da ANDE (Administração Nacional de Eletricidade), Pedro Ferreira, anunciou a sua renúncia. Ele considerou o acordo de ‘alta traição’ aos interesses paraguaios e de ‘extorsão financeira’. O Senado do país vizinho, assim que a renúncia de Ferreira foi anunciada, pediu esclarecimentos sobre o acordo, até aquele momento mantido em sigilo diante do parlamento paraguaio”. Na sequência, também anunciaram suas renúncias o ministro do Exterior, Luis Castiglioni, e o embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier, além de outros dirigentes da estatal Itaipu. O jornal Hora Povo ainda dá algumas pistas sobre o envolvimento de figuras ligadas ao presidente Jair Bolsonaro.

“Os jornais paraguaios denunciaram que um lobby bolsonarista, incluindo o advogado José Rodríguez González, assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez, atuou em conjunto com o suplente de senador pelo PSL de São Paulo, Alexandre Giordano”. A gangue pressionou para que a empresa Léros Comercializadora de Energia fosse a revendedora exclusiva da energia excedente do Paraguai no Brasil. “Segundo o jornal, o advogado afirmou que ‘em todas as conversações que tivemos com esse grupo empresarial brasileiro, a primeira coisa que fizeram foi dizer que têm o apoio do alto comando brasileiro para conseguir as autorizações de importação de energia’”.

“O jornal ABC vai além e conecta a exclusão do ‘item 6’ [sobre venda de energia] aos interesses de Bolsonaro. Diz que em 23 de maio, portanto, na véspera do dia em que o acordo foi assinado, o lobista González mandou uma mensagem aos diretores da ANDE em nome do próprio presidente Abdo Benítez e de seu vice, Hugo Velázquez. Nela, ele solicita a exclusão do item do novo acordo. Na mensagem, ainda segundo o jornal, ele diz que o item 6 deveria ser excluído ‘porque em conversas com o mais alto comando do país vizinho concluiu-se que não é o mais favorável a fim de proteger o manuseio para que a operação em andamento seja efetivada com o sucesso’”.

Alexandre Giordano, o suplente de senador do PSL – já batizado de Partido Só de Laranjas – confirmou ao jornal Estadão que participou da reunião no Paraguai com a ANDE, ao lado de um representante da empresa Léros. Mas negou ter falado em nome do clã Bolsonaro: “Meu contato com a família Bolsonaro é zero. Fui lá em interesse da minha empresa. Não tem nada a ver com o acordo de Itaipu”. O Estadão, porém, colocou em dúvida a resposta do suplente. Já a Folha relata que as mensagens vazadas do lobista José Rodrigues Gonzalez confirmaram que a “empresa brasileira Léros representaria a ‘família presidencial do país vizinho’, ou seja, a família do presidente Jair Bolsonaro... Rodríguez menciona ainda Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), como receptor da carta de intenções relacionada à venda de energia ao Brasil”.

Há algo muito estranho no escândalo que quase levou à queda do presidente fascistoide e bandido do Paraguai!

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