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Eduardo Guimarães

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Salvem nossas meninas dos picaretas “religiosos”

A omissão diante da violência contra crianças e a atuação de grupos religiosos contra vítimas de estupro

Damares Alves (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
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Aos 10 anos de idade, ela mal conhecia o próprio corpo e nem soube identificar a gravidez que o próprio avô lhe havia imposto sob uma espantosa preocupação zero do resto da família. 

A constatação do ato de lesa-humanidade contra a criança foi feita pelo sistema público de saúde, que, por questões “religiosas”, viu os médicos à frente do caso recusarem a interrupção legal de uma gravidez que ameaçava a própria vida da menor. 

Sob pressão das autoridades (ou de determinada autoridade), ela foi para um hospital de maior porte e mais profissional para realizar um procedimento que logo se tornaria inviável com o avanço temporal da consequência de uma relação sexual infame imposta por um monstro cujo sangue corria nas veias da vítima. 

Ao chegar ao hospital para realizar o procedimento, a criança, abrigada no porta-malas do carro que a transportava, encontrou-o cercado por fanáticos neopentecostais e católicos que, aos berros, chamavam a criança de “assassina” por estar ali para elidir de si a semente que o ato diabólico lhe implantara nas entranhas. 

Pai de três moças, avô de cinco meninas, não consigo exprimir em palavras a revolta contra gente como a senadora bolsonarista Damares Alves, responsável por instigar que mais atos desse jaez continuem desabando sobre a sociedade brasileira.  

Graças à igualmente infame relatoria da senadora sobre um ato eleitoreiro de supostos pastores evangélicos portadores de mandatos parlamentares, o senado aprovou barreiras enormes à profilaxia dos corpos infantis violados por esses monstros que ameaçam nossas meninas. 

Enquanto isso, não se vê nenhuma campanha nacional, nenhuma onda de indignação pública, nenhuma avalanche de matérias jornalísticas para salvar nossas meninas desses picaretas “religiosos”.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.