São Paulo continua lindo

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(Foto: Pixabay)


Meu filho Leo não entrou na faculdade. Antes de começar a trabalhar comigo no presídio, como assistente de falso sapateiro, deixei que ele fizesse um pouco de turismo em São Paulo.

Ele e mais quatro amigos me encarregaram da programação, coisa que fiz com prazer e a ajuda de alguns amigos. 

No primeiro dia, os meninos foram recebidos por Teco Velhaco, que foi meu professor de tiro, virou parte da Famiglia e hoje é quem cuida dos nossos negócios em São Paulo. Feliz da vida por ver seu pupilo, Teco deu boas-vindas a todos com uma salva de tiros de AK-47 no Morro da Trempe. À tarde, caminharam por Parelheiros e, à noite, assaltaram o Fasano, onde encontraram dois artistas famosos: Jorge Ben Jor e Anitta. Infelizmente, tiveram que amarrá-los e amordaçá-los. Pena não poder ouvi-los dar uma palhinha.

No domingo, os garotos acordaram “culturebas”: visitaram o MASP. Com a ajuda de Tonho Coldre, renderam os seguranças e levaram dois quadros de Matisse. À noite, ficaram escondidos em casa assistindo à série “Irmandade", que tem como trama central a história de uma advogada que se vê forçada pela polícia a desmembrar a organização criminosa criada pelo irmão.

Segunda-feira foi dia de turismo gastronômico: foram a uma feira no Capão Redondo e comeram pastel com caldo de cana. Saíram de lá maravilhados.

Terça jogaram um pouco de futebol de salão no esconderijo de Matilde Quatro Tiros. O esporte ficou conhecido aqui na tranca pelo nome de "futiba de preso". 

Quarta-feira teve o jantar oferecido pela Facção. Não posso dar detalhes do que aconteceu. O último que fez isso foi pendurado pela língua no Viaduto Santa Ifigênia.

Na quinta-feira, fizeram um bate-volta até o Guarujá. Lá encontraram a turma da Facção do Litoral e participaram do arrastão na praia de Pitangueiras.

Amaram a prática, que desconheciam totalmente. Ficaram relembrando cada puxada de bolsa e safanão para tomar o celular a madrugada inteira. Tiraram a sexta pra descansar.

Foram dias absolutamente inesquecíveis para aqueles rapazes. Depois de tantas maravilhas que só São Paulo pode oferecer, Leo voltou à vida real: veio me ajudar no trampo de falso sapateiro do presídio. 

Todos ficaram na saudade e com uma sensação que Leo resumiu bem quando perguntei o que eles tinham achado dos passeios:

— Pai, é simples: ainda nem começamos a faculdade do crime e já fizemos uma pós-graduação em malandragem.

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