Se Bolsonaro fosse preto, ele teria sido eleito?

O privilégio da branquitude é tão grande, que alguns brancos até podem se dar ao luxo de transformar o mal em ideologia, mal caratismo em virtude e racismo e preconceito em opinião

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Imagine um preto candidato à presidência da república, que durante uma palestra para uma plateia empresarial, dissesse que a última vez que tinha ido visitar a Oktoberfest, o germânico mais leve que ele viu por lá, deveria pesar umas 7 arrobas, porque passa o dia bebendo, não gostam de fazer nada, exploram a mão de obra dos pretos e que não servia mais nem pra ser bucha de canhão de tanque de guerra nazista.

Imagine um preto candidato à presidência, que prometesse a essa mesma plateia, que no seu governo não haveria mais nem um centímetro de terra para os imigrantes ancestrais do colonizador e que iria acabar com todos os privilégios da branquitude.

Imagine um preto candidato à presidência, que subisse num palanque simulando fuzilar os brancos de direita e avisasse que eles teriam que se enquadrar ou desaparecer.

Imagine um preto candidato à presidência, que tivesse os seus filhos pretos envolvidos com organizações paralelas e com rachadinhas de dinheiro público.

Imagine um preto candidato à presidência, que tivesse passado 28 anos como parlamentar sem fazer nada e ainda dissesse que estava comendo gente com o dinheiro público.

Imagine um preto candidato à presidência, que dissesse que iria governar apenas para os pretos.

Imagine um preto candidato à presidência, que atacasse gays e declarasse que preferia ver o seu filho morto, a saber que ele era homossexual.

Imagine um preto candidato à presidência, que inferiorizasse as mulheres brancas e dissesse que elas tinham que ganhar menos.

Imagine um preto candidato à presidência, que tivesse dito que a solução era matar uns 30 mil brancos, a começar pelo presidente da república, pois, só assim, o país teria jeito...

Imagine um preto candidato à presidência, sugerindo tortura e pena de morte para brancos racistas. Afinal, racismo é crime e criminoso bom é criminoso morto.

Imagine um preto candidato à presidência, que prestasse continência à bandeira de países africanos e prometesse estreitar as relações com todos eles e introduzir a cultura afro na educação brasileira.

Imagine um preto candidato à presidência, que se batizasse nas águas da umbanda, fosse receber passe no espiritismo, fizesse jejum no candomblé, comungasse na missa das dez e recebesse a benção de um pajé indígena como proteção.

Imagine um preto candidato à presidência, que atacasse o capitalismo, chamasse os capitalistas de bandidos e os mandasse para a Disney.

Imagine um preto candidato à presidência, que quisesse armar a população e estimulasse crianças a fazer aulas de tiro.

Só consigo imaginar um preto com um discurso desse em dois lugares. Na cadeia ou no cemitério.

O privilégio da branquitude é tão grande, que alguns brancos até podem se dar ao luxo de transformar o mal em ideologia, mal caratismo em virtude e racismo e preconceito em opinião.

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