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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Se correr, o juro pega; se ficar, o juro come

"Quanto menor o juro que o governo pagar aos bancos, mais dinheiro sobra para investir, que é o caminho para o país voltar a crescer", diz Alex Solnik

Lula (Foto: Reuters/Carla Carniel | Reuters/Amanda Perobelli)

Lula está coberto de razão ao tentar forçar a redução da taxa selic: quanto menor o juro que o governo pagar aos bancos (que financiam o governo por meio dos títulos da dívida pública), mais dinheiro vai sobrar para o governo investir, que é o caminho mais seguro para o país voltar a crescer. 

É uma queda de braço entre quem empresta e quem toma emprestado. Quem empresta, quer cobrar mais (alegando o tamanho da dívida e o alongamento dos prazos de pagamento) e quem toma emprestado, quer pagar menos.

Lula pode não ter escolhido a forma mais adequada para alcançar seu objetivo, que é reduzir a taxa de 13,75% ao ano, mas o governo tem instrumentos e mecanismos para chegar lá.

Quem está desprotegido mesmo são os clientes dos bancos, pequenos, médios e grandes, dos quais os banqueiros cobram ao mês o que o governo lhes paga ao ano.

A taxa de juros do cartão de crédito está em 13,96% mensais.

E, se o governo diminuir os juros, os banqueiros vão subir o preço do dinheiro ao consumidor, para compensar as “perdas”.

Eles não perdem nunca. (Ao menos no Brasil).

Se correr, o juro pega; se ficar, o juro come. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.