Se o TSE não cassar Temer, ele não sai mais

Enquanto Temer manobra para permanecer na Presidência da República  e comemora números que não correspondem efetivamente à realidade, comemoração amplificada pelos fogos de artificio da mídia golpista numa tentativa de enganar a população, o Brasil vai sendo desmontado,  suas riquezas subtraídas e milhões de brasileiros retornando à pobreza

Michel Temer
Michel Temer (Foto: Ribamar Fonseca)

Enquanto Temer manobra para permanecer na Presidência da República  e comemora números que não correspondem efetivamente à realidade, comemoração amplificada pelos fogos de artificio da mídia golpista numa tentativa de enganar a população, o Brasil vai sendo desmontado,  suas riquezas subtraídas e milhões de brasileiros retornando à pobreza. Se ele não for cassado nesta  terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral, como o povo espera, então podem anotar: contrariando todos os prognósticos ele fica até o dia que bem entender, porque o Congresso não votará seu impeachment e o Supremo, que ajudou a colocá-lo no Planalto,  não parece disposto a  tirá-lo de lá. E o país, que vem despencando em todos os rankings internacionais, perderá de vez o respeito do resto do mundo. Será que o povo brasileiro merece isso?

Um país onde um apresentador de televisão obtuso e desrespeitoso, como Danilo Gentili, tem público e seguidores; um país que tem um Congresso cuja maioria dos seus membros, envolvida em todo tipo de corrupção, destituiu uma presidenta honesta para substitui-la por corruptos da mesma cepa deles; um país cuja Justiça se politizou, suprimiu a presunção de inocência,  faz suas próprias  leis e seleciona os réus pela cor do seu partido; um país que tem homens públicos capazes de vender a alma para obter vantagens pessoais; um país, enfim,  que tem uma imprensa partidária e mercenária, indiferente à situação do seu povo, infelizmente merece um governo como o de Temer, apodrecido por dentro por ter sido implantado por um golpe e por ter  o comandante e auxiliares investigados por corrupção. A quem recorrer, se o ministro Gilmar Mendes já disse que não adianta apelar a Deus ou ao diabo? 

O quadro é desolador e as perspectivas sombrias, porque as instituições parecem comprometidas com essa situação. A esperança de que o Brasil fosse passado a limpo, com a punição de corruptos e corruptores, foi se esvaindo desde que a Operação Lava-Jato, no início aplaudida pelo povo,  se tornou um instrumento político para varrer o petismo do mapa político nacional e impedir Lula de voltar ao poder.  O juiz Sergio Moro, que virou pop-star e hoje dá palestras no mundo inteiro, se deixou picar pela mosca azul, deslumbrou-se com a fama e se auto-investiu de superpoderes que legalmente não tem, arrogando-se o direito de desrespeitar a Constituição, atropelar as leis e fazer valer as suas decisões, endossadas pelo corporativismo. Hoje ele fala mais grosso do que o próprio Supremo, que não tem coragem sequer de adverti-lo pelos seus excessos. 

A Lava-Jato se tornou um poder paralelo, com tentáculos em todo o país, fazendo de Curitiba a sua sede.  Procuradores que integram a sua força-tarefa, hoje também famosos, propõem leis, contestam votações do Congresso e ousam criticar publicamente até decisões da Suprema Corte. Até já escrevem livros, aproveitando a força da fama. Parte do  povo ainda aprova o seu trabalho, mas não os seus métodos e muito menos a sua partidarização que, lamentavelmente, parece ter contaminado outros magistrados. Exemplo disso, quer admitam ou não, é a perseguição escandalosa ao  ex-presidente Lula, que teve sua vida devassada, sua casa varejada, com a apreensão até de tablets dos seus netos, e sua mulher morta por não resistir à pressão  injusta. Não satisfeitos, os procuradores pedem agora a sua prisão e devolução de mais de R$ 80 milhões por um apartamento que não é dele. Isso é um escárnio à inteligência e paciência do povo. A confiança na Justiça, por conta de ações desse tipo, caiu a níveis muito baixos. Surpreendentemente, porém, ainda tem gente, uma minoria felizmente, que aplaude semelhantes ações nas redes sociais, movida pelo ódio que se disseminou no país.

Esse ódio, que se manifesta não apenas nas redes sociais mas até nas ruas, onde pessoas são hostilizadas porque pensam diferente, oblitera a visão e o raciocinio inclusive de homens  instruidos e inteligentes, que assumem posição estribados única e exclusivamente em postagens na Internet. E quando fazem comentários sobre artigos não se limitam a contrapor argumentos, preferem os insultos e ofensas ao articulista, certamente  pela falta de argumentos. Diante desse quadro, que afetou a auto-estima de muitos brasileiros, está desaparecendo o orgulho de ter nascido num país reconhecido até pouco tempo por sua fraternidade e alegria. Além de destruir o país, com o aprofundamento da recessão, o aumento do desemprego e  com medidas e reformas que contrariam os interesses do povo, Temer, apoiado por um Congresso bichado, um Judiciário distorcido e uma imprensa mercenária também está destruindo a alma nacional. E muitos brasileiros, de tão decepcionados, já planejam trocar o torrão-natal por outras plagas. 

O povo, porém, não pode e não deve desistir do seu país. É preciso ampliar a luta, sair às ruas, gritar bem alto o seu desejo de ver o Brasil de volta à sua normalidade democrática, retomando os trilhos do seu desenvolvimento, reocupando  o seu espaço no concerto das nações e recuperando a sua alegria. É preciso extirpar esse câncer da corrupção que vem minando o país, mas com isenção, sem partidarismos, de modo a punir os verdadeiros corruptos, os vendilhões da pátria, os traidores da Nação, aqueles que sob um falso manto de vestais sempre apontaram o dedo sujo para os outros e garantiram a sua impunidade. Felizmente alguns deles, como Aécio Neves e Michel Temer, já tiveram revelada a sua verdadeira cara, faltando apenas receberem o merecido castigo. E outros,  ainda protegidos pelas sombras, certamente vão aparecer, dando curso ao processo de depuração no país. O Brasil, afinal, é maior do que os que pretendem destrui-lo. 

 

 

 

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