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Renato Rovai

Renato Rovai é editor da Revista Fórum

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Se Temer não cair e as eleições forem antecipadas, pode vir coisa ruim por aí

Para estancar a sangria, antes que ela se torne uma hemorragia incontrolável e leve o Brasil a entrar num túnel ainda mais escuro do que o atual, independente de partido, os que têm a democracia como um valor deveriam começar a discutir com celeridade o impeachment de Temer e antecipação das eleições diretas

Para estancar a sangria, antes que ela se torne uma hemorragia incontrolável e leve o Brasil a entrar num túnel ainda mais escuro do que o atual, independente de partido, os que têm a democracia como um valor deveriam começar a discutir com celeridade o impeachment de Temer e antecipação das eleições diretas (Foto: Renato Rovai)
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As últimas declarações públicas dos generais Antonio Hamilton Martins Mourão, reforçadas pelo primeiro comandante brasileiro da Força de Paz no Haiti, o general quatro-estrelas da reserva, Augusto Heleno, que o defendeu, acenderam o sinal amarelo entre os que prezam pelo processo democrático.

Fosse só isso, poderia se dizer que o gato apenas subiu no telhado, mas pode ser mais do que isso.

Além dessas duas declarações, houve movimentos pra cima e pra baixo na hierarquia militar do Exército que precisam ser analisados.

Pra cima, o comandante do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, disse que não iria punir Mourão e acrescentou que uma intervenção militar é algo constitucional.

Pra baixo, um dos representantes mais ativos do baixo clero da corporação, o deputado Cabo Dacciolo, eleito pelo PSOL-RJ e atualmente no PTdoB, defendeu ontem aos gritos da tribuna da Câmara Federal a intervenção militar e o fechamento do Congresso.

O clima já foi muito melhor nas casernas do que hoje. Entre as baixas patentes há um quase consenso em torno das teses de Bolsonaro. Ele virou o herói do guardinha da esquina. Aquele que acha que direitos humanos é coisa de vagabundo. E que bandido bom é bandido morto.

Esse sujeito é adepto de teses como a Escola Sem Partido e hoje se tornou militante de causas anti-democráticas.

Por outro lado, há uma crise completa de credibilidade do governo Temer. Com 3% de apoio nas pesquisas de opinião e envolvido com inúmeras denúncias de corrupção, o presidente atual não tem condições morais para cobrar respeito hierárquico e constitucional de quem quer que seja.

Para estancar a sangria, antes que ela se torne uma hemorragia incontrolável e leve o Brasil a entrar num túnel ainda mais escuro do que o atual, independente de partido, os que têm a democracia como um valor deveriam começar a discutir com celeridade o impeachment de Temer e antecipação das eleições diretas.

Tirar Temer e entregar o governo a Rodrigo Maia com um vice como Aldo Rebello, que é próximo das Forças Armadas, pode segurar as coisas por um período. Mas se a operação der errado, a crise pode se aprofundar ainda mais.

O melhor caminho é restabelecer a autoridade democrática pelo voto. E isso passa por diretas já.

O fogo tá alto. E brincar de pular a fogueira agora pode levar a democracia não só a mijar na cama, mas a se queimar.

PS: Quem começou a brincar com esse fogo, diga-se, foram procuradores irresponsáveis e juízes personalistas que apostaram tudo na criminalização da política.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.