Sem organização não há salvação

Não há outra saída para a classe trabalhadora senão se unir para reverter a conjuntura e voltar a ter importância na economia. Sem organização e mobilização não sobrará nada, não haverá um mínimo de dignidade

(Foto: Carolina Antunes/PR)
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A sociedade brasileira é um caso de farto material para sociólogos e antropólogos analisarem, por séculos. Tem-se a impressão de que a atual conjuntura não interessa aos brasileiros. O País está sendo desmantelado e dilapidado, em praça pública, à luz do dia, mas não se vê uma mobilização, como se dá no Chile e na Bolívia, por exemplo, em que a população luta por dignidade, por direitos básicos, acesso e, principalmente, pela soberania do povo decidir o seu caminho, sem interferências de outras nações sobre os seus destinos. As veias da América Latina não foram estancadas e muito menos direcionadas para o desenvolvimento de seus povos.

Pelo contrário, apenas trocaram de mãos, ao longo de séculos, passando do domínio europeu, hegemonicamente, para o dos EUA, o país que está por trás de 10 entre 10 golpes de Estado nas Américas Central e Latina. Não é segredo que o mercado financeiro deseja ver o Brasil transformado em uma grande fazenda, num continental entreposto comercial, de propriedade de grandes potências, como China e EUA. Esses países utilizarão as reservas energéticas e as empresas estratégicas para a riqueza de seus povos. Os brasileiros serão apenas mão de obra barata e sem qualquer tipo de direito sobre a riqueza que produz. É para esse caminho que Bolsonaro e Paulo Guedes conduzem a classe trabalhadora brasileira, que está dispersa e sem saber como reagir.

O melhor caminho para defender a soberania e o que ainda resta de direitos conquistados com suor e sangue passa pelos sindicatos. A classe trabalhadora deve fazer às pazes com eles e se unir para mobilizar o confronto inevitável com a política ultraliberal de Bolsonaro e Paulo Guedes. A dispersão dos trabalhadores interessa aos patrões, que lucram com a desorganização. Como diz a música, “é preciso se organizar para desorganizar”. Quando a classe trabalhadora se conscientizar da sua força e poder, o Brasil será um país soberano, que poderá almejar as condições econômicas e sociais da Finlândia. Porém, isso depende de reconhecer o pertencimento a uma classe que é constantemente desprestigiada e humilhada. Infelizmente, a imprensa e próprio mercado de trabalho criam falsas distinções entre os trabalhadores, que enfraquecem a mobilização por falta de identidade entre si. Dividir para controlar é um dos métodos para controlar os trabalhadores.

A mídia, de um modo geral, fala mal do Brasil como um país que não pode dar certo, porque, entre outros motivos, o nível educacional é muito baixo. Ao mesmo tempo, ela defende o desmantelamento da educação brasileira, que restringe o acesso a poucos, e vende uma ideia de bem estar social ao público exposto aos anunciantes, que cria um exército de mão de obra engajado na busca da promessa do ter. A uberização do mercado de trabalho, essa nova prática da velha exploração do trabalho pelo capital, é mais um motivo para os trabalhadores buscarem os sindicatos e demais entidades de classe, para estudarem e se defenderem dela. Em todo o mundo, ocorre um movimento de concentração econômica nas mãos do mercado financeiro, em detrimento do industrial, que é quem de fato produz. A indústria compra a matéria-prima, industrializa e vende para o comércio que revenderá ao consumidor final.

Desta forma, ela contribui para gerar empregos nos segmentos de fornecimento de matéria-prima e do comércio. Sem a indústria, não há como se fornecer matéria-prima diretamente para o comércio varejista. Além dessas propriedades, a indústria contribui para a geração de tecnologia, o que qualifica ainda ainda mais as divisas de um país. Bolsonaro e Paulo Guedes estão destruindo toda a tecnologia industrial desenvolvida, até hoje, pelo Brasil e solapando sua capacidade de voltar a desenvolver. Impedir que o país se desenvolva é crime de lesa-pátria. Não há outra saída para a classe trabalhadora senão se unir para reverter a conjuntura e voltar a ter importância na economia. Sem organização e mobilização não sobrará nada, não haverá um mínimo de dignidade.

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