Ser a favor da honestidade e contra a corrupção

Lula se tornou sinônimo de democracia porque a história o empurrou para isso. Ninguém queria uma situação dramática desse nível que obrigasse a todos nós, que prezamos a democracia, a tomar partido sem qualquer espécie de concessão. Lula é a democracia, não tem saída para essa máxima histórica

03/10/2017- Lula durante ato em defesa da soberania nacional no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert
03/10/2017- Lula durante ato em defesa da soberania nacional no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert (Foto: Gustavo Conde)

A honestidade não pode ser um fim em si. Isso é o discurso da Rede Globo que fez o serviço tão bem feito em domesticar o pensamento do brasileiro classe média e agregados. Honestidade como pré requisito para quaisquer coisas é a expressão de um mundo devastado, sem debate, sem projeto, sem humanidade. Honestidade é premissa básica. Não pode ser um valor a se escolher.

É como ser contra a corrupção. Quem é a favor da corrupção, cara-pálida? Quem pode ser a favor da corrução e sair por aí empunhando cartazes dizendo exatamente isso? Sabe quem? Os próprios corruptos. Eles são tão desonestos que praticam o crime e entoam a voz contra o crime. Essa é a psicologia que devastou o tecido social do Brasil, com a chancela de uma emissora de televisão.

Basta olhar as notícias diárias de prisões e indiciamentos laterais ao mundo político em si. Muitos dos que estavam nas ruas vestidos de amarelos estão sendo presos e processados por fraude e corrupção. Fica difícil portar qualquer argumento em contrário diante dessa constatação tão triste e tão indisfarçável.

Lula se tornou sinônimo de democracia porque a história o empurrou para isso. Ninguém queria uma situação dramática desse nível que obrigasse a todos nós, que prezamos a democracia, a tomar partido sem qualquer espécie de concessão. Lula é a democracia, não tem saída para essa máxima histórica.

O mundo assim o entende, o povo assim o entende. Quem ficou pra trás nessa história são aqueles que perderam o discurso já frágil de combate à corrupção. Apoiaram o impeachment e empoderaram a maior quadrilha corrupta que já se teve notícia. Não há mais dúvida nenhuma sobre isso.

Isso dói. Isso machuca. Isso confunde. Reconstruir o tecido social e o tecido neuronal vai demandar tempo e trabalho. Ficar preso no limbo ideológico de "ser contra a corrupção e a favor da honestidade" só vai prolongar a dor e a ferida. Para aqueles que ainda acreditam nisso, um alerta de quem se dedicou a estudar a linguagem por 12 anos: é uma armadilha. Fujam. Formulem outras teses melhores. Gastem um pouco da nobre massa cinzenta que habita vossas cabeças.

Eu testemunho e acompanho Lula desde 1982, portanto, há 36 anos. Em nenhum momento da minha vida natural eu tive alguma dúvida a respeito da idoneidade, da força ou da inteligência deste cidadão. Zero.

Ponderei muitas vezes por escolhas que ele fez que me pareceram equivocadas. Mas foram escolhas políticas, dentro do circuito soberano da democracia. Ele é o único político brasileiro que respeitou e respeita a democracia de maneira incisiva e decisiva. Com Lula, não há dúvidas sobre respeitar a democracia.

É por isso que ele se tornou 'sinônimo'. É mais que metáfora, é mais que metonímia, é mais que figura de linguagem. E fato. É concreto. É real.

Todos ainda agradecerão Lula pela demonstração de força e de espírito democrático que ele ostenta neste momento da história do Brasil, mais uma vez. Fugiu da fome, fugiu da pobreza, lutou contra a ditadura, foi preso, fundou um partido, candidatou-se, perdeu, perdeu, perdeu, até vencer, ter sua chance e mostrar ao mundo do que era capaz.

Não se odeia um cidadão com essa biografia e com essas qualidades. Um cidadão assim, a gente respeita. Um cidadão assim, a gente admira. Um cidadão assim, a gente protege com a nossa própria vida, com a nossa própria alma, com a nossa própria verdade mais profunda.

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