Será que o general Joaquim Silva e Luna está sendo ludibriado?



Na manhã desta sexta-feira (25), o atual presidente da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna, compareceu a uma audiência na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. 

O comparecimento do general em uma comissão do congresso já foi um fato positivo, que o diferencia de seus antecessores recentes, na Petrobrás. 

No entanto, o atual presidente apresentou alguns argumentos falsos, utilizados por seus antecessores, como os dos supostos problemas financeiros da empresa e da dívida impagável, temas completamente desmontados por diversos artigos como “O mito da Petrobras quebrada” e muitos outros.

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Tentou defender, sem muita convicção (porque não existe), a política de preços da companhia, a qual erroneamente chama de Paridade Internacional, como muitos outros, e não de Paridade de Importação. Que são coisas muito diferentes. 

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Afirmou que os petroleiros aprovam a administração da companhia, pois se preocupou em nomear para a diretoria a funcionários de carreira, a chamada “prata da casa”. Não atentou para o fato de que os nomeados impulsionaram suas carreiras nas últimas administrações (Parente,Monteiro e Castello) e que provavelmente não formem uma amostra representativa do pensamento dos petroleiros. 

Falou da relevância da contribuição em impostos pela companhia, que em 2019 superou os R$ 200 bilhões, quando registrou um lucro de R$ 40 bilhões e em 2020 superou R$ 100 bilhões, quando registrou lucro de R$ 10 bilhões. Não se lembrou de dizer que o lucro de 2019 (R$ 40 bilhões) foi fruto do resultado contábil da venda da TAG e da BR Distribuidora . Não reparou na brutal queda de pagamento de impostos entre 2019 e 2020, fruto do desmonte da empresa e de isenções tributárias exageradas. Deixou de dizer que em 2020, pela primeira vez em sua história, a companhia pagou mais dividendos do que o lucro obtido. 

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Por último, mas não de menor importância, insistiu na frase “A Petrobrás desinveste para investir mais e melhor no Brasil”. Neste assunto foi aparteado pelo líder do governo que disse, posteriormente apoiado pelo general, que o termo desinvestimento deveria ser alterado para a pérola “Realocação Estratégica de Reinvestimentos”. Ou seja, eles têm especial preocupação com a palavra privatização. 

Ocorre, general, que provavelmente, pelo pouco tempo que o Sr. tem na empresa (e aqui fica o meu voto de confiança), não reparou bem nos quadros de Usos e Fontes apresentados nos planos estratégicos da companhia. 

No plano para o período 2020/2024, foi apresentado o seguinte quadro: 

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quadro-petrobras

Veja, general, que a geração de caixa (US$ 158/168 bilhões) é mais do que suficiente para cobrir os investimentos, as amortizações e os juros (76+33+26+12 = 147). Portanto a “Gestão de ativos” (privatização) US$ 20/30 bilhões só existe para cobrir o pagamento de dividendos US$ 34 bilhões. 

Fica mais claro ainda quando vemos o plano estratégico seguinte 2021/2025, que previu uma queda de receita e portanto diminuição da geração de caixa: 

quadro-petrobras

Veja, general, com a redução da geração de caixa, a solução encontrada foi aumentar a privatização e reduzir os investimentos para manter o valor do pagamento de dividendos. 

Portanto a Petrobrás desinveste para pagar dividendos e não para investir melhor no Brasil. 

No final da audiência, o deputado Paulo Ramos PDT/RJ registrou a esperança de que o espírito do general Horta Barbosa inspirasse o general Luna e Silva. 

Para quem não sabe o general Horta Barbosa em 1947, no clube militar, em discurso falou:

petrobras

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