Serginho Mamberti: sua obra neste mundo é eterna - Minhas doces memórias com um grande artista e ser humano

Agora mais do que nunca precisamos de um ser humano como ele por aqui, lutando pela Arte, pela Democracia, pela Justiça Social, pelos Direitos Humanos

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(Foto: Arquivo pessoal)


Hoje, 3 de setembro de 2021, um dos maiores artistas da história do Brasil fez sua passagem deste plano mundano para o próximo plano, sobre o qual nós mortais sabemos tão pouco. Serginho Mamberti desencarnou e deixou a Terra um pouco menos boa. Que hora… Agora mais do que nunca precisamos de um ser humano como ele por aqui, lutando pela Arte, pela Democracia, pela Justiça Social, pelos Direitos Humanos. Sim, foi assim que ele viveu: construindo Amor e positividades ao longo de sua existência. E embora tenha partido cedo demais (sim, 82 anos, para ele, é cedo demais!), sua obra e suas ações são eternas, são atemporais, são transcendentes.

Não vou me demorar neste artigo elencando os feitos artísticos de Sergio, afinal tal realidade está à disposição de quem quiser acessar. E não é novidade para ninguém que ele foi um ícone do teatro, da televisão, da comunidade artística, da comunidade LGBT+, da luta política, e por aí vai. Neste artigo quero dividir com as leitoras e os leitores momentos pessoais que tive com ele – que tive a honra de ter com ele. Três momentos em especial deixarei eternizados neste texto.

Bem, eu, assim como a maioria das brasileiras e brasileiros, conhecia Mamberti desde criança através da televisão. Já era imenso fã e admirador da maneira única como ele incorporava seus personagens. Tão intenso e ao mesmo tempo tão gentil. Carismático e divertido, mas ainda assim profundo. Pois então, o primeiro momento que aqui relato se deu quando tive o prazer de conhecê-lo. Foi um momento especial por diversas razões. Era janeiro de 2020 e eu estava no Brasil especialmente para o histórico evento ‘Judias e judeus com Lula’, que ocorreu no Sindicato dos Químicos em São Paulo. Nesta ocasião, entreguei em mãos ao presidente Lula a ‘Carta de apoio de Judias e Judeus ao presidente Lula’, além de ter a maravilhosa oportunidade de sentar à mesa com o presidente e conversar por uma boa meia hora. Mas essa é outra história. Serginho entra nesta neste conto, porque uma das organizadoras deste evento, minha querida amiga de vida e de ativismo Clarisse Goldberg, era também assessora de imprensa e amiga pessoal de Mamberti. Logicamente o convidamos para o evento, mas infelizmente exatamente naquele dia ele estaria no palco, apresentando a peça ‘O ovo de ouro’. Vejam como as conexões se dão belamente na vida: esta peça é de temática judaica – assim como várias outras que Serginho realizou em sua vida, embora ele próprio não fosse judeu. Mas ele era um grande amigo da comunidade e da cultura judaica, além de sua esposa ser judia e, consequentemente, seus filhos também.

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Enfim, Clarisse disse que Sergio lamentava não poder estar presente em evento tão importante, mas esperava que no dia seguinte eu e ela fôssemos assistir sua peça, no que seria o último dia de apresentação. E depois jantaríamos todos juntos. Recebemos então os convites, assistimos à belíssima e emocionante atuação de Serginho e dos outros atores e atrizes. E depois Clarisse me levou para conhecê-lo. Não somente fiquei tocado em poder conversar com uma lenda como ele, mas, mais que isso, nos identificamos rapidamente. Conversamos sobre tudo o que tínhamos e temos em comum: cultura judaica, música erudita, política progressista, PT, Lula etc. Na hora de jantarmos, ele se sentou à cabeceira da mesa e me convidou a sentar ao seu lado, como vocês podem ver nesta histórica foto que ilustra este artigo. Trocamos contatos e assim concluíram-se estes dois especiais dias que pude viver, um com Lula e com Sergio Mamberti – além dos queridos amigos e amigas ao nosso redor.

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A segunda ocasião que quero registrar ocorreu um ano depois, em janeiro de 2021. O meu programa na TV247 ‘Arte e Resistência’ havia sido aprovado e o primeiro episódio (com o também querido Caco Ciocler) já havia ido ao ar. A parceira Clarisse também estava comigo nesta empreitada e para o segundo episódio agendou Serginho. Foi fantástico. Conversamos por uma hora e meia, também sobre mil assuntos, o que resultou, ao meu modo de ver, em um diálogo histórico que ilustra o momento ímpar que o Brasil vive, e como a Arte e a Resistência se abraçam quando há consciência da parte dos envolvidos. O episódio está disponível abaixo deste texto para quem quiser assisti-lo.

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E o terceiro momento que quero dividir com vocês ocorreu algumas semanas após a gravação que descrevo acima. Serginho e eu conversávamos eventualmente por mensagens de texto e áudio, mas havia algum tempo que ele não me contatava. Fiquei então sabendo que ele estava hospitalizado, mas que provavelmente sairia em breve, pois já estava recuperado. Pois bem, eu estava jantando com minha esposa e de repente toca o telefone. Eu não atendo o telefone durante refeições, a não ser que seja uma chamada muito especial. Desta vez, pedi licença a minha esposa, pois Serginho estava me ligando do hospital, para me dar um alô e explicar que já estava bem! Batemos um papo agradável, espontâneo e ele foi muito carinhoso, como sempre era.

Enfim, estes são três momentos que me vieram à mente e ao coração, assim que soube hoje através de Clarisse do falecimento deste homem tão especial. Interessantemente – e certamente não coincidentemente –, estamos nos últimos dias do ano judaico. Na próxima segunda-feira à noite, quando o Sol se puser, será “Rosh hashana”, o Ano Novo para os judeus, de número 5782. Serginho Mamberti “escolheu” concluir sua sublime estadia na Terra exatamente nos dias em que mais um ano também se conclui. E logo virá o recomeço, o renascimento, o rebrotamento. E Serginho estará presente em todas as sementes da Terra que hão de brotar.

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Encerro por aqui, enviando um beijo ao seu coração, Serginho, e agradecendo por tudo o que você trouxe ao mundo e a mim pessoalmente. Como se diz em hebraico – e você sabe muito bem! – “Shana tovah umetukah” (“um ano bom e doce”). Bom e doce como foi e é a sua Arte, o seu Amor, as suas Amizades, e sua eterna luta por um mundo melhor e um amanhã mais iluminado. A gente se vê por aí, querido. Tenho certeza disto.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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