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Pedro Benedito Maciel Neto

Pedro Benedito Maciel Neto é advogado, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi, 2007.

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Sionismo genocida

GÉNOS (do grego γένος = família, tribo, raça) e CAEDERE ou CIDIO (do latim = matar)

Bombardeio em Gaza (Foto: Reuters/Mohammed Salem)
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Lula disse o que não precisaria ser dito - apesar de não ter mentido, nem exagerado - e acabou com a nossa semana; deveríamos estar conversando sobre a visita do líder do golpismo à Policia Federal, sobre a possibilidade jurídica de ser decretada a prisão preventiva de Bolsonaro, filhos e de toda a sua horda, mas somos obrigados a explicar aos incautos e aos velhacos o que eles sabem: o que acontece na Palestina é um genocídio; um genocídio que sionistas impõe ao povo palestino antes mesmo da criação do Estado de Israel. 

Mas vamos entender o que é “genocídio”. O termo "genocídio” não existia antes de 1944; ele foi criado como um conceito específico para designar crimes que têm como objetivo a eliminação da existência física de GRUPOS nacionais, étnicos, raciais e/ou religiosos. Em contraste, "direitos humanos", tais como definidos pela Declaração dos Direitos do Cidadão nos Estados Unidos ou pela Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas de 1948, dizem respeito a direitos individuais. Um pouco de História - Em 1944, Raphael Lemkin (1900-1959), um advogado judeu polonês, ao tentar encontrar palavras para descrever as políticas nazistas de assassinato sistemático, incluindo a destruição dos judeus europeus, criou a palavra "genocídio" combinando a palavra grega “geno” -, que significa “raça” ou tribo, com a palavra latina – “cídio”, que quer dizer matar. O termo define o genocídio como "um plano coordenado, com ações de vários tipos, que objetiva à destruição dos alicerces fundamentais da vida de grupos nacionais com o objetivo de aniquilá-los", exatamente o que o sionismo faz na Palestina.

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Em 1945, o “Tribunal Militar Internacional” instituído em Nuremberg, Alemanha, acusou os líderes nazistas de haverem cometido "crimes contra a humanidade", e a palavra "genocídio" foi incluída no processo, embora de forma apenas descritiva, sem cunho jurídico. 

Em 1948, sob a sombra recente do “Holocausto” e em grande parte pelos esforços incansáveis de Lemkin, as Nações Unidas aprovaram a “Convenção para a Prevenção e Punição de Crimes de Genocídio”, convenção que estabeleceu o "genocídio" como crime de caráter internacional, e as nações signatárias dela comprometeram-se a "efetivar ações para evitá-lo e puni-lo", definindo-o assim: “Por genocídio entende-se quaisquer dos atos abaixo relacionados, cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial, ou religioso, tais como: (a) Assassinato de membros do grupo; (b) Causar danos à integridade física ou mental de membros do grupo; (c) Impor deliberadamente ao grupo condições de vida que possam causar sua destruição física total ou parcial; (d) Impor medidas que impeçam a reprodução física dos membros do grupo; (e) Transferir à força crianças de um grupo para outro.” 

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Sionismo genocida - O professor Quartim afirma que “O projeto sionista de fundar um Estado na terra palestina é intrinsecamente colonial” e, digo eu, genocida. O sionismo tem essa característica, tanto que os judeus majoritariamente repudiaram as ideias de colonialistas de Theodor Herzl; Herzl atribuiu, com efeito, ao futuro Estado judeu a missão de “fazer parte de uma muralha defensiva da Europa na Ásia, um posto avançado da civilização contra a barbárie” (LAQUEUR, 1972, p. 95; BROWN, 1983, p. 6)”. O sionismo é uma ideologia genocida e colonialista, pois coloca em marcha um método de dominação de uma nação sobre outra por meios territoriais, culturais e econômicos. Existem dois modelos de formação de colônias: o “modelo de exploração”, que busca a extração de recursos e matérias-primas da região colonizada para o império colonizador e o “modelo de povoamento”, relacionado com o deslocamento de uma massa de colonos para o território a ser colonizado; o Colonialismo sionista está ligado ao Imperialismo e à “falsa ideia de globalização que compõe uma narrativa de legitimação do processo de invasão e opressão do Ocidente sobre o Oriente”. Em certa medida o sionismo e a causa palestina foram traídas pela Inglaterra, que após a I Grande Guerra esqueceu dos compromissos da “Declaração Balfour”, que indicava a criação do Estado judeu, respeitando o palestino. A “Declaração Balfour” é uma carta de 2 de dezembro de 1917 do então secretário britânico de assuntos Arthur James Balfour, servilmente dirigida a Lionel Walter Rothschild, o sionista Barão Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, onde ele afirma a intenção do governo britânico de facilitar o estabelecimento do Lar Nacional Judeu na Palestina, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império Otomano, que dominava a região; Balfour escreveu também: “nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não-judaicas existentes na Palestina”.

Apesar de não cumprir o compromisso contido na “Declaração de Balfour” a Inglaterra favoreceu a imigração sionista, para a região, o que um nacionalismo árabe e a solidariedade islâmica. Em 1931, realizou-se em Jerusalém uma conferência à qual compareceram, além dos países árabes, representantes de todas as comunidades muçulmanas importantes, da Nigéria à Iugoslávia, da China às repúblicas soviéticas do Uzbequistão e do Cáucaso, que se colocou contra a política pró-sionista da Inglaterra. Naquele momento a imigração judaica para palestina era enorme. Quando da Declaração Balfour, os judeus na Palestina correspondiam a 8,3% da população total, em 1939 já eram mais 33%. 

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O ataque terrorista do Hamas ceifou a vida de civis, inclusive de crianças e mulheres, isso é inaceitável para quem se reconhece de esquerda, há boas justificativas para todas as incivilidades que o ser humano faz na face da terra, contudo, o genocídio que os governos sionistas praticam são, a meu juízo, imperdoáveis. Exemplo do genocídio sionista é a matança que aconteceu em Deir Yassin, fato que deixaria a Beatrix Kidoo, personagem de Uma Thurman no filme Kill Bill, enjoada (para quem não lembra o massacre de Deir Yassin foi uma matança de cerca de 254 civis palestinos desarmados, ocorrida na Vila de Deir Yassin, nas proximidades de Jerusalém, durante o mandato britânico na Palestina. A guerrilha sionista foi responsável pelo massacre). 

Sim, o sionismo manteve milicianos e guerrilheiros até 1948 em atividade na Palestina para realizar uma limpeza étnica.  

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Massacres como o que aconteceu em Deir Yassin eram comuns no final do século XIX, e o citado em especial, em razão do número elevado de vítimas teve um impacto considerável no conflito que já ocorria na região, criou pânico e há quem indique ter sido uma das principais causas do êxodo palestino de 1948 e foi condenado universalmente à época, inclusive pelo comando do Haganah.

O sionismo é uma ideologia fascista, colonial e genocida, uma ideologia que “inventou” um Estado e que, desde o período de entreguerras, ou seja, antes memos da criação do Estado de Israel, mata palestinos e se apropria de territórios. 

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É isso.

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