Sob as bênçãos do mercado, Temer compra Congresso para barrar denúncia de corrupção, sem reação da sociedade

Os casos explícitos de corrupção passados e em andamento no Executivo e no Legislativo sob o olhar complacente desses segmentos e a apatia da sociedade mostram que o combate à corrupção foi apenas um pretexto para derrubar um governo legitimamente eleito e impor políticas rejeitadas pela maioria da sociedade brasileira

Plenário da Câmara dos Deputados 29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Plenário da Câmara dos Deputados 29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Eduardo Araújo)

O Brasil chegou ao ponto mais baixo de degradação moral com a absolvição de Aécio Neves e a corrupção explícita no processo de votação pelo Legislativo para barrar a investigação da segunda denúncia de corrupção, obstrução da Justiça e organização criminosa contra Temer e seus ministros mais próximos, com o apoio do "Mercado", em especial os bancos, que querem lucrar com a reforma da previdência prometida pelo ilegitimo.

E o que é mais grave e desalentador: praticamente sem reação dos meios de comunicação ou da sociedade e com a conivência (em muitos casos participação direta mesmo) das entidades de Estado que deveriam zelar pela Constituição e pelo Estado democrático de direito, entre eles o Supremo Tribunal Federal.

Depois de cortar investimentos em programas sociais como saúde e educação por 20 anos, segundo cálculos da própria grande mídia aliada o presidente não eleito empenhou para se safar nas duas votações R$ 32 bilhões em concessões e medidas do governo para comprar os votos de deputados entre junho e outubro, além de mais de R$ 4 bilhões de emendas parlamentares individuais.

É a continuação do golpe de 2016 que afastou Dilma Rousseff da presidência sob pretexto de ter cometido pedaladas fiscais no repasse de recursos para o Banco do Brasil. Sabe-se agora, depois das delações premiadas de Joesley Batista e do doleiro Lúcio Funaro, que o impeachment da presidenta também foi comprado com dinheiro de propina de grandes empresas, sob o comando de Temer e Eduardo Cunha.

Fecha-se assim o quebra-cabeça das reais intenções e dos personagens que articularam o golpe.

1. O grande capital, nacional e internacional, comandado pelo mercado financeiro, que em troca de financiar o golpe está sendo retribuído com a imposição da agenda neoliberal rejeitada sistematicamente pelas urnas, como a terceirização ilimitada, a reforma trabalhista, as privatizações e o desmonte de empresas públicas (entre elas as instituições financeiras federais), a entrega do pré-sal, o fechamento de reservas florestais, o retorno do trabalho escravo, a anulação de multas por violação das leis ambientais, a destruição dos programas sociais e da soberania nacional.
2. .A grande mídia, parcial e partidarizada, porta-voz do grande capital e de sua agenda neoliberal.
3. A escória parlamentar corrupta ameaçada pelas delações premiadas, segundo a profecia de Romero Jucá: "Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria" (...) "com o Supremo, com tudo".
4. Segmentos preponderantes das instituições que deveriam ser republicanas para defender a democracia e o estado de direito, mas agem abertamente como aliados do grande capital e com viés partidário, aí incluídos o Ministério Público Federal, o Judiciário como um todo (até o STF), a Lava Jato, a Polícia Federal, o TCU etc.

Os casos explícitos de corrupção passados e em andamento no Executivo e no Legislativo sob o olhar complacente desses segmentos e a apatia da sociedade mostram que o combate à corrupção foi apenas um pretexto para derrubar um governo legitimamente eleito e impor políticas rejeitadas pela maioria da sociedade brasileira.

A pensadora canadense Naomi Klein traça em seu livro "A Doutrina do Choque" um roteiro de como o neoliberalismo foi implantado em várias partes do mundo no rastro de catástrofes naturais ou fabricadas, deixando os trabalhadores e as forças democráticas prostradas e inertes.

Mas essa apatia é provisória. As pesquisas mostram a indignação da população aos seguidos ataques aos direitos trabalhistas, tornando Temer o mais impopular presidente da nossa história. Falta a centelha, que certamente virá, para levar essa indignação às ruas e às eleições de 2018, para reverter o processo golpista, recuperar os direitos solapados e jogar esse governo corrupto no lixo da história.

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