STF mostra a Bolsonaro que ele não é Luís XIV

"Agora ele vai ter de quebrar a cabeça para encontrar alguém que não seja tão obviamente cooptável para a PF e seu gabinete do ódio vai apontar canhões contra o STF e principalmente contra Alexandre de Moraes", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, em referência a Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

O revés que sofreu hoje no STF, com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a nomeação de seu xará Alexandre Ramagem para diretor-geral da PF foi um duro golpe no plano absolutista que o ainda presidente tenta emplacar no país e que há alguns dias resumiu numa frase emblemática e mentirosa:

“A constituição sou eu”.

Emblemática porque remete imediatamente a Luis XIV e seu “l’etat c’est moi”; mentirosa na tentativa de persuadir que respeita o que não respeita de fato.

Só ele não notou que as declarações de Moro, ao deixar o ministério e as dele, ao responder, à frente de todo o ministério, revelaram os verdadeiros motivos espúrios da demissão do diretor anterior, Maurício Valeixo e, apesar das suspeitas apontadas por todos que não estão fanatizados, o ainda presidente dobrou a aposta, como sempre faz, indicando ao cargo um ex-subalterno – ex-chefe da segurança do então candidato em campanha, depois da facada -  e notório amigo de seu filho Carlos que está sob investigação da PF.

Será que o ainda presidente pensou que ninguém ia perceber que o novo diretor seria um pau mandado seu e que por meio dele teria acesso a investigações sigilosas, poderia atacar adversários e proteger amigos e familiares?

Ou será que, protegido pelo quarteto de generais que toca o governo enquanto ele espalha o coronavírus ele acha que, além de ser a constituição também é o estado?

Seja como for, agora ele vai ter de quebrar a cabeça para encontrar alguém que não seja tão obviamente cooptável para a PF e seu gabinete do ódio vai apontar canhões contra o STF e principalmente contra Alexandre de Moraes.

Ele pode até recorrer, a AGU pode alegar que nada impede um presidente da República de nomear o chefe da PF, a questão então irá a plenário, mas daí não passará; o ainda presidente não tem votos para ganhar no plenário do Supremo.

Somente em novembro, quando Celso de Mello coloca pijama, o ainda presidente poderá indicar um aliado fiel em seu lugar e outro em setembro de 2021, com a saída de Marco Aurélio Melo.

Até lá, tende a perder todos os julgamentos no STF. 

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