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Maria Luiza Franco Busse

Jornalista há 47 anos e Semiologa. Professora Universitária aposentada. Graduada em História, Mestre e Doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dissertação sobre texto jornalístico e tese sobre a China. Pós-doutora em Comunicação e Cultura, também pela UFRJ,com trabalho sobre comunicação e política na China

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Sutilezas do knockdown

A semana começa com o encontro entre Putin e Xin Jinping

Vladimir Putin e Xi Jinping (Foto: Xinhua)
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A semana começa com o encontro entre Putin e Xin Jinping. Dias 19 e 20, o presidente russo estará em Pequim a convite do presidente chinês. Parece uma lavagem de terreno depois da passagem do presidente dos Estados Unidos pela China. A imagem vem porque a água é elemento fundamental na cultura chinesa que flui contornando obstáculos com flexibilidade e fortalece a energia vital para a relação harmoniosa com o universo. 

Neste mês de maio o mandatário estadunidense se empenhou. Antes da viagem à China, onde desembarcou em visita oficial dia 13 e foi embora dia 15, recebeu o presidente Lula em Washington em também visita oficial de bate -volta em que ambos se encontraram dia 7, depois de Lula chegar na véspera e retornar dia 08.

Agora, Xi fecha esse primeiro ciclo de périplo da agonia protagonizado por Trump que, por sua vez, já acena com a hipótese de ir à Russia ainda este ano atendendo convite feito por Putin durante o encontro que tiveram em agosto do ano passado no Alaska. Mas o cerre chino é só pausa. Xi acena provável ida em setembro próximo aos Estados Unidos para prosseguir na afirmação sobre o princípio do trato permanente por meio dos canais diplomáticos, considerado alicerce para viabilizar o andamento dos negócios comerciais e dos investimentos. 

A observância da etiqueta diplomática protagonizou a conversa no Grande Salão do Povo. Trump chegou com comitiva de 17 executivos, dentre os quais seis bilionários prontos para fechar negócio, mas o negócio foi outro. Xi mandou a letra política em caracteres ocidentais para facilitar a compreensão do executivo estrangeiro. Ou seja, na mesa estariam fora e sem chance de entrar em pauta Taiwan e o braço de mar do oceano Pacífico que banha a ilha, faz ligação com o oceano Índico, e por onde circulam mais de 1/3 de todo o comércio mundial de mercadorias. Xi abriu mão dos caros aforismas, puxou a clássica advertência do general grego Tucídides sobre o perigo de guerra quando um Estado resolve disputar e se intrometer na soberania do outro, e, pelo sim pelo não, fez lembrar Mao Zedong. Durante guerra do Vietnã, Mao formalizou aviso aos Estados Unidos por meio do jornalista Edgar Snow: caso o EUA cruzasse o paralelo 17 e invadisse o Vietnã do Norte ameaçando o território chinês, a China entraria na guerra. Washington levou a sério. Preferiu não arriscar porque ainda trazia vivo na memória o que foi ser derrotado pelas táticas e superioridade numérica do Exército de Libertação Popular durante a guerra que travava com a Coreia do Norte e ameaçava ultrapassar a fronteira da China. Era a década de 1950, e a China não era a potência que é hoje.

Neste ano de 2026, o mês de maio chinês tem sido intenso. Além de recepcionar a delegação estadunidense, mais uma vez Xi comemorou o Dia Nacional da Juventude referenciado no Movimento de 4 de maio de 1919 quando estudantes tomaram as ruas de Pequim, seguidos de trabalhadores e profissionais liberais progressistas, para impedir que a China assinasse o tratado de Versalhes que cedia território ao estrangeiro, e exortou os jovens a se integrarem no processo de desenvolvimento em favor do povo. Além disso, o governo assistiu o deslocamento de mais de um bilhão de habitantes que viajaram pelo país aproveitando o feriado do Dia do Trabalho. 

Maio é primavera na China. Depois de mais um inclemente inverno, a natureza parece ter despertado no cio. As cerejeiras de todas as cores estão carregadas, as roseiras se mostram em arbustos altos em forma de grandes buquês que dão até vontade de casar, e os salgueiros-chorões não param de espalhar por todos os espaços seus chumaços de paina que os de fora acham que é pólen, mas não são. São as fêmeas do salgueiro-chorão anunciando que é tempo de procriar. A arvore nativa dá sombra, purifica o ar e embeleza o ambiente. Que assim seja.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.