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Alex Solnik

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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Temer jogou seu nome na lama

"Temer ainda não se deu conta da encrenca em que se meteu ao admitir publicamente ter pedido dinheiro para o PMDB a Marcelo Odebrecht num jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014. Ele tenta se justificar com o argumento de que pediu dinheiro 'legal' e não 'ilegal', mas esquece que um prédio público, como é a residência oficial do vice-presidente da República, não é lugar para pedir dinheiro a ninguém, legal ou ilegal, para o partido do qual era o presidente", destaca o colunista Alex Solnik; "Se essa parte da negociação com a Odebrecht, confessada por Temer, já é passível de punição, e punição severa que não pode ser menor do que a perda de seu cargo, a parte que ele nega, mas que seu melhor amigo já contou para Deus e o mundo, eleva a punição ao cubo", alerta o jornalista

"Temer ainda não se deu conta da encrenca em que se meteu ao admitir publicamente ter pedido dinheiro para o PMDB a Marcelo Odebrecht num jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014. Ele tenta se justificar com o argumento de que pediu dinheiro 'legal' e não 'ilegal', mas esquece que um prédio público, como é a residência oficial do vice-presidente da República, não é lugar para pedir dinheiro a ninguém, legal ou ilegal, para o partido do qual era o presidente", destaca o colunista Alex Solnik; "Se essa parte da negociação com a Odebrecht, confessada por Temer, já é passível de punição, e punição severa que não pode ser menor do que a perda de seu cargo, a parte que ele nega, mas que seu melhor amigo já contou para Deus e o mundo, eleva a punição ao cubo", alerta o jornalista (Foto: Alex Solnik)
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Temer ainda não se deu conta da encrenca em que se meteu ao admitir publicamente ter pedido dinheiro para o PMDB a Marcelo Odebrecht num jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Ele tenta se justificar com o argumento de que pediu dinheiro "legal" e não "ilegal", mas esquece que um prédio público, como é a residência oficial do vice-presidente da República, não é lugar para pedir dinheiro a ninguém, legal ou ilegal, para o partido do qual era o presidente (e ainda é, embora formalmente seu sucessor seja Romero Jucá).

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Nenhum ente público está autorizado a fazer qualquer tipo de negócio não oficial num prédio governamental, ainda mais quando o ente é o primeiro na sucessão presidencial.

Imaginem se a presidente Dilma tivesse admitido ter pedido dinheiro ao PT no Palácio da Alvorada! Ainda que legal. Ou o presidente Lula! Seria um prato cheio para a imprensa! Nem Collor fez isso. Nenhum presidente nem vice-presidente da República fez isso. Presidentes da República não fazem isso, a não ser que se considerem acima de qualquer suspeita e inalcançáveis pela mão da Justiça.

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A última autoridade que fez algo parecido, até onde se sabe, foi o governador Adhemar de Barros, que não se constrangia em exigir dos empresários que ganhavam algum contrato de seu governo uma singela contribuição para "as obras assistenciais de dona Leonor" assim que fechava algum contrato de obras públicas com algum deles, dentro do Palácio dos Campos Elíseos ou dos Bandeirantes.

Mas ele não é exemplo de ética para ninguém. Ficou conhecido para todo o sempre como o "rouba, mas faz". Só não foi preso, certa vez, pelo Procurador da Justiça Hélio Bicudo, que apurou suas ilicitudes porque fugiu para a Bolívia num avião particular na calada da noite.

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No entanto, se essa parte da negociação com a Odebrecht, confessada por Temer, já é passível de punição, e punição severa que não pode ser menor do que a perda de seu cargo, a parte que ele nega, mas que seu melhor amigo já contou para Deus e o mundo, eleva a punição ao cubo.

Além de ter pedido dinheiro para o seu partido dentro das instalações do governo, ele o pediu diante do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, o pai do propinoduto da companhia e de Claudio Melo Filho, cuja fachada era de diretor da Odebrecht, mas que na verdade era um lobista.

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Temer admitiu um lobista conhecido de todos – e não seria ele, presidente do poderoso do PMDB, que não o conheceria – dentro do Palácio do Jaburu. E, além de não se incomodar em ser seu anfitrião tratou de "contribuição à campanha" na sua frente.

Ninguém trata de contribuições legais de campanha com um lobista!

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Quem trata de contribuições de campanha oficiais é o tesoureiro do partido, na sede do partido – essa é a regra republicana.

Sem contar o fato de que os 10 milhões de reais - ao menos parte deles - serviria para convencer 140 deputados, como seu amigo Yunes já contou, a eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara dos Deputados, o primeiro ato da conspiração que derrubou a presidente Dilma.

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Esse conjunto da obra é muito mais grave do que o processo de cassação da chapa Dilma-Temer que corre no TSE. E está mais do que comprovado por ele próprio.

Temer não foi apenas traidor da presidente com quem se elegeu, não foi tão somente um dos líderes do golpe parlamentar, como se supunha até agora.

Mais pernicioso que o hacker da Marcela, mais devastador que a mais devastadora das perguntas incômodas que Cunha lhe fez via Superior Tribunal de Justiça, Temer jogou o seu próprio nome na lama.

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