Temer pode estar perdendo oportunidade histórica

Neste início de interinidade, que pode se tornar definitiva, percebe-se alguns equívocos capazes de deslustrar o final da vida pública de Temer e impedi-lo de deixar seu nome consolidado na história republicana do Brasil

Brasília - Presidente Interino Michel Temer reúne ministros para discutir o plano para as fronteiras (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brasília - Presidente Interino Michel Temer reúne ministros para discutir o plano para as fronteiras (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Luiz Carlos Borges da Silveira)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

O presidente Michel Temer tem a oportunidade de enriquecer seu currículo político e encerrar com mérito sua longa carreira de homem público. Pela situação do país em que ele foi chamado constitucionalmente a assumir e pela exiguidade de tempo, a tarefa é árdua, mas pode ser consagradora se a bom termo for conduzida.

Neste início de interinidade, que pode se tornar definitiva, percebe-se alguns equívocos capazes de deslustrar o final da vida pública de Temer e impedi-lo de deixar seu nome consolidado na história republicana do Brasil.

Temer deve ter plena consciência do que é preciso ser feito e da determinação que necessita para fazê-lo. Dar os primeiros passos e sinalizar vontade de mudar e de melhorar a situação é receita primária para conquistar credibilidade e conseguir adesão às medidas, projetos e programas, especialmente quanto às reformas que o país reclama. Precisa passar confiança e esperança na recuperação. A partir disto, a própria sociedade se encarregará de cobrar do Congresso o apoio necessário.

Infelizmente, o presidente não está dando demonstrações convincentes. Começou cedendo a pressões do Congresso e de partidos, inclusive o seu, para formação do gabinete ministerial, sendo compelido a nomear ministros e assessores do primeiro escalão com passado pouco ético, alguns citados, envolvidos e até denunciados por irregularidades na gestão pública e em investigações sobre corrupção.

O presidente tem declarado apoio à Lava Jato, que está passando o Brasil a limpo, porém ao engajar no governo políticos envolvidos ou investigados por essa mesma operação passa a impressão de que o discurso não é consistente. Esses assessores podem colocar Temer em situação constrangedora e ter de ficar se justificando.

Prova disso foi o episódio com o ministro Romero Jucá envolvendo, ainda que indiretamente, o nome do presidente em suposta articulação para enfraquecer a Operação Lava Jato a qual, para a população é um ícone na luta contra a corrupção. Tal fato compromete seriamente a credibilidade do governo, mesmo que proveniente de armadilha preparada por alguém de pouca ou nula credibilidade. O presidente revelou outras fraquezas políticas, como recuar na transformação do Ministério da Cultura em Secretaria e também ao aceitar que parlamentares definissem o nome do líder do governo na Câmara.

Quanto ao Ministério da Cultura, o presidente sucumbiu a pressões corporativas, quando deveria manter a decisão, até porque para tocar a política cultural não há necessidade de um Ministério. Países que desenvolvem políticas e projetos avançados, França e Alemanha, por exemplo, não têm ministério, apenas secretarias especiais. O governo deveria, isto sim, prestigiar o Ministério da Ciência e Tecnologia, de fundamental importância no atual contexto, pois esse é um terreno em que o país precisa avançar muito para sair do atraso.

E sobre a indicação do líder, não se concebe o presidente abdicar de sua prerrogativa, líder do governo é escolha do governo, não dos deputados. É responsabilidade do presidente que indica alguém de sua confiança, com trânsito no governo e bom relacionamento com as bancadas. O presidente acabou aceitando um aliado de Eduardo Cunha, o deputado André Moura (PSC-SE), praticamente imposto pelo grupo denominado "centrão" que é formado por parlamentares principalmente do PP, PR e PSD.

Até o momento, o destaque é a equipe econômica, integrada por experientes e competentes nomes da área, que já mostra sinais positivos, ainda que a economia brasileira seja extremamente problemática e onde resultados não aparecem de imediato.

Entendo que Michel Temer precisa adotar as medidas, ainda que amargas, discutir os projetos com transparência, cultivar o diálogo mas ser inflexível nos pontos mais sensíveis para a sociedade. Contar com apoio popular é ponto decisivo e a população tende a apoiar a partir da percepção de firmeza, de ética e de efetivas mudanças.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Apoia-se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247