Tempo para refletir sobre o futuro da humanidade

Há uma imensa carga de energia e de conhecimentos à nossa disposição para transformar este mundo num lugar melhor, mais amistoso e solidário, mais firmemente comprometido com a paz, sua segurança e o respeito à rica diversidade humana que é, ao final, nosso maior legado

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imagem para artigo "Tempo para refletir sobre o futuro da humanidade" de Washington Araújo (Foto: Washington Araújo)

A humanidade de tempos em tempos se curva ante uma personalidade que simbolize à inteirezauma época duradoura de paz, seus mais duradouros sonhos de um futuro feliz, um renovar de suas energias criativas para novamente impulsionar o avanço civilizatório.

Há cerca de 6.000 anos isso ocorreu com a vinda de Krishna, na Índia, e coube a ele nos ensinar com sua Sublime Canção, que a verdadeira luta se trava do lado esquerdo do peito, no coração, e é a luta contra os males do egoísmo e da paixão. Há 4.000 anos Moisés desceu do monte com as tábuas da Lei, com os seus 10 Mandamentos, na Palestina, e tão imponente evento deu origem a todos os códigos de leis que hoje conhecemos. Há 2.000 anos, vemos Cristo em seu primeiro advento, na Galiléia, também Palestina, revolucionando os destinos humanos com sua maior lei – a do Amor.

Se observarmos bem, o espaço de tempo entre Krishna, Moisés e Cristo tem durado em média cerca de 20 séculos. E então, cerca de 600 anos depois de Cristo, surge Maomé, na península arábica e seu legado gera o emergir da primeira nação da Terra, a Arábia, e o conceito abrangente da submissão à vontade divina. Uma coisa é certa: o mundo como o conhecemos deve muito de sua evolução, progresso e conquistas à vinda dessas personalidades. Eles trazem um Livro, que consideram sagrado por conter a Mensagem divina à época em que surgem. Eles trazem mandamentos, ensinamentos, advertências, profecias. Eles são os fundadores das grandes religiões monoteístas: o Hinduísmo, o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo. E u todos orbitam em volta de um mesmo eixo, como planetas em volta de um mesmo Sol da Realidade. Este eixo atende pelo nome de Deus, Alláh, Teo, Ser Incognoscível, Energia Cósmica. Nesse ponto vemos claramente que a linguagem falha ao buscar descrever "o que é puro Espírito", daí a profusão de nomes para designar o Criador.

Entre os anos 1844 e 1852, na Pérsia, hoje conhecida por seu nome moderno, Irã, surge não apenas outra dessas personalidades únicas, singulares. Surgem dois e, devido à proximidade histórica temporal entre eles, são adequadamente reconhecidos como as Manifestações Gêmeas de Deus. Os dois fazem anúncios que abalam os alicerces da história humana: assumem-se como continuadores da sagrada linhagem de Mensageiros de Deus, afirmam cumprir tudo o que foi entesourado por séculos nas profecias contidas em todos os Livros Sagrados do passado, convidam a humanidade a se elevar a um novo estágio de seu processo evolutivo – o da Unidade do Gênero Humano. Eles se chamam Ali Muhammad e Mirzá Husayn Ali, mais conhecidos posteriormente como O Báb e Bahá'u'lláh, respectivamente.

Estamos vivendo, portanto, sob a influência benéfica e direta desses dois Luminares e neste ano de 2017, cerca de 7 milhões de pessoas se movimentam em todas as regiões do planeta para prestar entusiásticas, apaixonadas e condignas, homenagens à data em que se celebra o nascimento de Bahá'u'lláh, ocorrido em 1817, há exatos 200 anos passados. Esses Dias sagrados gêmeos – exatamente 20 e 21 de outubro de 2017 – nos oferecem a oportunidade para "comemorar momentos em que um Ser inigualável na criação, uma Manifestação de Deus, nasceu para o mundo".

A vida tanto do Báb quanto de Bahá'u'lláh são, sob todos os ângulo que se analisem, realmente extraordinárias: os dois eram dotados de conhecimento inato, os dois tinham uma vida interior, devocional bastante intensa, os dois proclamaram as provas e evidências de que eram portadores de mensagens enviadas por Deus, os dois sofreram perseguições, foram humilhados, torturados, despojados de seus bens terrenos, aprisionados, desterrados, os dois viveram oceanos de angústias e aflições em seus últimos anos de vida. O Báb foi fuzilado em praça pública da cidade iraniana de Tabriz, em 1850. Bahá'u'lláh foi exilado quatro vezes envenenado três vezes, viveu seus últimos 23 anos de vida terrena como prisioneiro na cidade fortificada de ´Akká, antiga Palestina, e faleceu em 1892.

A mensagem que Bahá'u'lláh trouxe foi comunicada por Ele mesmo em epístolas premonitórias às cabeças coroadas de seu tempo, o século 19, o que incluía Napoleão III da França, Kaiser Guilherme da Alemanha, Czar Nicolau da Rússia, Rainha Vitória do Reino Unido, Sultão 'Abdu´l-Azíz da Turquia, Nasirin-Din Sháh da Pérsia e também aos líderes religiosos da época, que incluíam o papa Pio IX. Os ensinamentos de paz e unidade, de igualdade de direitos entre homens e mulheres, de harmonia entre religião e ciência, de eliminação dos preconceitos, de livre pesquisa da verdade e do conceito de que existe apenas um Deus, uma religião transmitida à humanidade por etapas e uma só humanidade impactaram positivamente líderes do pensamento do século 19 e 20, pessoas como Leon Tolstoi, Edward Browne, Rainha Maria da Romênia, Eça de Queiróz, Mahatma Gandhi, Helen Keller, Lázaro Zamenhoff, Romain Rolland, George Townshend, Gibran Khalil Gibran, e tantos outros.

A maioria das cabeças coroadas à época em que receberam missivas de Bahá´u'lláh o trataram com desdém, quando não com indiferença. Praticamente todos eles viram seus reinados naufragarem, seu poderio temporário de extinguir, suas dinastias serem interrompidas abruptamente. À exceção da Rainha Vitória que mostrou simpatia pela mensagem vinda do Prisioneiro de ´Akká, esses reinos, tão opulentos, arrogantes e considerados até então invencíveis, logo foram varridos do mapa político mundial.

Agora, neste mês de outubro quando se celebra o Bicentenário do Nascimento de Bahá'u'lláh, podemos ver que é outra, e sumamente positiva, a receptividade dos líderes mundiais à sua mensagem, a percepção de sua luminosa vida torna-se mais e mais evidente e a compreensão de que seus ensinamentos são inteiramente capazes de solucionar – e de uma vez por todas - os muitos sofrimentos que afligem a espécie humana, sofrimentos como o irromper de guerras ruinosas, a corrupção e o mau uso do dinheiro público, insegurança nos meios urbano e rurais, devastação dos recursos naturais do planeta, epidemias que ceifam milhões de vidas em países pobres e sofridos e que rapidamente poderiam ser debeladas.

Nos últimos dias governantes de diversos países saudaram efusivamente as celebrações em torno da Figura Profética de Bahá'u'lláh. Vejamos alguns:

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, referindo-se a Bahá'u'lláh, escreveu: "Sua vida, seus ensinamentos e sua compaixão continuam a inspirar pessoas ao redor do mundo, e todos podemos aprender com sua generosidade e sabedoria". E logo agregou que "a comunidade bahá'í do Reino Unido é uma parte importante da sociedade britânica".

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Bill English, em sua mensagem à comunidade bahá'í de seu país afirmou que "muitos na Nova Zelândia e em todo o mundo estarão comemorando este aniversário muito especial, e espero que vocês se deleitem com as festividades junto às suas famílias e seus amigos".

O primeiro-ministro da Austrália, Malcolm Turnbull, ainda no início deste ano, em sua mensagem à comunidade bahá'í, por ocasião de Ridván , escreveu um tributo edificante, reconhecendo este ano bicentenário especial. "Os bahá'ís da Austrália são uma comunidade calorosa e amistosa, uma comunidade de música e de caridade, uma comunidade que se alegra com a sua identidade e, ainda, estende o seu ensinamento de respeito e igualdade para com todos". E foi mais além ao afirmar que "somos verdadeiramente cidadãos do mundo e nosso compromisso compartilhado com a amizade, a inclusão e a harmonia é o cerne do nosso sucesso."

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Jimmy Carter enviou suas calorosas saudações à comunidade bahá'ís americana. Ele escreveu: "Como muitos de nossos povos lutam contra as persistentes injustiças sistêmicas contra os afro-americanos e as nações indígenas, a violência crônica contra as mulheres, os conflitos religiosos e a guerra sem fim, então a centralidade da paz, da igualdade humana e da união religiosa encontrada nos escritos e atividades bahá'ís podem servir de inspiração para todas as fés e credos."

O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, dirigiu uma mensagem à comunidade bahá'í de seu país, transmitindo seus melhores desejos e destacando certos princípios fundamentais dos ensinamentos de Baha'u'llah e suas implicações.

O vice-ministro dos Assuntos Religiosos e da Sociedade Civil do Cazaquistão, , Berik Aryn, em sua mensagem aos bahá´ís escreveu: "Esperamos que os seguidores da Fé Bahá'í, através de seu serviço espiritual, promovam a consolidação da forte relação entre entidades governamentais e grupos religiosos, bem como entre os diferentes grupos de fé no Cazaquistão."

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, divulgou mensagem em que afirma o seguinte: "A Fé Bahá'í fornece ao mundo uma visão de fraternidade universal... E suas mensagens de amor e respeito visam tornar o mundo um lugar bonito que comemora tanto a harmonia quanto a paz." Referindo-se à comunidade bahá'í na Índia, ele escreveu: "Desde a revelação do Profeta Bahá'u'lláh, a Fé Bahá'í encontrou aceitação sincera na Índia, onde uma das suas comunidades mais dinâmicas floresceu desde então." E, comentou ainda que instituições como a Casa de Adoração Bahá'í – conhecida pelos indianos como o Templo do Lótus - "simbolizam o espírito de comunhão e fraternidade universal."

O recém-eleito presidente da Índia, Ram Nath Kovind, escreveu sua própria mensagem aos bahá'ís, onde afirmou que "o bem-estar da Índia depende do compromisso cada vez maior entre seus cidadãos com o princípio da unidade na diversidade. Os esforços da comunidade bahá'í oferecem esperança de que o objetivo da unicidade venha a ser alcançado".

O primeiro-ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, em sua mensagem à enfatizou: "Os ensinamentos de Bahá'u'lláh sobre unidade e paz são valores apreciados em nossa sociedade multirracial e multirreligiosa. (...) Estou animado que a comunidade bahá'í (...) continua a promover a compreensão, o diálogo e a interação entre pessoas de diferentes religiões." E expressou também que "seus esforços irão percorrer um longo caminho para aumentar o respeito mútuo em uma sociedade multirreligiosa e fortalecer a harmonia social de Singapura."

O primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, cumprimentou a comunidade bahá'í e expressou seu apreço pelas contribuições que está fazendo "para a boa vontade e a prosperidade do país".

O ministro dos Assuntos Culturais de Bangladesh, Asaduzzaman Noor, destacou que o "principal objetivo da Fé Bahá'í, é a unidade e a comunhão entre as diferentes raças e povos da Terra" e agregou ainda que este "é um princípio bem-vindo em um mundo rasgado por conflitos e discórdia." Noor concluiu sua saudação assim: "Nas palavras de Bahá'u'lláh: " Vós sois todos os frutos de uma só árvore e as folhas de um mesmo ramo."

O ministro do Departamento do Primeiro Ministro da Malásia, Najib Razak, afirmou em texto que "a comunidade bahá'í tem sido promotora ativa do diálogo intereligioso e também um protagonista verdadeiro da unidade e da harmonia entre a população multiétnica e multireligiosa deste país ... Os ensinamentos de Bah'u'lláh sobre a unicidade do mundo da humanidade e Seu apelo a uma visão abrangente do mundo contida na frase "a Terra é apenas um país e a humanidade,seus cidadãos" são essenciais tanto para o estabelecimento da unidade nacional como para a promoção da compreensão e da paz globais."

O vice-primeiro-ministro do Nepal, Gopal Man Shrestha e o ministro dos Assuntos Internos do mesmo país asiático, Janardan Sharma, além de expressar calorosos cumprimentos por ocasião do bicentenário, disse que "a mensagem de Bahá'u'lláh afirmando que Deus é um e que todos os seres humanos são membros da mesma família é sempre relevante em um país como o nosso, onde há tanta diversidade social, cultural e religiosa."

O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Barry O'Farrell, em mensagem especial escreveu que o jubileu de ouro da Casa da Adoração em Sidney, é "uma ocasião importante não somente para a religião bahá'í, mas para Nova Gales do Sul como um todo. A comunidade bahá'í desempenha parte importante do tecido social diverso de Nova Gales do Sul, e é importante que continuemos a promover e celebrar a diversidade, a tolerância e a comunidade no Estado. Esta ideia abarca o ethos da religião bahá'í, uma vez que procura unificar todas as religiões e a humanidade. E este templo e a comunidade bahá'í realmente conseguiram isso. Eu acredito que há muito a aprender com a Fé Bahá'í, porque através dos seus valores de unidade e igualdade tapeçaria multicultural de Nova Gales do Sul foi aumentada."

Esses são breves excertos de algumas das muitas mensagens recebidas de líderes mundiais. Os serviços postais de países como Holanda, Áustria, Alemanha e Malásia também emitiram selos comemorativos ao Bicentenário do Nascimento de Bahá´u´lláh e, nos próximos dias e semanas, dois parlamentos nacionais, o da Itália – em 21 de outubro – e o do Brasil – em 30 de novembro de 2017 – realizarão sessões solenes especiais para expressar reconhecimento pelo extraordinário contributo trazido para Bahá´u´lláh objetivando o bem-estar, a tranquilidade e felicidade de toda a humanidade. A par com todas essas demonstrações de reverência e apreço pela mensagem bahá´í, milhares de outros eventos estão ocorrendo nesses dias ao redor do mundo. São exposições de arte, de posters, de livros, programas televisivos, lançamentos de livros, concertos de música clássica e de música popular, apresentações de dança clássica e contemporânea, produção e estreias de centenas de materiais audiovisuais, como filmes e documentários, caminhadas e procissões, apresentações de corais, além de conferências, palestras, ciclos de estudos e reuniões devocionais nos templos, instituições culturais e acadêmicas e também em milhares de lares.

Estamos em 2017, este é o segundo século desde o nascimento de Bahá´u´lláh. Você já imaginou como era o Cristianismo no ano 200 da era cristã, ou o Islamismo no ano 200 do calendário muçulmano. Eram promessas de vitórias do espírito divino sobre os afazeres e o destino da humanidade. Hoje, podemos dizer que estamos apenas começando. Há muito por realizar. Mas há uma imensa carga de energia e de conhecimentos à nossa disposição para transformar este mundo num lugar melhor, mais amistoso e solidário, mais firmemente comprometido com a paz, sua segurança e o respeito à rica diversidade humana que é, ao final, nosso maior legado.

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