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Danilo Espindola Catalano

Professor de espanhol, pesquisador e escritor.

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Tempos sombrios rondam a América Latina

Observa-se uma guinada à direita que se consolida por meio da relação com as redes sociais

Tempos sombrios rondam a América Latina (Foto: Ilustração Prensa Latina)
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Recentemente, dois presidentes venceram eleições na região: na Colômbia, um candidato outsider, semelhante ao que foi Jair Bolsonaro em 2018; e, por outro lado, no Peru, a eleição de uma presidenta que, segundo seus críticos, vem manipulando a estrutura política do país desde 2016, consolidando formalmente um processo que já estava em curso.

Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella possuem contextos ao mesmo tempo distintos e semelhantes, que se consolidam na região de maneira diferente da observada em outros governos. Enquanto uma se aproxima do legado ditatorial de seu pai, o outro busca a estratégia do espetáculo midiático para se consolidar por meio de fake news e de ataques que geram medo entre a população.

Os Estados Unidos de Donald Trump estão desesperados. O país perde espaço em uma região que sempre considerou seu quintal. Ao mesmo tempo, o poder da China vem se consolidando cada vez mais, inclusive em países historicamente aliados aos estadunidenses, como Chile, Colômbia e Honduras. Consequentemente, esses países estiveram entre os que mais ocuparam os holofotes recentemente e hoje passam a incorporar líderes que podem contribuir para a consolidação de um novo Plano Cóndor, denominado Escudo de las Américas.

Mas não é apenas isso. No processo democrático, observa-se uma guinada à direita que se consolida por meio da relação com as redes sociais. Se pensarmos que, desde 2018, as eleições têm sido fortemente influenciadas pelas principais plataformas digitais, como X, Facebook, TikTok e Instagram, percebemos que elas se tornaram fundamentais para vencer eleições e mobilizar massas que, anteriormente, eram protagonizadas pelos protestos e pela luta nas ruas.

Ruas estas que voltaram a ser mobilizadas pela Geração Z no Peru e no Paraguai, com reivindicações ao Estado para que garantisse trabalho digno e estável, sem que os jovens fossem explorados por grandes corporações estrangeiras. Isso evidenciou um resultado estrutural do capitalismo contemporâneo e sua relação com as redes sociais. Por isso, nos países que recentemente trocaram de presidente, os mais jovens votaram majoritariamente na esquerda, e não na direita.

A direita democrática e tradicional parece ter morrido, buscando sobreviver nas garras dessa nova ultradireita de caráter fascista. No entanto, as diferenças entre ambas tornam-se perceptíveis diante de suas práticas políticas, ao se separarem, quando percebem resultados adversos, como demonstram os casos das investigações de corrupção no Brasil, da derrota na Colômbia e na Argentina e, também, de seu apagamento da política em El Salvador.

Diante de todo esse contexto político, as novas lutas que ganham protagonismo na Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Equador e Colômbia parecem representar um respiro de esperança. Elas podem conduzir a resultados positivos diante do cenário atual, uma vez que as crises democráticas e políticas se consolidam regionalmente em meio a mudanças estruturais e de paradigmas. Essas transformações podem resultar em uma nova ressurreição popular, capaz de protagonizar os acontecimentos que estão por vir.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.