Terra arrasada: revista Piauí denuncia passo a passo da destruição do meio ambiente

O jornalista Ricardo Kotscho relata que, "no melhor estilo das grandes reportagens das falecidas revistas Realidade e Brasileiros, o repórter Bernardo Esteves faz uma completa autópsia, passo a passo, da destruição do Meio Ambiente, deflagrada pelo alucinado neonazifascista Ricardo de Aquino Salles no ministério do mesmo nome"

Golpe se preserva também à custa da devastação da Amazônia
Golpe se preserva também à custa da devastação da Amazônia

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para oJornalistas pela Democracia - São tantos escândalos, barbaridades e balbúrdias em série que só agora, no final do mês, consegui ler a matéria “O Meio Ambiente como estorvo”, publicada na revista Piauí de junho.

No melhor estilo das grandes reportagens das falecidas revistas Realidade e Brasileiros, o repórter Bernardo Esteves faz uma completa autópsia, passo a passo, da destruição do Meio Ambiente, deflagrada pelo alucinado neonazifascista Ricardo de Aquino Salles no ministério do mesmo nome.

Último ministro a ser nomeado por Bolsonaro e o primeiro a colocar em prática o projeto do governo para fazer do país uma terra arrasada, onde vale só a lei do mais forte, Salles aparece pouco no noticiário porque a concorrência de insanos é grande, mas ninguém melhor do que ele exerce o papel de exterminador do futuro da nova ordem.

Ex-diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira e fundador do movimento Endireita Brasil, Salles é o homem certo no lugar certo para executar as promessas de campanha de Bolsonaro: acabar com a fiscalização e as multas, liberar armas para os agroboys, detonar as reservas florestais e fazer da Amazônia uma terra de ninguém.

A reportagem lembra que dez dias após a sua nomeação, Salles foi condenado por improbidade administrativa durante sua gestão como secretário de Meio Ambiente em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin, denunciado por beneficiar empresas de mineração ao alterar os mapas e a minuta do decreto de zoneamento numa área de proteção ambiental na Várzea do Rio Tietê.

Uma das primeiras medidas de Salles foi cancelar a multa aplicada a Jair Bolsonaro pelo fiscal do Ibama José Olímpio Augusto Morelli, quando Bolsonaro ainda era deputado, por pescar em área da marinha protegida na baía de Angra dos Reis.

Morelli foi sumariamente demitido, como centenas de outros servidores que cometiam o crime de cumprir a lei.

As lambanças do ministro estão por trás das dificuldades encontradas nas negociações finais do Acordo Mercosul-União Européia, esta semana, no Japão, como se poder constatar neste trecho da reportagem:

“No fim de abril, uma associação de promotores de Justiça e procuradores que atuam nos estados divulgou uma carta que enumerava medidas do governo Bolsonaro que lhes pareciam enfraquecer o arcabouço jurídico de proteção ao meio ambiente. Na mesma semana, 602 pesquisadores publicaram na revista Science um apelo para que a União Européia condicionasse suas negociações comerciais com o Brasil à redução do desmatamento, ao respeito aos direitos indígenas e à proteção ambiental”.

Foi isso que a primeira ministra alemã Angela Merkel cobrou de Bolsonaro, e levou o general Augusto Heleno a mandá-la “procurar a sua turma”.

Bolsonaro completou a grosseria ao dizer que o Brasil tinha lições a dar à Alemanha.

No final, o capitão valente cedeu em tudo a Merkel e ao primeiro ministro francês Emmanuel Macron para não voltar do Japão de mãos abanando.

Mas quem garante que o governo brasileiro vai cumprir sua parte no acordo?

Se depender de Ricardo Salles, que exonerou 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama responsáveis pelo comando de fiscalização nos estados, o problema do desmatamento será resolvido brevemente: não haverá mais florestas para derrubar.

Vale a pena ler as 11 páginas da alentada reportagem de Bernardo Esteves, que entrevistou 58 pessoas e rodou o Brasil, para denunciar o completo desmantelamento do plano interministerial lançado pelo governo Lula, em 2004, que conseguiu reduzir em 84% a derrubada da cobertura florestal na Amazônia.

No governo Temer, antes mesmo de Bolsonaro liberar a esquadrilha das moto-serras da bancada ruralista, a taxa voltou a aumentar.

Entre agosto de 2017 e julho de 2018 foram desmatados 7.900 quilômetros quadrados, o maior índice anual dos últimos dez anos.

Antes de assumir o ministério, Ricardo Salles nunca tinha ido à Amazônia. Em sua primeira visita, posou para fotos ao lado de colheitadeiras numa plantação ilegal de soja transgênica em terras indígenas.

Como o piloto de um trator desembestado, o ministro segue à risca as ordens do capitão que prometeu, no dia da sua eleição, em outubro, “tirar o Estado do cangote de quem produz”, para “botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”.

“No campo, o discurso foi recebido como um passe livre para desmatar. Em novembro, mês seguinte à vitória de Bolsonaro nas urnas, a derrubada na Amazônia aumentou 406% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo cálculos da ONG Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia”, relata o excelente repórter Bernardo Esteves, que eu não conhecia.

Dá para imaginar o tamanho do estrago ambiental, se o capitão Jair Messias Bolsonaro chegar ao final dos quatro anos de mandato.

Vida que segue.

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