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Heraldo Campos

Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (UNESP), mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e doutor em Ciências (1993) pela USP. Pós-doutor (2000) pela Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP)

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Terremotos na Venezuela

Terremotos na Venezuela e a origem dos abalos sísmicos

Escombros deixados por terremotos na Venezuela (Foto: Reuters/Maxwell Briceno)
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“Os popularmente chamados terremotos, tremores de terra ou abalos sísmicos podem ser originados, de modo simplificado, por três diferentes processos. Podem ocorrer devido à evolução de cavidades no subsolo através da dissolução de rochas pelas águas subterrâneas, provocando afundamentos ou desmoronamentos na forma de colapsos catastróficos, como os que aconteceram em 1986 na cidade de Cajamar (SP). Outro tipo de terremoto pode estar associado às atividades vulcânicas. Resultam, principalmente, de explosões internas no edifício vulcânico. Exemplos mundiais, tanto no passado como no presente, são vários. Um terceiro tipo é motivado pela separação das placas continentais que acabam se chocando umas com as outras. É como se fossem objetos em uma 'esteira rolante' em movimentação contínua. As placas movem-se cerca de dois a dez centímetros por ano, dando origem aos terremotos.” [1]

“A Tectônica de Placas é um ramo da Geologia que trata das deformações da crosta terrestre devidas às forças internas que sobre ela se exerceram. A teoria de que os continentes não estiveram sempre nas suas posições atuais foi elaborada muito antes do Século 20. Este modelo foi sugerido, pela primeira vez, em 1596, por um fabricante holandês, Abraham Ortelius. Ortelius sugeriu que as Américas 'foram rasgadas e afastadas da Europa e África por terremotos e inundações' e acrescentou: 'os vestígios da ruptura revelam-se, se alguém trouxer para a sua frente um mapa do mundo e observar com cuidado as regiões costeiras dos três continentes'. A ideia de Ortelius foi retomada no Século 19.

Entretanto, só em 1912 é que a ideia do movimento dos continentes foi seriamente considerada como uma teoria científica designada por Deriva Continental, escrita em dois artigos publicados por um meteorologista alemão chamado Alfred Lothar Wegener. Wegener argumentou que, há cerca de 200 milhões de anos, havia um supercontinente (Pangeia) que começou a fraturar-se. Alexander Du Toit, professor de Geologia na Universidade de Joanesburgo e um dos defensores das ideias de Wegener, propôs que este supercontinente (Pangeia), primeiro, se dividiu em dois grandes continentes: Laurásia (no Hemisfério Norte) e Gondwana (no Hemisfério Sul), que continuaram a fraturar-se, ao longo dos tempos, dando origem aos vários continentes que existem hoje.” [2]

Nesse cenário, quando as placas se chocam, as rochas de suas bordas enrugam-se e rompem-se, originando os terremotos, os dobramentos e os falhamentos. No caso específico da Venezuela, que sofreu dois terremotos recentes (24/06/2026), vitimando mais de 1.400 pessoas.

Como escrevi em artigo de 10/01/2026, trabalhei para a Organização dos Estados Americanos (OEA), entre o período de outubro de 2005 e julho de 2007, no “Projeto Sistema Aquífero Guarani”, como Facilitador Local do Projeto Piloto Ribeirão Preto, e, juntamente com outros colegas da área de hidrogeologia, fizemos uma viagem de estudos à Venezuela.

“Um dos objetivos dessa viagem foi o conhecimento, principalmente nos trabalhos de campo, de como os técnicos do Ministério de Energia e Petróleo Bolivariano da Venezuela utilizavam a aplicação de isótopos ambientais na datação de águas e que, mais adiante, pudessem ser aplicadas na datação das águas subterrâneas do Aquífero Guarani no Cone Sul. Sem dúvida, foi uma experiência muito rica em termos do conhecimento técnico-científico, além, é claro, do contato com as populações que viviam nos pueblos (pequenas vilas) ao longo dos trajetos percorridos em duas semanas em território venezuelano.” [3]

Pesquisando o relatório técnico gerado na época dos estudos para a OEA, no ano de 2006, verifiquei que transitamos, em superfície, num setor bem próximo do epicentro (mais ou menos 10 km de profundidade) dos abalos sísmicos ocorridos, recentemente, na região costeira de La Guaira, distante cerca de 30 km da capital Caracas. Apesar de saber da existência das placas tectônicas de Cocos, do Caribe, de Nazca e Sul-Americana na região como sendo, provavelmente, as principais responsáveis pelos terremotos que atingiram o território venezuelano, fiquei bastante impressionado com a magnitude (7,5 na escala Richter) do evento ocorrido, que não se manifestava há mais de 100 anos com essa intensidade.

Isto posto, gostaria de desejar, neste momento difícil, com muitas perdas de vidas humanas e materiais, NOSSA SOLIDARIEDADE AO POVO VENEZUELANO!

Fontes

[1] “Terremos em Ribeirão”. Artigo de Heraldo Campos de 26/08/2007. Jornal Gazeta de Ribeirão. Ribeirão Preto (SP).
https://alumni.usp.br/coletanea-de-artigos-por-onde-a-agua-passa-de-geologo-ex-aluno-da-usp/

[2] “Tectônica de Placas”. Artigo de Heraldo Campos de 15/11/2007. Jornal Gazeta de Ribeirão. Ribeirão Preto (SP).
https://alumni.usp.br/coletanea-de-artigos-por-onde-a-agua-passa-de-geologo-ex-aluno-da-usp/

[3] “O quintal para maldades”. Artigo de Heraldo Campos de 10/01/2026.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2026/01/o-quintal-para-maldades.html

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.