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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Terrorismo pra chamar de seu

"A decisão de classificar o PCC como terrorista mira completamente nas eleições brasileiras desse ano"

Terrorismo pra chamar de seu (Foto: Reuters)

Focault dizia que tudo na vida é baseado em dispositivos, regras. Só existem seres viventes e regras. Até numa orgia é preciso ter regras. Não atacar garçons e frutas. Para Trump, isso não existe. Tudo vale. Prometia-se não entrar em guerras na campanha, agora infesta o mundo de ataques externos. Precisa-se do aval do Congresso para fazer um ataque, outros fazem, mas Trump não. Todos precisam fazer o que Trump manda, senão irão ver as consequências, mesmo querendo dizer ser atacado pelos EUA. As fronteiras do permitido estão se expandindo através de todo esse tempo de impunidade da era Donald Trump. 

Desde que o mundo começou a desvalorizar o dólar em transações internacionais, enfraquecendo o poder americano no mundo e abrindo espaço para o fortalecimento da China, que adotou o tom de morrer atirando para todo lado. A começar pelas rotas marítimas. Para acabar com isso, derrubar a China a todo custo é prioridade. Sufocar com rotas marítimas e controle de todo petróleo é o primeiro passo. Ele iria começar pelo Norte da África. Derrubou a Líbia, Egito, Sudão, Etiópia e Somália. Israel já é a maior base americana. Tomam a Palestina, tentam agora derrubar o Líbano, mesmo com o Hezbollah resistindo. Faz um tempo que derrubaram a Síria, invadiram o Iraque e Kwait. Só faltava o Irã. Ter controle das fronteiras como Ormuz, Panamá, Estreito da Groenlândia, além de ter posse do petróleo da Venezuela.

Aí que entra os próximos alvos: Colômbia e Brasil. Tal qual aconteceu com a Venezuela, será implantado por aqui. Primeiro criar algum vínculo com o terrorismo na visão americana. Daí ter carta branca para atacar. Todos lembram que bastou associar Maduro a chefe narcoterrorista  do Cartel de Los Soles, que trouxe seus mariners sequestrar o presidente da Venezuela. Hoje sabemos que não conseguiram provar isso, como foi a acusação ao Iarque de ter armas nucleares e o resultado foi destruição do país, dilapidação de suas riquezas e apropriação do petróleo. 

Terrorismo é o uso da violência para criar terror com objetivos políticos, ideológico ou religioso, atacando a sociedade. É o caso do IRA na Irlanda, Estado Islâmico no Iraque e Al-Qaeda no Afeganistão. O PCC realiza sim atos violentos, mas sem finalidades políticas. Quando existe esse tipo de classificação, tudo começa a ter problemas graves para além de ima invasão americana. Começa pelo fato de haver uma descredibilidade econômica mundial. Basta ver o Líbano, que tinha um sistema financeiro muito elogiado e passou a ficar sem recursos graças ao Hezbollah. A longo prazo, a ideia americana é desconfigurar o Brasil e transformar em pequenos países. Assim, seria mais fácil controlar cada pedaço. 

Lula já tem avisado para se prepararem para um possível ataque. Tudo começa com uma informação falsa associando o PCC ao Hezbollah. O conselheiro do governo americano, Darren Beattie quer se encontrar com Bolsonaro na prisão da Papuda. Darren é um autor conservador e fundador do site Revolver News, que já escreveu: "Homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem. Infelizmente, toda a nossa ideologia nacional é baseada em mimar os sentimentos de mulheres e minorias e em desmoralizar homens brancos competentes." Mas da mesma forma que Trump quer os olhares desviados para longe de sua ligação com as novas levas de arquivos do caso Epstein, a decisão de classificar o PCC como terrorista mira completamente nas eleições brasileiras desse ano. Já se sabia que essa eleição com o avanço da IA seria dura, com o apoio dos Estados Unidos ao Bolsonaro, será uma das piores já vista.

Isso vai deixar as antigas estratégias e guerras na internet no chinelo. Anões besuntados é uma coisa, mas isso já é bizarro e muito grave.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.