Teses equivocadas sobre as eleições municipais

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Primeiro, transformar as eleições municipais em "Fora, Bolsonaro" e nacionalizar o discurso político do pleito. Isso chama-se oportunismo político e confunde ou quer instrumentalizar uma eleição para uma prefeitura municipal em meio de fazer oposição aberta e franca a Bolsonaro. A agenda  dessa eleição são os problemas comuns  do cotidiano da população recifense: transporte público, educação pública, saneamento e saúde pública, habitação, segurança etc. Se o candidato não tem propostas viáveis e factíveis para resolver esses problemas (mesmo que isso passe pela oposição à agenda de Bolsonaro), ele não está habilitado para exercer o mandato. Mais ainda de uma prefeitura como a do Recife.

Segundo, o programa político-administrativo do candidato não pode ser uma mera colcha de retalhos (um bric-a-brac) das demandas dos movimentos sociais, por mais urgentes e importantes que sejam. Este programa deve se constituir de uma linha comum das questões do cotidiano da população. Questões gerais e universalizantes. Isso não quer dizer que não haja espaço na agenda para questões específicas dos movimentos.

Quarto, essa questão das demandas específicas e outras não se relacionam diretamente com as alianças  para a conquista do mandato. Se faz eleição com santos, fiéis, irmãos, se faz com cidadãos e cidadãs de carne e osso. A questão são os compromissos assumidos pelo candidato, públicos e não tão públicos, que possam comprometer a agenda de mudança. Mas aí pesam os partidários e militantes da candidatura para garantir a fiel obediência  ao programa estabelecido.

Quinto, a tese de que a eleição municipal é uma prévia da eleição estadual ou nacional. Depende. Dado o caráter federativo do país, as alianças mudam, em cada nível de governo, as questões são diferentes e a própria conjuntura muda. Não se pode querer fazer dessa eleição municipal uma prévia da eleição estadual ou federal. Lembrar que das 3, a menos politizada é a municipal. A mais politizada (e plebscitarizada) é a federal. Não confundir as esferas.

Vamos arregaçar as mangas e consolidar o que já conseguimos, ao invés de pré-julgar, sectariamente, o que sequer ainda é real e consolidado. É cômodo censurar um processo político em curso, urdido com tanta dificuldade. É mais fácil erguer uma igreja e fazer um movimento messiânico, com os irmãos e irmãs. Mas a política não é assim.

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