Tirar Bolsonaro do poder é uma tarefa planetária

Para Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia, "muito ainda irá se dizer sobre esse discurso infame proferido por Jair Messias Bolsonaro, na abertura da Assembleia Geral da ONU, mas não há como fugir à essência do problema: temos um desqualificado na Presidência da República"

Bolsonaro discursa na Assembleia Geral da ONU
Bolsonaro discursa na Assembleia Geral da ONU (Foto: Carolina Antunes/PR)

Por Leandro Fortes, via Jornalistas pela Democracia - Muito ainda irá se dizer sobre esse discurso infame proferido por Jair Messias Bolsonaro, na abertura da Assembleia Geral da ONU, mas não há como fugir à essência do problema: temos um desqualificado na Presidência da República. Tirá-lo de lá, portanto, tornou-se uma urgência civilizatória, apartidária e, agora, creio, planetária.

A fala do presidente não pode sequer passar pelos crivos naturais de uma análise de discurso. Para tal, seria preciso haver vínculos entre os fatos e a linguagem, mas nem estes nem aquela sustentam-se sobre o mínimo de sensatez e verossimilhanças. Trata-se, dentro da única análise possível, de um amontoado de mensagens sem sentido sobrepostas em linhas e parágrafos, um mosaico de mentiras, delírios e convulsões mentais elaboradas por idiotas empoderados.

As sequências neurais que ligam os olhos e a boca do presidente, dando-lhe movimentos desarmônicos intermitentes, tornaram-se, mais do que nunca, reveladores dos modos do celerado que anunciou ao mundo, diante de uma plateia estupefata, ter salvo o Brasil do socialismo.

Assim como carregava o deputado Hélio Negão a tiracolo para neutralizar as acusações de racismo com as quais convive, desde sempre, Bozo levou como dama de companhia uma índia youtuber do Xingu, Ysani Kalapalo, para reforçar seu discurso abusivo sobre a Amazônia. Em um caso e no outro, só as mentes tacanhas dos assessores do presidente e, claro, sua audiência de débeis mentais, podem achar essa estratégia étnica-racial minimamente convincente. Tanto Negão como Kalapalo sabem do papel deplorável a que estão se prestando, provavelmente, com a perspectiva de viver das migalhas do bolsonarismo.

Ao atacar Cuba, os médicos cubanos e a Venezuela, Bolsonaro comportou-se como estafeta de Donald Trump e dos Estados Unidos, sobre os quais fez meia dúzia de citações bajulatórias, ao longo do discurso. Parecia um paciente terminal da Guerra Fria subitamente despertado do coma, um bufão que acaba de entrar para a história das Nações Unidas como, provavelmente, o governante mais ridículo a ter discursado por lá.

O lado positivo desse vexame mundial é que, agora, não há uma única nação do mundo que não saiba o que está se passando no Brasil.

Todo governante que apoiar Bolsonaro vai estar absolutamente ciente, portanto, de que estará apoiando um psicopata.

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