Tiros na caravana de Lula ferem a democracia e ameaçam eleições de outubro

"A revelação de que um dos ônibus da caravana do ex-presidente Lula foi alvejado por tiros quando passava por uma estrada do Paraná – de fato teriam sido dois ônibus – é o sintoma mais evidente de que a radicalização política chegou ao seu extremo e que as autoridades da segurança pública estão perdendo o controle da situação com sérias ameaças às eleições de outubro", diz o colunista Carlos Lindemberg; "A violência começa com o discurso, depois passa para a manifestação material, finalmente chega à agressão e alcança o seu limite com o uso de armas de fogo"

"A revelação de que um dos ônibus da caravana do ex-presidente Lula foi alvejado por tiros quando passava por uma estrada do Paraná – de fato teriam sido dois ônibus – é o sintoma mais evidente de que a radicalização política chegou ao seu extremo e que as autoridades da segurança pública estão perdendo o controle da situação com sérias ameaças às eleições de outubro", diz o colunista Carlos Lindemberg; "A violência começa com o discurso, depois passa para a manifestação material, finalmente chega à agressão e alcança o seu limite com o uso de armas de fogo"
"A revelação de que um dos ônibus da caravana do ex-presidente Lula foi alvejado por tiros quando passava por uma estrada do Paraná – de fato teriam sido dois ônibus – é o sintoma mais evidente de que a radicalização política chegou ao seu extremo e que as autoridades da segurança pública estão perdendo o controle da situação com sérias ameaças às eleições de outubro", diz o colunista Carlos Lindemberg; "A violência começa com o discurso, depois passa para a manifestação material, finalmente chega à agressão e alcança o seu limite com o uso de armas de fogo" (Foto: Carlos Lindenberg)

A revelação de que um dos ônibus da caravana do ex-presidente Lula foi alvejado por tiros quando passava por uma estrada do Paraná – de fato teriam sido dois ônibus – é o sintoma mais evidente de que a radicalização política chegou ao seu extremo e que as autoridades da segurança pública estão perdendo o controle da situação com sérias ameaças às eleições de outubro. Não seria exagero dizer que elas podem ser as mais violentas de que se terá notícia, colocando no chinelo as de 2014, até então as mais agressivas desde a redemocratização. Na verdade, a caravana do ex-presidente vem sendo vítima da intolerância política tão logo começou a se movimentar pelo Rio Grande do Sul. Percorrendo rincões dominados por fazendeiros e onde há dezenas de acampamentos do MST, no início o barulho parecia ser apenas manifestações de protesto de partidários de algum candidato da direita, até que começaram a aparecer máquinas agrícolas fechando estradas, pneus sendo queimados para impedir o avanço da caravana,  e por fim, nos últimos três dias, aquilo que já não era aceitável passou a se tornar inadmissível num país que se pretende democrático, qual seja, o apedrejamento dos ônibus e o lançamento de ovos contra o ex-presidente e sua comitiva.

Na verdade, o que se está assistindo neste momento, com a omissão das forças de segurança tanto dos Estados percorridos como da União, é uma escalada de violência que não apenas ameaça a democracia como coloca em risco a própria essência do regime democrático – as eleições de outubro. Quem viu as cenas de violência no sul do País, antes que os tiros fossem disparados, já podia imaginar que o ápice da barbárie seria logo atingido , e tudo feito sob as vistas da Polícia Rodoviária e das polícias militares daquela região, que se limitavam a acionar as sirenes das viaturas sem que houvesse havido uma só prisão pelos atentados que vêm se repetindo há quase uma semana – ou estilhaçar o para-brisa de um ônibus a ponto de impedir a sua viagem não é um atentado contra os seus passageiros?

Pois foi assim. A violência começa com o discurso, depois passa para a manifestação material, finalmente chega à agressão e alcança o seu limite com o uso de armas de fogo. Ora, os partidos e suas lideranças, não importa a ideologia, desde que não preguem o ódio nem recorram à violência, podem e devem se manifestar livremente, à direita e à esquerda. É com esse material que se faz a democracia. Não é com o silencio dos cemitérios que se esclarece a população ou se faz o encontro do povo com os seus ídolos. Mas tudo tem um limite. Quem cumpre o dever de acompanhar o desenrolar da cena política no País já estava prevendo que a qualquer momento a situação chegaria ao seu extremo. Como chegou. Não basta o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, vir a público dizer que a violência é intolerável. É urgente que as autoridades e os agentes policiais se mobilizem para pôr fim a esse desatino verificado no sul do país. Os tiros que pegaram no ônibus da caravana lulista, felizmente sem fazer feridos, atingiram também a democracia brasileira. E é urgente que ela seja socorrida, sob pena de chegarmos ao processo eleitoral sem o necessário controle da situação. É este o dever do governo federal: garantir o vir e ir dos candidatos, independentemente de sua posição partidária. Ora, ainda ontem, o ultradireitista Bolsonaro desceu em Curitiba sem que ninguém lhe incomodasse. Não havia lá um sem-terra, quando poderia haver centenas deles, mas não. Bolsonaro desceu no aeroporto local e seguiu para o interior, sem que lhe jogassem uma pedra, um ovo sequer, muito menos um tiro. E é assim que os governos estaduais, bem como o federal, devem se comportar. Garantir a segurança dos pré-candidatos por onde forem. Ontem, a propósito, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, condenou a falta de segurança da caravana, hipotecou solidariedade ao ex-presidente Lula e o encorajou a continuar percorrendo o país. Pimentel poderia ter feito como o então governador Israel Pinheiro fez, quando o então vice-presidente da República Pedro Aleixo foi impedido de assumir o lugar do falecido general Costa e Silva, no exercício da presidência da República. Israel, que era do antigo PSD, ligou para o ex-udenista Pedro Aleixo e o convidou para refugiar-se em Minas para daqui assumir a presidência da República. Pedro Aleixo, conta a história, não quis mergulhar o país numa possível guerra civil, até por que também àquela altura já era prisioneiro da Junta Militar que assumiu no lugar de Costa e Silva.

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