Todo cuidado é pouco para Temer também não vender a Amazônia

Por tudo que a Amazônia representa, nunca é tarde para se advertir que todo cuidado com Michel Temer é pouco para ele não “doá-la” a preço de banana no mercado internacional, como já vem fazendo hoje com outras grandes riquezas do Brasil.

Nos últimos meses, a imprensa internacional, e muito pouco a mídia brasileira, vem denunciando as graves más intenções do governo golpista de Michel Temer de também vender a floresta amazônica para grupos de mineradores, madeireiros e pecuaristas nacionais e internacionais a fim de aumentar seu caixa para concretizar várias finalidades, todas nada republicanas.

Além de servir para cobrir o desemprego e o rombo das contas públicas, que Temer já ajudou a ampliar no país, o dinheiro da venda da maior floresta tropical do mundo também seria usado por ele para continuar comprando deputados e senadores, tanto para aprovar reformas como as da previdência contra os pobres, quanto para escapar da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República, que agora, além de corrupto, o acusa de ser chefe de quadrilha.

Depois de ser bombardeado com críticas de organizações ambientalistas nacionais e internacionais, Temer decidiu esta semana revogar o decreto que extinguia a reserva da Renca, entre o Pará e o Amapá, o que permitiria a entrada a todo o vapor da mineração internacional na Amazônia, com prejuízos incalculáveis para o meio ambiente de toda a América do Sul e também do mundo.

A revogação do decreto, no entanto, nada significa em termos de segurança para a grande floresta quando se trata de um político profissional entreguista e denunciado por vários crimes, mas com o poder de fazer o que bem quiser no país, até mesmo vender o seu maior patrimônio e o seu grande diferencial diante do mundo.

Em fevereiro deste ano, publiquei artigo denunciando que o “governo Temer pode fazer florestas protegidas virarem pó na Amazônia”. Tratava-se, na época, da redução de 35% das áreas de florestas protegidas no Estado do Amazonas, equivalente a quase um quarto da Renca do Pará e Amapá e superior à área da reserva extrativista acreana Chico Mendes, a maior do Brasil.

Para atender a políticos amazonenses, defensores de grandes madeireiros e pecuaristas que há anos devastam a região Sul do maior estado florestal do planeta, Michel Temer iria reduzir em 35% as áreas protegidas da Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional de Acari, das Florestas Nacionais do Apurinã e de Urupadi e da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

“Remover esta proteção de um milhão de hectares contribuirá para o já notável aumento do desmatamento na Amazônia, comprometendo também a credibilidade do Brasil diante da comunidade internacional, influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem-sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas”, assinalava o manifesto assinado à época peloGreenpeace Brasil, Imazon, ISA, WWF-Brasil e mais 12 entidades ambientalistas.

Em 14 de agosto passado, voltei à carga e publiquei novo artigo dizendo que o “governo Temer compra votos com destruição da Amazônia”. Tratava-se da informação de que, para comprar votos de parlamentares da bancada ruralista na Câmara para escapar da primeira denúncia de corrupção apresentada pela PGR, o atual presidente iria propor, em projeto de lei, a redução de 27% da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará.

O assunto também foi manchete do jornal britânico Financial Times, que classificou Temer “como o maior agressor da Amazônia” e o denunciou por trocar árvores por votos ao concordar em apoiar as demandas do lobby rural no Congresso pela redução de suas áreas protegidas.

A reportagem do jornal britânico informava que representantes de organizações ambientalistas internacionais, como a WWF, garantem que 9,2 milhões de hectares de florestas na Amazônia, equivalente ao tamanho de Portugal, estão sob ameaça de Temer e do tal poderoso lobby defendido pela bancada ruralista no parlamento.

Mais tarde, escrevi novo artigo com o título “mineração liberada na Amazônia assusta o mundo”. Me referia à expedição, na surdina, no Diário Oficial da União, sem qualquer discussão com os brasileiros, do decreto de Michel Temer que simplesmente extinguia a reserva Renca de minerais preciosos.

Os protestos de políticos, ambientalistas e especialistas no setor, tanto no Brasil quanto no exterior, foram imediatos porque estão incluídos atualmente na reserva sete unidades de conservação, sendo três de proteção integral e quatro de uso sustentável, além de duas terras indígenas.

Em outro artigo que publiquei neste Brasil 247, destaquei o estudo feito por pesquisadoras da Unicamp garantindo que a mineração defendida por Temer na Amazônia poderá impactar fortemente o meio ambiente de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul, onde se concentram a maior parte da produção agrícola e industrial e onde se encontram os grandes centros urbanos da região.

Segundo as pesquisadoras, a devastação ambiental da área de Renca contribuiria para acabar com o fenômeno natural dos “rios voadores”, que são os rios aéreos de vapor bombeados pela floresta amazônica para a atmosfera, o que faz com que o quadrilátero que vai de Cuiabá a Buenos Aires e de São Paulo aos Andes seja uma região verde e úmida, enquanto as outras regiões de mesma latitude do mundo são compostas por desertos.

“O desmatamento inerente à mineração em uma área do tamanho da Renca certamente contribuirá para o desequilíbrio da dinâmica invisível dos rios voadores, comprometendo a produção de alimentos, atividades industriais e o abastecimento de água nas regiões que compõem o quadrilátero”, alertaram as pesquisadoras Carolina da Silveira Bueno e Thais Bannwart, da Unicamp.

Por tudo isso que representa a Amazônia, nunca é tarde para se advertir que, em se tratando da maior e mais valiosa floresta tropical do planeta, todo cuidado com Michel Temer é pouco para ele não “doá-la” a preço de banana no mercado internacional, como já vem fazendo hoje com outras grandes riquezas do Brasil.

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