Todos os homens do presidente

O grupo político nunca alimentou nenhuma veleidade republicana ou social. Chegou ao poder, sem voto, com o objetivo de se livrar das acusações e das punições, com a possibilidade de usar os cargos (e suas prerrogativas legais) para obstrução da Justiça, e para executar uma agenda antinacional, antipopular, de interesse do mercado e dos empresários brasileiros

Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Michel Temer 12/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Michel Zaidan)

Com a denúncia e prisão dos assessores, amigos e correligionários ligados a Michel Temer, o fim do governo golpista se aproxima a passos largos. Primeiro veio a denúncia dos donos JBS, com as gravações de áudio e vídeo das propinas pagas pelo grupo. Depois, o pedido de prisão e o afastamento das funções parlamentares do senador Aécio Neves e seus parentes. Agora, a prisão do superassessor especial, Rocha Loures. Falta ainda o tal do coronel Lima, que parece ter pagado despesas pessoais de Temer e recebido propinas em seu nome. A esse grupo seleto de amigos e assessores, some-se o triunvirato: Romero Jucá (já denunciado), Alexandre Padilha (já denunciado) e o sogro do atual Presidente da Câmara, Rodrigo maia, o ex-deputado Wellington Moreira Franco (já denunciado). Este governo se sustenta num enorme "abraço de afogados", uns se apoiam nos outros e caíram juntos no poço da indecência e da imoralidade.

O grupo político nunca alimentou nenhuma veleidade republicana ou social. Chegou ao poder, sem voto, com o objetivo de se livrar das acusações e das punições, com a possibilidade de usar os cargos (e suas prerrogativas legais) para obstrução da Justiça, e para executar uma agenda antinacional, antipopular, de interesse do mercado e dos empresários brasileiros, cujo a principal motivação é não pagar impostos, enriquecer à custa dos bancos públicos, e explorar selvagemente a mão-de-obra dos brasileiros, sob a alegação do famigerado "custo Brasil".

Farão tudo para alongar a agonia desse governo imoral. Tentaram atrapalhar o julgamento do TSE, inclusive com a exclusão de provas obtidas em gravações e delações anteriores. Tentaram interpor recursos e mais recursos junto ao STF para procrastinar inquéritos, ouvidas e a pronúncia pelo Ministério Público Federal. Desde que a massa de manobra parlamentar aprove, a trancos e barrancos, as reformas encomendadas por banqueiros e industriais. E, depois de tudo, ainda vão aparecer os espertos para propor uma continuidade desse governo, através de eleições indiretas ou prorrogação de mandatos.

Não há o que se esperar mais (de ruim) dessa gente. É necessário e urgente transformar a indignação e a revolta cívica em movimento social, que repercuta, ressoe, impulsione um formidável "coro dos descontentes" que intimide moralmente e politicamente aqueles que, mesmo relutantemente, ainda apoiem essa nau que caminha celeremente para o naufrágio. Alguns ainda observam, se agarram como podem às vantagens e benesses que este governismo em crise pode oferecer. Mas a debandada já começou e é irremediável. O núcleo duro do poder está ficando nu e sozinho.

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