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Reimont Otoni

Deputado federal (PT-RJ), vice-líder do PT na Câmara dos Deputados e membro da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Casa

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Traição à pátria, chantagem eleitoral e irresponsabilidade socioeconômica

Expressões resumem ações de Flavio Bolsonaro e seu grupo

Flávio Bolsonaro fala com jornalistas (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)
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Engana-se quem pensa que as articulações de Flávio Bolsonaro, seus irmãos e seu grupo, para que o secretário de Estado Marco Rubio incluísse o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, nos Estados Unidos, tenham algo a ver com Segurança Pública. Não tem!

O próprio candidato já confessou que o objetivo é vencer as eleições, soltar o pai, com uma Anistia imposta pelos americanos, e garantir o livre trânsito de mentiras e calúnias nas redes sociais, sob o falso argumento de liberdade de expressão. É o que eles querem, não importa a que custo para o nosso país, a economia brasileira, a nossa soberania e a vida de milhões de pessoas.

Isso é traição à pátria, chantagem eleitoral e irresponsabilidade socioeconômica.

O que eles fizeram prejudica o combate ao crime organizado e a colaboração internacional e poderá ter graves consequências econômicas, financeiras e civis para o Brasil. Mas eles não estão nem aí, só pensam nas pequenas e sórdidas vitórias que possam alcançar, em estratégias insanas e irresponsáveis.

Como explicam especialistas, quando os EUA classificam uma organização como FTO (Foreign Terrorist Organizations/organização terrorista estrangeira), ativam várias leis e regras, com consequências ilimitadas e muito nefastas para o país afetado, seus cidadãos e empresas.

Uma delas é tornar crime federal, nos Estados Unidos, prestar qualquer "suporte material" à organização designada. E suporte material vai desde financiamento a pagamentos por serviços.

Ora, quem conhece um pouco dos territórios ocupados pelas facções criminosas sabe muito bem que os moradores do lugar são obrigados a pagar a traficantes e criminosos toda a sorte de serviços, do gás a internet, do pedágio para circular com carros até a permissão para ampliar um barraco. Pois essas pessoas - vulneráveis, inocentes e já tão violentadas pelo crime – poderão entrar para a lista americana de cúmplices das facções, ameaçadas de sanções como a perda de contas e cartões de crédito, entre outras penalidades. Muito cruel.

Mas, como o PCC e o CV atuam para além dos morros e favelas, os impactos também se espalham. 

Para a economia, que o governo Lula conseguiu reerguer, os possíveis impactos ameaçam bancos, seguradoras e fundos de investimentos, que passarão a tratar operações no Brasil como arriscadas, por medo de serem acusadas de relações com o crime. Um único depósito bancário feito por um traficante pode gerar graves sanções a uma instituição, tenha ela ou não conhecimento de que se trata de um criminoso.

Ou seja, a medida coloca todo o sistema financeiro brasileiro sob suspeita e pode afetar inclusive programas como o PIX, que sempre incomodou os Estados Unidos, prejudicando diretamente toda a população.

Pela experiência do que sofreram outros países que passaram pelo mesmo problema, como México, Espanha e Grécia, outros setores vulnerários são os de infraestrutura, energia, logística, mineração, agronegócio, indústria exportadora e turismo.

É um verdadeiro desastre, provocado única e exclusivamente por um grupelho de verdadeiros gangters políticos.

O Brasil tem travado combate permanente contra as facções criminosas e milícias. Recentemente, aprovamos Lei aumentando as penas a até 80 anos de prisão para os líderes criminosos. Não foi fácil, por conta da resistência dos mesmos que hoje pedem a intervenção americana.

A medida defendida por eles não combate o crime organizado. Ao contrário, atrapalha este combate, afetando diretamente os acordos de colaboração entre Brasil e Estados Unidos, que envolvem a Polícia Federal (PF) e o Federal Bureau of Investigation (FBI).

A partir da inclusão do PCC e do CV como organizações terroristas, instituições como o FBI deixarão de cooperar com o Brasil, porque todas as investigações americanas passarão para a esfera da Central Intelligence Agency, a CIA, que só age de forma secreta, sem compartilhamento de informações. Um dos programas prejudicados será o do combate a Crimes Cibernéticos, de operações focadas em crimes virtuais e na dark web, incluindo contra pedófilos e agressores de mulheres e crianças.

Esse é o tamanho do crime cometido por Flavio Bolsonaro e sua gangue. Repito, é traição à pátria, chantagem eleitoral e irresponsabilidade socioeconômica.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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