Tranqueira

Enquanto as fontes industriais não mudarem radicalmente o tipo de “envelope” dos seus produtos lançados no mercado, os impactos aos corpos d’água continuarão existindo por causa do comportamento inadequado do poder público e de parte da população

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Existe um provérbio popular que diz “curva de rio sujo só junta tranqueira”.

É verdade o que diz esse provérbio, principalmente se estivermos falando de tranqueira produzida pelos seres humanos como garrafas pet, sacos plásticos, pneus, latas, embalagens tetra brik, pedaços de madeira, entre outras coisas, que vão sendo lançadas nos corpos d’água e acabam parando numa curva de rio. Além da conhecida contaminação das águas superficiais que esse tipo de “entulho” provoca, o seu acúmulo colabora com o aumento das enchentes em vários trechos das zonas rurais e urbanas. 

Agora, um governo eleito e de extrema direita também pode se tornar uma imensa curva de rio e termina por reter tudo que é tranqueira disponível no mercado político.

Mas, de qual governo estaríamos falando? E aqui, antes de qualquer coisa, deixamos claro que não se trata de desqualificar as pessoas das mais variadas origens e tendências políticas, mas sim de tentar enxergar pessoas interessantes e que digam algo de esperançoso para a grande massa da população. 

Assim, onde estão as pessoas interessantes de um governo que trata com pontapés de coturno o meio ambiente, a saúde, a educação e os direitos humanos do seu povo, para ficarmos somente nessas quatro grandes e essenciais áreas? Será que estão nos postos de comando dos respectivos órgãos responsáveis por essas áreas, mas as suas “boas ações” acabam passando despercebidas? 

No meio dessa pandemia do coronavírus fica difícil identificar alguma pessoa interessante dando as tintas em algum posto-chave nesse governo de plantão. A primeira vista é só tranqueira o que se observa e parece que aumenta a toda hora. 

No campo político, a última grande massa de tranqueiras que tivemos parou e estacionou na vida brasileira por um período de 21 anos: foi a ditadura militar que durou de 1964 a 1985. Aguentaremos, bovinamente, outra desse tipo e que começou a se “depositar” nas nossas vidas em 2019? Os sinais para outra tranqueira autoritária e ditatorial vêm sendo emitidos há algum tempo.

Por outro lado, na área ambiental, propriamente dita, os rios vêm sendo mais maltratados do que em outros tempos (por motivos óbvios) e os resultados do impacto dessas tranqueiras nos seus leitos são visíveis e se agravam em várias regiões do território nacional.

Recolher a tranqueira de resíduos em uma curva de rio (limpeza), escolhendo seu destino correto como, por exemplo, a reciclagem para o material que ainda permitir um processamento, pode ser um caminho, mas, enquanto as fontes industriais não mudarem radicalmente o tipo de “envelope” dos seus produtos lançados no mercado, os impactos aos corpos d’água continuarão existindo por causa do comportamento inadequado do poder público e de parte da população.

“Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos.” (Leon Tolstói). 

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