Transição verde é prioridade para a indústria brasileira

O Brasil precisa transformar seus diferenciais comparativos em vantagem competitiva

Energia eólica
Energia eólica (Foto: Ricardo Stuckert/PR)


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A participação expressiva da indústria brasileira na COP28 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Dubai, simboliza o compromisso do setor com a transição para uma economia de baixo carbono atrelada ao desenvolvimento socioeconômico sustentável do Brasil.

Dados divulgados recentemente pela ONU e pelo Copernicus reforçam a gravidade da crise climática. Segundo a Organização, o recorde de emissões de gases de efeito estufa (GEE), registrado em 2023, revela que as metas do Acordo de Paris não são mais suficientes para enfrentar a situação e os países precisam se comprometer com reduções de emissões ainda mais significativas.

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Os eventos climáticos extremos, em todo o mundo, trazem graves consequências para todas as atividades econômicas e para a vida no planeta. Evitar o agravamento da crise demanda ações mais efetivas e imediatas de todos: cidadãos, empresas e governos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) compreende a complexidade do desafio e há tempos atua nessa agenda, tanto que a sustentabilidade é, mais uma vez, um dos fatores-chave elencados em seu Mapa Estratégico.

A instituição lidera o setor na promoção de uma agenda de baixo carbono. Esta estratégia inclui apoiar tecnologias já bastante maduras no Brasil, como a produção e uso dos biocombustíveis e das energias renováveis para atingimento das metas de longo prazo (neutralidade em 2050). A consolidação de uma economia do hidrogênio no país tem o potencial de nos projetar como importante player no comércio internacional de bens e produtos fabricados com baixa pegada de carbono; o que pode atrair investimentos internacionais e criar emprego e renda. A adoção progressiva de práticas industriais sustentáveis, baseadas no desenvolvimento de soluções inovadoras e ecoeficientes, além de gerar vantagens competitivas pode reduzir impactos ambientais negativos.

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A percepção de que a indústria brasileira não é um setor moderno não corresponde à realidade. Nos últimos 30 anos, o setor vem fazendo o dever de casa e a sustentabilidade passou a fazer parte do dia a dia das empresas. A indústria é responsável por 64,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento. Nos mais diversos setores industriais, do cimento aos eletrônicos, a transição para a economia verde está em curso e as iniciativas do setor podem ser conhecidas também por meio do Projeto Indústria Verde, iniciativa para dar visibilidade ao que vem sendo feito e inspirar mais empresas a investir em soluções socioambientais responsáveis. 

Entendemos que somente a ação conjunta dos setores público e privado pode acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. A falta de políticas públicas específicas e de regulamentação para a transição verde são obstáculos que precisam ser superados. São mecanismos essenciais para o setor produtivo investir ainda mais na agenda verde, resultando na redução de emissões, colaborando significativamente com o cumprimento das metas do país. É importante destacar, no entanto, que os processos industriais respondem por menos de 10% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. 

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Para a COP28, a CNI alerta para a urgência do destravamento das negociações entre os países. Também é importante que os compromissos firmados resultem em ações práticas e que os mecanismos de financiamento climático saiam do papel. Além disso, esperamos avanços na implementação do mercado global de carbono e na definição de metas globais de adaptação. A evolução dessas pautas garantirá um ambiente de maior segurança, favorável para a indústria ampliar investimentos em modernização, sustentabilidade e, consequentemente, na criação de empregos.

As propostas do setor foram reunidas no documento Visão da Indústria para a COP28, que reúne as principais medidas consideradas necessárias para o desenvolvimento da agenda climática e as ações mais relevantes para o país nas negociações. O Brasil reúne os requisitos necessários para liderar a agenda ambiental e contribuir decisivamente para o destravamento das negociações internacionais e, para isso, conta com um diferencial importante: 48% de sua matriz energética é abastecida por fontes renováveis, ante uma média global de 14%. Já a matriz elétrica é composta por mais de 80% de fontes renováveis.

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Em Dubai, pela primeira vez, a Confederação terá um estande próprio e apresentará o trabalho que o setor vem fazendo há décadas para se tornar cada vez mais sustentável. Entre 30 de novembro e 12 de dezembro, o espaço vai sediar debates, painéis e apresentações de empresas convidadas. Vai ser um espaço privilegiado para a indústria interagir com tomadores de decisão, em âmbito público e privado, de todo o mundo.

A transição energética não é a mesma para todos os países. O Brasil precisa transformar seus diferenciais comparativos em vantagem competitiva. A indústria é parte da solução de descarbonização da economia e a transição energética se apresenta como uma alavanca importante para a neoindustrialização do país, capaz de reposicionar a indústria brasileira no mercado global com mais competitividade e maior eficiência no uso dos recursos naturais. O Brasil precisa aproveitar o momento favorável e se tornar uma referência global em indústria verde.

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