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Ronaldo Lima Lins

Escritor e professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ

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Trump e a gangue dos três

Depois da tunda que levou dos iranianos, o ocupante da Casa Branca namora com alguma exibição de força entre nossos vizinhos menos favorecidos

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Reprodução)
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Que me perdoem os mal-humorados, avessos às comparações. Impossível, diante da fotografia de Trump, ladeado, atrás, por Paulo Figueiredo e os Bolsonaro, não evocar mafiosos e seu séquito de aduladores. O “capo de tutti capi” (chefe dos chefes), de tão reverenciado, somava à sua expressão um tom melancólico de gasta monotonia. Não parece longe disso o Presidente dos Estados Unidos, no suposto encontro com os brasileiros, recebidos mais por cortesia (como se recebem turistas de estimação) do que por dever de ofício. Aqueles mafiosos de origem italiana iam da vingança e do assassinato a regras rígidas de comportamento e a uma defesa apaixonada da honra. Com eles, não se aceitavam leviandades, o que tiraria do 01 e do 02 uma parte de seu jogo de cintura.

Depois da tunda que levou dos iranianos, o ocupante da Casa Branca namora com alguma exibição de força entre nossos vizinhos menos favorecidos. Deve ter dado ouvidos às intrigas do Flávio, na decretação do PCC e do CV, nossos bandidinhos de plantão, como terroristas. Sabe-se que a medida permite intervenções militares para suposta proteção de seus cidadãos. A família Bolsonaro se fez conhecer por prestar continência à bandeira americana. Não hesita em nos vender por três tostões. Em casos assim, é evidente que caberiam medidas drásticas. A quebra do passaporte constitui uma delas. A cassação da cidadania, outra. Gente que se revela apátrida por natureza, não merece tolerância. 

Na galeria de flagrantes tenebrosos colhidos em nossa classe dirigente, o da gangue dos três, sem esconder uma ponta de constrangimento, fará boa figura. Fica a sensação de que o senador exagerou. Eleitores que se prezam costumam prestar atenção ao comportamento daqueles a quem emprestam algum tipo de confiança. Os que não se prezam podem continuar a apostar no pior, crendo que, deste modo, melhorarão o país e os próprios bolsos. Ao fim e ao cabo, é de se supor que entregar os interesses nacionais para estrangeiros não inspira promessas de boa administração. Com as más companhias que vai colecionando, através do irmão, Flávio tende a afundar na lama do insucesso. Candidaturas se anunciam cada vez mais distantes, depois dos diálogos com Daniel Vorcaro – ou do instantâneo com seu ídolo de Washington. Terá de dar cambalhotas para transformar o dito em não-dito e o insucesso em sucesso, em sua viagem. Enquanto isso, Lula se diverte, surfando nas pesquisas, com perspectiva de ganhar no primeiro turno. 

Entre os mafiosos, por trás das reverências emergia a brutalidade. No caso dos nossos irmãos do Norte, torna-se patente a mancha da reunião de foras da Lei. Não demorará e os condenados da justiça, cada vez em maior número, podem resultar em prejuízo. Lá ou cá, já não se engolem os  extremistas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.