Trump e Bolsonaro avançam crime de guerra contra Venezuela

O colunista Jeferson Miola afirma que o governo brasileiro busca perigosamente tensionar o Continente em plena pandemia de coronavírus. Ele diz: "a política genocida do Bolsonaro está agora escalando a arena internacional. Bolsonaro se associa ao banditismo geopolítico do Trump que pode convulsionar o hemisfério americano e transformar a América do Sul numa Síria"

Precisamos falar sobre o fim do Brasil
Precisamos falar sobre o fim do Brasil (Foto: REUTERS/Carlos Barria)
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Os EUA se tornaram, de longe, o epicentro mundial da pandemia do coronavírus. A propagação do COVID-19 avança exponencialmente em decorrência da condução equivocada do enfrentamento do problema pelo presidente Donald Trump.

Nos últimos 2 dias, as pessoas com diagnóstico confirmado para a infecção por COVID-19 saltaram para cerca de 203 mil no país, e o crescimento continuará uma escala geométrica.

Até esta 4ª feira, 1/4, foram contabilizados quase 4,5 mil mortes; quantidade 50% superior aos óbitos ocorridos na China, país com população mais de 6 vezes maior.

Os EUA são os campeões mundiais em disseminação da doença: contabilizam cerca de 22% do total dos contaminados em todo mundo e 10% dos mortos pela doença no mundo.

Durante semanas, quando a experiência mundial em vários países já evidenciava a gravidade do problema e ensinava as medidas corretas e efetivas para conter a pandemia à luz do Regramento Sanitário Internacional, Trump irresponsavelmente negligenciou o problema – comportamento, inclusive, que inspirou o genocida Bolsonaro.

Os EUA ainda estão longe de enfrentar o pico crítico da doença previsto para ocorrer a partir de 15 de abril, quando estima-se que o país poderá enfrentar uma catástrofe sanitária.

O panorama da pandemia no Brasil não é menos preocupante. O país representa, segundo informe da Organização Mundial da Saúde desta 4ª feira, 1/4, ao redor de 26% do total de pessoas contaminadas em toda América Latina, e quase 36% do total de óbitos ocorridos nesta região.

No caso brasileiro, a calamidade sanitária do coronavírus se combina ainda com uma crise política e institucional de extrema gravidade, que pode culminar com o fim do mandato do Bolsonaro ou, então, com seu encarceramento numa “quarentena política” irreversível.

A despeito desta realidade caótica que Trump e Bolsonaro enfrentam internamente, que obrigaria a um esforço exclusivo e pleno para a resolução dos problemas domésticos de cada país, os dois presidentes lançam mais um ataque à Venezuela e avançam a política intervencionista no país caribenho.

A pauta principal do encontro entre Trump e Bolsonaro no início de março em Miami – onde, aliás, integrantes da comitiva brasileira devem ter sido contaminados pelo COVID-19 – era o plano de ataque dos EUA à Venezuela, que faz parte da campanha re-eleitoral do Trump.

Bolsonaro desembarcou nos EUA no dia 7 de março, um dia depois de determinar a saída de todo corpo diplomático do Brasil da Venezuela [aqui]. Esta medida drástica só é adotada em casos extremos, de forte abalo das relações; ou, então, ante a iminência de guerra entre dois países.

O calendário do plano de ataque do Trump à Venezuela só foi arrefecido devido ao avanço furioso da pandemia do coronavírus nos EUA. Caso contrário, muito provavelmente a ação imperial na Venezuela teria ocorrido nos dias subsequentes ao encontro que Trump e Bolsonaro tiveram em Miami.

Nos últimos dias, Trump sinalizou a retomada do plano. Em 26 de março, acusou Nicolás Maduro de “narcoterrorismo” e o Departamento de Estado fez a pantomima de oferecer uma recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levem à captura ou condenação do presidente venezuelano.

Ontem [31/3] Trump deu novo passo com o lançamento do “Marco para a transição democrática na Venezuela” [sic] – um conjunto de medidas e exigências ilegais que não têm absolutamente nenhum amparo no direito internacional.

Neste plano intervencionista e criminoso, Trump condiciona o fim das sanções – que são ilegais – à renúncia do presidente Nicolás Maduro; à dissolução da Assembléia Constituinte; à mudança de todos integrantes da Suprema Corte e da Justiça Eleitoral; à formação de um “Conselho de Governo de Transição” [sem Maduro e sem Guaidó]; à soltura de opositores homicidas [os sicários dos EUA], dentre outros absurdos.

O lunático estadunidense Mike Pompeo, homólogo do não menos lunático [e terraplanista] brasileiro Ernesto Araújo, ainda disse, a despeito desta palhaçada risível, que “Esperamos que Maduro veja esta proposta como algo sério” [sic].

O anúncio de Trump foi prontamente apoiado pelos governos capachos da Colômbia e do Brasil [aqui]. Mesmo com a pronta adesão desses seus cachorrinhos obedientes, Trump enfrentará barreiras relevantes. Além da reação das Nações Unidas, a assistência militar da Rússia e o apoio da China à Venezuela são importantes fatores de contenção.

No momento em que a ONU, a OMS e toda comunidade mundial se mobiliza para enfrentar uma das maiores ameaças à vida humana que é o coronavírus, a imposição de sanções econômicas à Venezuela – que, frise-se, são absolutamente ilegais – caracteriza-se como um crime de guerra, causa o extermínio massivo de seres humanos.

A política genocida do Bolsonaro está agora escalando a arena internacional. Bolsonaro se associa ao banditismo geopolítico do Trump que pode convulsionar o hemisfério americano e transformar a América do Sul numa Síria.

Deter, julgar, condenar e prender Bolsonaro e Trump, que são dois genocidas e criminosos de guerra, é uma exigência humanitária e civilizatória.

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