Trump exporta economia de guerra para o Brasil em ano eleitoral, ampliando a Doutrina Monroe
O bolsonarismo fascista é apenas o braço washingtoniano que coloca o governo democrático de Lula na defensiva contra os falcões da guerra
O ensaio geral do encontro do presidente Donald Trump com senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) oculta o essencial que interessa a Washington: ampliar economia de guerra na América do Sul, usando o crime organizado como plataforma terrorista, a fim de justificar intervenção americana, na região, mediante lei imperialista de caráter extraterritorial.
Por meio dela, os Estados Unidos legisla em amplo espectro global em nome dos interesses americanos, que se julgam ameaçados pela ação externa do que julgam ações terroristas sobre as quais a democracia brasileira, segundo a visão do império, lança, apenas, olhares contemplativos condenáveis.
Essa manobra fascista imperialista já é suficiente para motivar o discurso de guerra ao terror, a justificar orçamentos bilionários capazes de financiar produção de armas, nos Estados Unidos, a serem comercializadas na América Latina, vendidas ao país continental, 9ª economia mundial, detentora de riquezas minerais incalculáveis.
Eis o perigo de balcanização do território brasileiro.
A motivação já está artificialmente construída: o PCC e o CV, considerados pela Casa Branca, organizações terroristas, justificam ações americanas armadas contra ambos, no combate ao terror, que exige organização ampla do mercado de armas no continente.
O crime organizado, cujos braços alcançam o território como um todo, balcaniza ou não o território nacional, mediante ligações internacionais?
Para legalizar, o mais rápido possível, a ampliação do comércio armamentista, colocando a região continental como campo de batalha ao terror, será indispensável que o poder político esteja dominado por grupos políticos de direita, fascistas, como é o caso do bolsonarismo.
Ele passa a atuar como fator de incêndio eleitoral, bafejado a partir dos discursos dos promotores da guerra, como são os casos dos integrantes do governo americano: o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado, Marco Rúbio, padrinhos políticos do candidato bolsonarista, Flávio Bolsonaro.
Essencialmente, Washington, com essa ação belicista, organizada de forma mais eficaz, a partir de agora, com a viagem do senador Flávio para se encontrar com o presidente Trump, atende o que é fundamental para o império americano: incrementar a indústria de armas nos Estados Unidos.
GUERRA, SUJEITO OCULTO DO IMPÉRIO
Esse é o objetivo central, o sujeito oculto, sabendo que, para o governo americano, a guerra é a base da macroeconomia dos Estados Unidos, a que puxa a demanda global, mediante gastos do governo imperial.
Por meio dela, o império, desde a segunda guerra mundial, eleva a oferta de emprego, renda, produtividade e lucratividade para os capitães da guerra, que comandam o Pentágono, em sintonia com a Casa Branca.
Os Estados Unidos não podem ficar sem guerras, para que o parque armamentista, fator de elevação da produtividade permanente da economia bélica e espacial americana, continue sendo a alavanca da superacumulação de capital do império.
Nesse momento, balcanizar, transformar a América do Sul e o seu principal território nacional, o Brasil, em praça de guerra ao terror, vira estratégica econômica fundamental para os fabricantes de armas, quando as expectativas de continuidade da guerra no Oriente Médio entram em refluxo.
A virtual derrota americana no Irã, apoiado pela Rússia e China, cria novas necessidades para a indústria armamentista, temerosa de que o fim da guerra interrompa a produção bélica e espacial.
Informações extraoficiais dão conta de que os prejuízos americanos, na guerra fracassada contra o Irã, alcançam cifras cavalares, na altura de quase 70 bilhões de dólares.
Trump desencadeou o conflito para tentar destruir os Aiatolás, secundados pela poderosa Guarda Nacional iraniana, e fracassou.
Sem derrotar o Irã e tendo diante de si o fechamento do Estreito de Ormuz, cujas consequências se fazem sentir, nos Estados Unidos, em forma de expansão inflacionária, a jogar a população contra o governo, Trump se vê em sinuca de bico.
A saída, do ponto de vista do império, para o qual a guerra é solução, não é um cessar-fogo.
Ao contrário, ele precisa buscar novos focos de fogo, para manter o parque produtivo de armas em aquecimento permanente, de modo a puxar a demanda econômica imperialista.
Caso contrário, é a falência da produção de não-mercadorias destinada à destruição como forma de reprodução intrínseca de capital.
Insistir no erro da guerra contra o Irã é contraproducente para o império, que vê aprofundar as contradições capitalistas, levando seus pretensos aliados ao caos.
É o caso da Europa, ao mesmo tempo em que joga a população americana contra o governo imperial, condenando-o às derrotas eleitorais.
A produção armamentista não pode parar, o que exige motivações incessantes para que continue em ação.
A América do Sul é o novo alvo dos falcões, para sustentar a reprodução capitalista, agora, por meio da guerra aos terroristas fabricados artificialmente.
LÓGICA DA GUERRA IMPERIALISTA
A lógica do império, como ensina o historiador José Luís Fiori, em “História, Estratégia e Desenvolvimento – para uma geopolítica do capitalismo”(Boitempo), não é buscar vitórias em campos de batalhas.
O essencial é abrir novos e mais amplos campos de batalha, sem preocupações se será vencido ou vencedor.
O fundamental é a guerra em si, por si e para si, permanentemente, acesa, a funcionar como motivo para ampliação das vendas crescentes de armas.
A vitória ou a derrota não importa, o importante é o Pentágono receber pedidos regulares e crescentes de fornecimentos de armas, para movimentar as maquinas mortíferas de matar.
É a forma de reanimar o capital investido em guerra, cuja produção é absorvida pela dívida pública americana.
Tal movimento é a razão de ser de o tesouro dos Estados Unidos continuar emitindo títulos para financiar a indústria, enquanto o mercado financeiro mantém a comercialização especulativa dos papeis nas bolsas globais.
Se esse mecanismo se paralisa, por meio de interrupção da guerra, a bancarrota se autorrealiza, cessando o movimento bélico que sustenta o Estado Industrial e Militar Norte-Americano, como o caracterizou o ex-presidente Eisenhower, nos anos de 1960.
Desse modo, no interregno entre o cessar-fogo no Oriente Médio, onde Washington se vê derrotado pela multipolaridade expressa pelo novo poder mundial, formado por Rússia-China-Irã, a se espraiar pela Eurásia, como nova fronteira econômica global, enquanto o Ocidente, dominado pelos Estado Unidos, entra em desaceleração relativa, a prioridade imperialista é ampliar campos de batalha.
É nesse ponto que a América do Sul se transforma na nova fronteira da guerra, para que a indústria armamentista americana continue se ampliando, a fim de evitar perigo de redução da produção de produtos bélicos e espaciais.
GUERRA TRUMPISTA NO PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO
A guerra não pode parar.
A transformação do PCC e do Comando Vermelho em células terroristas, portanto, é a cortina de fumaça que justifica a agressividade imperialista em ação no continente sul-americano.
Por meio dela, Washington dissemina ações armadas dos Estados Unidos capazes de justificar o estado de guerra, necessário às demandas da indústria de armas do império americano.
É a continuidade de uma nova conjuntura que se cria a partir de fatores externos sobre o processo eleitoral brasileiro de agora em diante.
O bolsonarismo fascista é apenas o braço washingtoniano que coloca o governo democrático de Lula, em busca do seu quarto mandato, na defensiva contra os falcões da guerra.
Trump, dessa forma, dá mais um passo para desarticular o BRICS, de modo a afastar a influência geopólitica da China e da Rússia sobre a América Latina, no contexto da Doutrina Donroe.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

