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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Trump impõe “impostaço” sobre o povo americano

A catástrofe não vai nos poupar. O Brasil está na mira de Trump

Donald Trump (Foto: Reuters)

O presidente norte-americano, Donald Trump, está impondo um aumento de impostos que pode pesar em mais de US$ 200 bilhões por ano nos bolsos dos americanos. Esse é o cálculo aproximado do impacto das sobretaxas anunciadas por ele apenas sobre produtos importados do Canadá e do México, sem considerar ainda as tarifas aplicadas a produtos oriundos da China.

Sim, as medidas ditas protecionistas do bilionário dublê de presidente não apenas desorganizarão o comércio global, mas também punirão de forma bastante impactante os consumidores americanos. Porque, por mais força que tenha a economia dos EUA, eles não serão capazes de promover uma grande substituição de importações, desfazendo fluxos já estabelecidos entre fornecedores e consumidores e a relação desses com as marcas.

A canalha é tão descarada que justifica o “impostaço” pela entrada de fentanil nos Estados Unidos — uma droga 50 vezes mais destruidora que a heroína — que, segundo ele, teria origem nesses países. Trump pune toda a população americana com uma desculpa esfarrapada, escancarando a incompetência do governo dos EUA no enfrentamento do tráfico mundial. Para fazer guerras e patrocinar outras, eles têm inteligência militar e força bélica; mas para combater traficantes, não. Para deportar imigrantes que dão sua força de trabalho para movimentar a economia americana, Trump é um tigrão, mas com os traficantes que desfilam em suas Ferraris pela Califórnia, é um tchuchuca.

A repercussão negativa na economia americana já se fazia sentir paralelamente ao discurso de Trump. A queda das ações de empresas americanas derrubou a bolsa do país do Tio Sam, incluindo a Nasdaq. O dólar se desvalorizou frente ao euro e ao iene, os títulos do Tesouro americano caíram para o menor nível desde o ano passado e, até a Bitcoin, ele conseguiu derrubar.

A catástrofe não vai nos poupar. O Brasil está na mira de Trump. E só a aposta no “quanto pior, melhor” pode justificar que os bolsonaristas sigam com as palmas, continências e “pagações de pau” para o bilionário americano. É claro que eles concordam com o aumento de impostos implementado por Trump e desejam que a economia brasileira sofra com essas medidas. Mas o que talvez não estejam avaliando corretamente é que o impacto pode atingir um setor que até hoje tem sido um grande aliado — e financiador — de suas maluquices: o agronegócio. Como essa turma vai se sentir quando não conseguir trocar sua caminhonete ou sua lancha no próximo ano por conta das medidas de Trump, com apoio entusiasmado da família Bolsonaro, é uma grande dúvida.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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