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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Trump ladra mas não morde

No fim, o Irã mais uma vez, tem a melhor estratégia e vence mais um round

Donald Trump (Foto: Reuters)

Por que o mundo não pode trazer momentos como trazidos pela sonda Artemis 2? Estamos vendo pela primeira vez, imagens impressionantes em ultra-mega- alta definição, trazendo cores, crateras e com precisão nunca vistas. Passaram-se 65 anos em que Yuri Gagarin disse que a Terra era azul e a tripulação da Artemis 2 que declarou: 'Vocês são lindos aqui de cima!'. Seria uma frase perfeita se não fosse os tons de cinza que a guerra do Irã está manchando nosso planeta. E agora temos um novo ingrediente com a declaração chocante de Trump: "uma civilização inteira vai morrer esta noite".

Tal qual a "Profecia" de 1939, onde o discurso de Hitler ao Reichstag em 30 de janeiro de 1939, onde afirmou que causaria o "extermínio da raça judaica na Europa", o presidente americano deu um ultimato ao Irã em resposta aos contínuos fracassos de sua ofensiva ao país persa. Mas ao contrário de Adolf Hitler que declarou explicitamente em diversas ocasiões que iria exterminar um povo, Trump muitas vezes fala e pode recuar. Temos que lembrar que o racismo nazista e o antissemitismo fascista levaram ao assassinato em massa e ao genocídio. Temos no momento um presidente americano que é uma representação supremacista do racismo. Tudo começa com a criação desde da sua infância com um pai que participou da Ku Klux Klan, passando por acusações nos anos 80 por funcionários de seus cassinos mostrando que funcionários negros eram afastados da área principal para evitar que fossem vistos.

O único país que detonou uma bomba atômica na história foi os Estados Unidos. Para mostrar superioridade, os americanos mataram entre 110 mil e mais de 210 mil pessoas em Hiroshima e Nagasaki. Até agora, as forças militares atacaram a Ilha Kharg, que é um polo estratégico de escoamento de petróleo do Irã. E sabemos também que Trump deixa claro para o mundo que não precisa de nenhum apoio e que pode fazer o que quiser mesmo atacar pontes e centrais de energia que é considerado pela OTAN, crime de guerra internacional.  Por outro lado, o Irã convocou a população para formar correntes humanas para proteger usinas de energia, que tem resposta imediata de todos onde “milhões estão prontos para se sacrificar”.

E todos sabem onde esse genocídio a partir de uma bomba atômica pode levar, para além dos efeitos imediatos e destruição local e extermínio de uma civilização. Com a capacidade elevada das bombas atuais, teríamos o inverno nuclear causando uma queda drástica na temperatura global por até uma década. Destruição da camada de ozônio e queda na produção de alimentos e água. 

Como seria o dia depois do extermínio? , Trump vê sua popularidade caindo a níveis mais baixos já registrados, manifestações na maioria dos Estados, e a nota do Tesouro Americano falando que o país está insolvente, com checagem do U.S. Government Accountability Office (U.S. GAO).  Os Estados Unidos tem ativos de seis trilhões de dólares com dívida de 47,8 trilhões de dólares. A ameaça dos arquivos Epstein paira sobre o presidente americano, eleitores americanos insatisfeitos com o governo, inflação acachapante e a real possibilidade da extrema direita perder de forma vexatória as cadeiras que apoiam as diretrizes imperialistas. Se de um lado a ameaça for vazia, Trump se afunda cada vez mais e nenhuma narrativa irá ajuda-lo e cumprindo a promessa obliterando uma civilização, a ONU convocaria uma reunião de emergência condenando a ação e isolando o país do mundo. Provavelmente Rússia e China entrariam no conflito, todos os países correriam para desenvolver sua própria arma atômica, colapsando a economia mundial de vez. Fora a tensão anti-americana que é grande no oriente, se tornaria muito maior com uma consequência desse porte.

A verdade é que mesmo sendo louco e inconsequente, Trump dificilmente acabaria com o planeta por vaidade, pois assessores militares seriam mais inteligentes. A realidade é que vão estender as conversas. De longe, todas as conversas são mais interessantes nesse momento. Claro, até chegarmos perto, quando então passam a não ser. Enfim, pequenas considerações desencantadas sobre nada, um futuro negro, o fim. Ou apenas, o fim dos Estados Unidos como conhecemos. No fim, o Irã mais uma vez, tem a melhor estratégia e vence mais um round.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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