Trump recusa OCDE e submete Bolsonaro a vexame histórico

"Ao excluir o Brasil de sua lista de ingresso ao clube de países ricos, Casa Branca humilha diplomacia de submissão do Planalto ", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Bolsonaro recebe os cumprimentos de Donald Trump.
Bolsonaro recebe os cumprimentos de Donald Trump. (Foto: Alan Santos/PR)

Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia 

A exclusão do Brasil da lista de novos candidatos à OCDE nem deveria ser um problema em si. 

Clube dos países ricos e muitos ricos, que submete seus membros a regras  prejudiciais a nações de renda média, como o Brasil, o ingresso na OCDE era um típico caso de deslumbramento da diplomacia de Bolsonaro-Paulo Guedes e não uma uma necessidade real. 

Mas, anunciada por Brasília como uma demonstração de seu prestígio na Casa Branca de Donald Trump, a recusa recém-anunciada é mais uma demonstração da irresponsabilidade do governo Bolsonaro & Cia. 

Como parte do esforço para ingressar no clube, a diplomacia de Bolsonaro comportou-se como o cidadão que faz qualquer concessão, mesmo absurda, para garantir um casamento de interesse.

Chegou a oferecer favores inaceitáveis, a começar pela a abertura da base espacial de Alcancara para lançamentos de aeronaves norte-americanas. Não adiantou, como se vê. 

Anunciado como candidato a embaixador em Washington no mesmo período, as múltiplicas viagens do filho 03 à capital dos EUA mostraram-se de utilidade zero para papai conseguir o que queria. 

A mudança da postura de Washington pode ter muitas razões mas a principal é óbvia. Aos olhos da Casa Branca, é mais importante agradar Maurício Macri, presidente de um país com uma economia várias vezes menor do que a nossa, do que honrar uma promessa anunciada há tempos ao novo amigo brasileiro. 

Promotores de uma diplomacia de submissão e bajulação sem medidas diante da primeira potência mundial, o vexame de Bolsonaro e seu ministro Eugênio Araújo deixa uma lição fundamental. 

Mostra que, antes de terminar o primeiro ano no cargo, o prestígio internacional de Bolsonaro é bem menor do que nos primeiros dias após a chegada no Planalto, quando o anúncio foi feito. 

A decisão norte-americana também confirma que nenhum governo consegue defender seus projetos na arena internacional quando perde respeito pelas necessidades de seu próprio povo e pela soberania de seu país. 

Alguma dúvida? 

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