Trump se autoproclama um traidor dos valores americanos

Para Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia, Trump cometeu “erro estratégico grotesco” ao “encorajar a agitação da turba de seguidores” e “tudo o que ele conseguiu foi antecipar um glorioso e oportuno discurso de posse de seu sucessor, Joe Biden”

Trump e Biden
Trump e Biden (Foto: Reuters)
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Por Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

Num erro estratégico grotesco, com sua visão curta e grosseira, o presidente Donald Trump obteve o resultado oposto do pretendido, ao encorajar a agitação da turba de seguidores, que acabou invadindo o Capitólio. De fato, tudo o que ele conseguiu foi antecipar um glorioso e oportuno discurso de posse de seu sucessor, Joe Biden. Aquele que o bateu nas urnas, por mais que disso ele não se conforme.

O discurso inesperado de Joe Biden (que naquela tarde faria um pronunciamento oficial, mas abordando outro tema) fez a América se lembrar de como é ter um estadista no comando, e voltar a se sentir mais segura. Ele foi iniciado com seu pedido de desculpas pela demora em falar. Suas desculpas valeram também para aqueles que, ansiosos, aguardavam manifestação do condutor do país (no caso, ainda Trump), desde o início daquele ataque ao Capitólio. 

Joe Biden iniciou de modo contundente: “Nosso país está sofrendo um ataque sem precedentes”. E prontamente recolocou nos trilhos o brio dos cidadãos americanos, enfatizando que “as cenas do Capitólio não representam a alma da América”. E disse então aquilo que se esperava ouvir de Trump: “Eu convoco essa multidão a se retirar.”  

Para Biden, o ato dos 30 mil trumpminions não se tratou de um protesto, mas de uma “insurreição”. Visivelmente constrangido, manifestou-se “chocado e triste por a nossa Democracia estar vivendo esse momento de sombras”. Era tudo que, diante daquelas cenas inacreditáveis do atentado aos valores americanos se sucedendo a seus olhos, o povo norte-americano precisava escutar. O presidente eleito afirmou que “os próximos anos da América serão de ressurreição dos valores, que sempre a caracterizaram: decência, honra, obediência às regras legais”.  Valores que mencionou inúmeras vezes na fala: “A América é a propósito de honra, decência, respeito. É o que somos, o que sempre fomos”, fazendo um chamado à consciência geral. Lembrou as crianças que estariam naquele momento diante dos aparelhos de TV: “Pensem no que elas pensarão vendo esse triste espetáculo, e também o que pensará o resto do mundo. A América é muito melhor do que nós vimos hoje”.

O presidente, que tomará posse em 14 dias, citou o sempre lembrado Abraham Lincoln numa mensagem anual ao Congresso, em 1862: “Devemos salvar nobremente, ou maldosamente perder a última melhor esperança da terra. Outros meios podem ter sucesso; isso não poderia falhar. O caminho é simples, pacífico, generoso, justo - um caminho que, se seguido, o mundo sempre aplaudirá, e Deus deve abençoar para sempre.

Por fim, mais uma vez insistiu: “Somos democracia, decência, respeito, honra”. E encerrou: “President Trump, step up!” - o que poderia ser interpretado como “assuma suas responsabilidades”.

Biden concluiu com o clássico “Deus proteja a América, nossas tropas e todos no Capitólio”. 

Minutos mais tarde, após as suas muitas mensagens de encorajamento no twitter aos seus enlouquecidos seguidores, o presidente Donald Trump pronunciou-se, pedindo aos manifestantes que fossem para casa. Mas pediu tarde. Ele já havia sido deposto, por ele mesmo, momentos atrás, com sua acintosa traição aos valores fundamentais dos Estados Unidos da América. 

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