Trump vomita abobrinha e espalha o caos
Postura errática de Trump amplia instabilidade global e expõe arrogância histórica dos Estados Unidos
Trump diz que não reabrirá o Estreito de Ormuz e que cada país "lute". Depois de criar o caos no Oriente Médio, perder suas bases e navios sem sucesso para liberar os petroleiros e causar problemas com petróleo no mundo todo, simplesmente resolve abandonar a questão. Típico de quem se acha dono do mundo. Lembrem-se do nadador americano Ryan Lochte, que, na Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, vandalizou um posto de gasolina e mentiu sobre um assalto. Um comportamento arrogante e desrespeitoso, típico de quem acha que o Brasil é o quintal dos Estados Unidos. Ou, como agora, recentemente, há indícios de que a pesquisadora/docente de 36 anos, Soledad Palameta Miller, natural da Argentina, que roubou vírus geneticamente modificados da UNICAMP, é esposa de Michael Miller, americano que atua para a One Health (USAID/Rockefeller Foundation), tratando-se de uma ação com interesses e indícios de espionagem internacional. Afinal, se o presidente americano pode sequestrar um presidente de outra nação, por que qualquer um não pode fazer o mesmo em outro país?
Quando Bush atacou o Iraque, sob o pretexto de terem armas de destruição em massa, apenas roubou petróleo, dilapidou as riquezas e, no final, disse que levou a democracia ao matar Saddam Hussein; saiu do país deixando para trás o controle do país destruído aos xiitas, sunitas e curdos. O vácuo deixado, sem se importar com o caos criado, aliado à incapacidade de partilha de poder entre esses grupos, criou insegurança, que foi aproveitada pelo Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS/EI), que iniciou uma ofensiva violenta em 2014, redesenhando o mapa do país. Agora, quando Trump cria uma cortina de fumaça ao dizer que não se interessa em abrir o Estreito de Ormuz, deixa de lado todo o caos para o mundo resolver. A mão destruidora não se importa com nada.
Enquanto isso, internamente, Trump vê sua popularidade caindo a níveis mais baixos já registrados, manifestações na maioria dos estados e a nota do Tesouro americano indicando que o país está insolvente, com checagem do U.S. Government Accountability Office (U.S. GAO). Os Estados Unidos têm ativos de US$ 6 trilhões e dívida de US$ 47,8 trilhões. Para amortecer a dívida, precisaria, entre várias coisas, acabar com os investimentos bélicos. E isso não vai acontecer, principalmente com a China se tornando o maior player do mundo na atualidade.
A posteridade com Trump será vexaminosa e mostrará a pior faceta dos Estados Unidos para o mundo. Lembrando que essa história correrá por séculos à frente. Podemos lembrar de Gilles de Laval, marechal francês que lutou com Joana D’Arc em Orleans. Gilles encerrou a carreira sendo lembrado por suas virtudes militares, mas também pelos rumores de que estuprava meninos e os assassinava depois. Dizem que era o inspirador da história do pirata Barbazul, pois costumava pintar sua barba de azul. E, nesse caso, podemos ler biografias distintas, de diferentes pontos de vista, tanto de herói quanto de vilão. Mesmo Joana D’Arc, que é um símbolo na Igreja Católica, foi retratada por Shakespeare como maligna em Henrique VI. No caso de Trump, haverá defesa da extrema direita pelo mundo, mas, com certeza, a maioria dos biógrafos terá facilidade em mostrar o quanto foi uma aberração.
A posterioridade é traiçoeira: às vezes esquece o detalhe e, às vezes, só conserva o detalhe. Trump já assiste a uma prévia de como será tratado antes de acabar sua vida útil, ou melhor, desútil. Scott Fitzgerald falou que não existia segundo ato nas vidas americanas. Nunca será reabilitado porque já foi julgado pela história, mas sem ser condenado. Lembrando que, até hoje, ninguém que confiou na falta de memória se arrependeu de ter tratado Trump como o lixo da história.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
