Túlio Gadelha, um deserto de representatividade
Aliança política contraria discurso ambiental e acende alerta sobre impactos na APA Aldeia-Beberibe
A política costuma produzir imagens que geram estranhamento, especialmente quando alianças recentes parecem atropelar pautas históricas. A aproximação entre Túlio Gadêlha e a governadora Raquel Lyra tem sido um movimento contraditório, dado o histórico do deputado com causas socioambientais e as decisões da atual gestão estadual.
O cenário na APA Aldeia-Beberibe (Grande Recife) é o ponto central dessa tensão por dois motivos principais:
O impasse da Escola de Sargentos (ESA)
Embora o Exército e o Governo do Estado defendam o projeto como um motor econômico para Pernambuco, o custo ambiental é o que mobiliza a nossa resistência.
A estimativa de retirada de milhares de árvores em uma área de Mata Atlântica preservada é um retrocesso climático grave.
Como a APA abriga nascentes cruciais para o abastecimento da Região Metropolitana, qualquer intervenção ali atinge diretamente a segurança hídrica da população, afetando mais de um milhão de pernambucanos que dependem do Sistema Botafogo.
A questão do Arco Metropolitano Norte é, talvez, a mais divisiva. O traçado defendido pela gestão estadual, que corta a reserva, é combatido por ambientalistas. Lutamos por alternativas externas à área de preservação, já apontadas diversas vezes pelo Fórum Socioambiental de Aldeia, ARRUDEIA!
Dividir a APA ao meio não apenas destrói árvores, mas fragmenta o ecossistema, impedindo o deslocamento de animais e aumentando o risco de atropelamentos de fauna silvestre.
No contexto atual de eventos extremos, ignorar a importância de uma floresta em pé próxima a centros urbanos é uma postura que vai na contramão do que a ciência exige para a mitigação dos danos climáticos.
Quando uma figura como Túlio Gadelha, que se coloca como defensor do meio ambiente, se alia a quem impulsiona esses projetos, como a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição, cria-se esse sentimento de "deserto de representatividade".
A preservação da Mata Atlântica em Pernambuco depende hoje quase exclusivamente da pressão exercida pela sociedade civil e pela militância socioambiental, que mantêm o foco técnico e ambiental acima das trocas partidárias.
O negacionismo climático não é apenas uma divergência de opinião; é um entrave direto a políticas de preservação, à proteção de nascentes e à sobrevivência de espécies que já estão no limite. Quando se traz a pauta ambiental para o centro do debate — seja por meio da política, da academia ou das artes — cria-se uma barreira contra o retrocesso.
A mobilização coletiva é o que impede que o discurso da omissão prevaleça. Seguiremos atentos.
Adelante, companheiras e companheiros!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
