Turquia: terrorismo de grupos e de Estado, faces da mesma moeda

É condenável toda forma de terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado, exercido de maneira aberta ou camuflada pelas potências imperialistas e suas agências

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Um criminoso atentado terrorista foi cometido na capital da Turquia, Ancara, no último sábado (10). Segundo agências noticiosas, trata-se do mais grave e mortal atentado de toda a história do país, que se encontra em plena campanha eleitoral. Mais de 100 pessoas morreram e centenas de outras estão feridas, em consequência da explosão de bombas contra uma manifestação pacifista organizada pelo Partido Democrático Popular (HDP).

É condenável a ação terrorista, e são depositários da solidariedade dos democratas e pacifistas em todo o mundo as suas vítimas, os democratas e patriotas turcos e os militantes e dirigentes do HDP. É condenável toda forma de terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado, exercido de maneira aberta ou camuflada pelas potências imperialistas e suas agências.

O ato organizado pelo HDP era uma manifestação democrática e pacifista, pedia a paz entre o governo nacional turco e os rebeldes combatentes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Até agora nenhuma força reivindicou a autoria do atentado. O governo, que condenou o ato criminoso, considera que o principal suspeito é a organização terrorista "Estado Islâmico". Já a oposição opina que por trás do atentado pode estar a "mão invisível" do governo.

O governo turco deve prestar contas pela política ambígua que desenvolve no Curdistão sírio e pelo apoio político, logístico, econômico e militar que brinda a outros grupos armados da oposição ao governo legítimo e constitucional do presidente sírio Bashar al Assad. Esses grupos são considerados pela Turquia e seus aliados europeus, estadunidenses e monarquias reacionárias árabes como "oposição democrática e moderada".

Associo-me à reflexão Eyyup Doru, representante do DHP na Europa, em entrevista ao jornal comunista francês Humanité: "Nós pensamos claramente que os autores desse atentado são conhecidos pelo governo. Trata-se do terceiro ato do cenário sangrento escrito pelo presidente Erdogan, desde há quatro meses, para assegurar um poder que lhe escapa. Às vésperas das eleições legislativas de junho último, um ataque semelhante resultou em quatro mortos e centenas de feridos em Diyarbakir, durante um comício eleitoral de nosso partido, o HDP. Em Suruç, no mês de julho, na fronteira com a Síria, exatamente em frente ao Kobané, 32 curdos perderam suas vidas em atentados. No último sábado, estivemos em presença do mesmo modo de ação que ocorreu em Diyarbakir.

Na época, algumas horas antes da explosão, o homem que cometeu o atentado suicida tinha sido solto pelos serviços de segurança turcos. O atentado do último sábado ocorreu na capital turca a dois passos do escritório dos serviços secretos, que seguramente sabiam o que se tramava. Evidentemente, isto se parece com uma ação do chamado Estado Islâmico, que, observe-se nunca explodiu bombas numa manifestação do governamental AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento). O que nos faz afirmar que Erdogan e o EI são realmente duas faces de uma mesma moeda".

À solidariedade com as forças democráticas e progressistas da Turquia, soma-se a expectativa de que o país consiga dissipar o cenário sangrento em plena campanha eleitoral e que o pleito que se realizará no final deste mês resulte no fortalecimento das forças da democracia e do progresso social.

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