Um corpo à espera do assassino

Na semana passada, sem direito a qualquer homenagem, a morte do estudante secundarista Edson Luiz, assassinado durante uma manifestação de protesto no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, completou 50 anos

Na semana passada, sem direito a qualquer homenagem, a morte do estudante secundarista Edson Luiz, assassinado durante uma manifestação de protesto no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, completou 50 anos. A revolta estudantil, estopim para a instauração do AI-5 pelos ditadores militares, é um marco na História de luta e resistência de uma geração que não se curvou à ditadura e ao autoritarismo. Pois quis o destino, meio século depois, reproduzir os mesmos elementos de tensão social que gerarão um novo mártir no Brasil, até o fim deste dia seis de abril. Não sabemos ainda o seu nome, sexo, idade ou profissão, mas o cenário preparado para o confronto inevitável entre as forças populares que defendem o ex-presidente Lula, da prisão ilegal patrocinada por um conjunto de atores e instituições que rasgaram a Constituição Brasileira, está todo montado.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já colocou a sua guarda pretoriana à disposição para retirar Lula da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, mesmo que tenha de abrir caminho a bala, assim como foi ordenado ao aspirante Aloísio Raposo, que disparou a queima roupa no peito do jovem estudante secundarista, em 1968. A diferença entre as duas situações é que, agora, enxergamos com clareza todas as mãos que se juntam para puxar esse gatilho.

Na morte provável de hoje estão as digitais do juiz Sérgio Moro, da ministra Cármem Lúcia, do passa-fome Deltan Dellagnol, dos Marinhos, Civitas e Frias, entre outros personagens periféricos que contribuíram para o caos político criado exclusivamente por interesses econômicos, e de domínio do poder fora das vias democráticas.

Imagino o drama de consciência que Lula está enfrentando nesse momento. Se não se entregar, conforme deseja seu algoz, o ex-presidente sabe que tudo pode acontecer contra o povo que o protege nesse momento. Mas, se serve de estímulo para resistir, eu digo ao maior líder vivo da História desse país: RESISTA! O mundo não existe para as pessoas chegarem aqui só para comer, defecar e morrer. Essa é uma percepção toda própria dessa gente mesquinha da direita, que não cabe dentro do peito progressista daqueles que querem transformar as relações humanas na Terra.

Acabamos de completar 50 anos da morte de Edson Luiz, sem missa ou homenagens à memória de um jovem brutalmente assassinado pela ditadura militar. Mas quis o destino dar a oportunidade de nos redimir. Hoje, Edson Luiz está mais vivo do que nunca!

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