Um criminoso chamado Abraham Weintraub

Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia, destaca sobre o ministro da Educação: "já não se trata apenas de um idiota prepotente, um mentiroso compulsivo, um sacripanta despreparado para o que for: o que ele cometeu no ENEM foi crime, no sentido figurado e também no sentido literal da palavra. Trata-se, portanto, de um criminoso"

(Foto: Agência Brasil)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia - No dia 13 de dezembro – há pouco mais de um mês – publiquei aqui no 247 uma coluna com o seguinte título: ‘Se for verdade, enfim uma boa notícia!’. Estava me referindo aos boatos, já intensos, de que um paspalho chamado Abraham Weintraub seria catapultado do ministério da Educação.

Bem: como do governo do Jair Messias vem de tudo um pouco, menos notícia boa, a abjeta aberração continuou no cargo até pelo menos a tarde da terça-feira 28 de janeiro. 

A questão é que agora já não se trata apenas de um idiota prepotente, um mentiroso compulsivo, um sacripanta despreparado para o que for: o que ele cometeu no ENEM foi crime, no sentido figurado e também no sentido literal da palavra. Trata-se, portanto, de um criminoso. 

Um animal, claro, porém criminoso. Ser um animal praticamente irracional não redime Weintraub do que ele fez: um crime.

Tem mais: expurgar Weintraub do governo só impedirá que ele continue seu trabalho de demolição de toda a estrutura educacional pública. Não terá efeito retroativo, por exemplo, sobre o ENEM de 2019, que – segundo essa patética aberração – foi ‘o melhor de todos os tempos’. Bem: pensando melhor, foi mesmo, desde que se considere qual é o seu objetivo central: destruir tudo, absolutamente tudo. Há um detalhe curioso nessa história do governo de Jair Messias. 

De todas as amalucadas mediocridades que ele escolheu para postos-chave em seu governo, duas se destacaram na dificílima disputa pelo título de aberração mais aberrante.

A primeira se chama Roberto Rego Pinheiro, vulgo ‘Alvim’, que fez um trabalho exemplar enquanto cumpria sua missão central, a de destruir toda a estrutura do governo dedicada às artes e à cultura. 

Cometeu um único, pequeno deslize, ao se reconhecer ardoroso parceiro das ideias de Joseph Goebbels, o ministro de propaganda de Adolf Hitler. Num ato de profunda injustiça, foi fulminado por Jair Messias.

A segunda figura é justamente Weintraub, que até agora teve um desempenho tão ou mais eficiente que o de Rego Pinheiro no cumprimento da mesma missão: arrasar com a educação pública brasileira. O desorbitado Jair Messias menciona, algo inevitável em seu ressentimento obsessivo, a possibilidade de uma sabotagem.  Sossegue, presidente: desta vez, acetou em cheio.

É claro que houve e há sabotagem não apenas no caso do ENEM, mas em toda a estrutura da educação pública neste país náufrago. E todo mundo sabe os nomes dos dois grandes sabotadores, os principais responsáveis pelo descalabro que desabou sobre a educação pública brasileira, que levará muito, muitíssimo tempo para ser recuperada.

O primeiro atende por Abraham Weintraub. E o segundo foi quem o nomeou: um certo Jair Messias. Um determinou a destruição das artes, da cultura, da ciência, da educação, do meio-ambiente, do patrimônio nacional, das conquistas sociais, dos direitos dos povos indígenas assegurados pela Constituição, enfim, a destruição do país. O outro sabotador apenas cumpriu, com brilho exemplar, sua missão. Sofrerá a mesma injustiça cometida contra o Rego Pinheiro que se quer ‘Alvim’? Afinal, Weintraub não admitiu, ao menos de público, suas afinidades com Goebbels. Atua como dedicado discípulo, mas sem assumir. Que dupla, essa formada por Jair Messias e Weintraub... Parecem ter sido feitos um para o outro: duas figuras absolutamente descompensadas, desequilibradas, e tão perigosas como abjetas...

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