Um desafio aos jornalistas preguiçosos que atacam o documentário sobre a fakeada: debatam comigo

Rafael Moro, do Intercept, sugeriu que "Uma fakeada no coração do Brasil" é canalhice. Em vez de batermos boca, que tal uma live para debatermos ponto por ponto episódio de Juiz de Fora?

Seguranças protegem Adélio depois da facada ou suposta faca
Seguranças protegem Adélio depois da facada ou suposta faca (Foto: Felipe Couri)
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A indigência de setores do jornalismo brasileiro pode ser medida pelo post no twitter de um repórter do Intercept. Sem contestar um único ponto do documentário, Rafael Moro disse o seguinte: 

"Sem que surjam evidências em contrário, afirmar que Bolsonaro forjou o atentado a faca que sofreu equivale a dizer que Lula amputou o dedo de propósito para poder parar de trabalhar. É canalhice, em resumo."

Primeiro: eu não afirmei que Bolsonaro forjou o atentado. Expus fatos que justificam a reabertura do inquérito.

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Segundo: Bolsonaro usou o episódio de Juiz de Fora para vencer a eleição. Foi decisivo na vitória dele.

Terceiro: Lula perdeu o dedo trabalhando, e nunca usou o fato politicamente.

Quarto: Quem ele acha que deve buscar "evidências em contrário"? O Eduardo Bolsonaro?  O padre? O pastor?  O bispo? O papa? Se as autoridades policiais não investigaram a hipótese do auto atentado, apesar dos indícios, cabe ao jornalista relatar o fato e investigar, dentro dos limites éticos.

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O Leonardo Attuch propôs ao cidadão um debate ao vivo comigo sobre o caso. Eu aceito. Se ele topar, a sociedade ganha.

Esses jornalistas que se acham juízes do mundo nem se preocuparam em mostrar que Adélio não era um militante de esquerda, e usava sua rede para promover um projeto de emenda constitucional de Jair Bolsonaro, o da redução da maioridade penal.

E empunhava outras bandeiras do bolsonarismo, como o combate ao projeto que criminaliza a homofobia.

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Era simples, bastava ler com atenção os posts do Adélio no Facebook. E se quisesse trabalhar um pouquinho mais, poderia ouvir parentes, amigos, fiéis da igreja que ele frequentava e fazer um perfil decente.

A ascensão da extrema direita no País tem a ver com um movimento organizado que criminalizou a política e demonizou a esquerda, sobretudo o PT. Mas não só. A imprensa, ao deixar de fazer o dever de casa, contribuiu para a desgraça.

Não estou falando de profissionais sérios que, mesmo na estrutura engessada das grandes redações, se empenham na busca de informações de qualidade e enfrentam a baixa capacidade técnica dos que dirigem esses veículos.

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É preciso, entretanto, reconhecer que o Brasil tem hoje uma das piores imprensas do mundo. A mídia verdadeiramente independente tem que atuar para mudar esse quadro. Ganharemos todos.

E jornalismo, é bom frisar, não pode se limitar a publicar  o vazamento de dados. É necessário amassar barro e buscar a informação na sua origem, dento dos limites éticos, é claro. 

Em outras palavras, trabalhar para que o jornalismo seja a própria fonte da informação de qualidade, não apenas intermediário.

 

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