Um filme já visto: a repetição da mentira tornar-se verdade

A democratização da mídia é imprescindível antes que a destruição de pessoas se amplie e a repetição torne as versões mentirosas em fatos

O ministro da Propaganda de Hitler, o alemão Joseph Goebbels, ensinava que "de tanto repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade". Seguia princípios claros para a destruição daqueles que considerava inimigos, divulgando ideias orquestradas e mentirosas a respeito de pessoas e organizações.

Qualquer coincidência com a mídia golpista brasileira não é mera coincidência. A repetição de inverdades e suspeitas infundadas se transforma em disse-me-disse que, de boca em boca, se faz "verdade", destruindo imagens, pessoas, vidas profissionais e pessoais.

Os meios de Comunicação, em sua maioria, não tem primazia pela informação verdadeira; ao contrário, tomam partido, e de maneira vergonhosa manipulam mentes e corações desvirtuam o debate, dando ou tirando o crédito conforme aprouver seus interesses. Muitas vezes, dissemina o ódio, o preconceito, a apartação social, política, cultural, prestando um desserviço à população. A informação quando veiculada com parcialidade, pode causar muitos estragos.

Quem esqueceu o caso dos donos da Escola Base, em São Paulo que acusados de pedófilos, sem qualquer chance de defesa e nenhum julgamento jurídico, foram destruídos pelas acusações dos veículos de imprensa que formaram uma opinião pública perversa e mentirosa? Diga-se que a Rede Globo foi condenada a pagar R$ 1,35 milhões para reparar os danos morais causados aos donos e ao motorista da Escola que até hoje não conseguiram se reerguer da devastação causada em suas vidas.

Luís Gushiken, acusado por supostos desvios de dinheiro público, também foi jogado na lama tóxica promovida pela imprensa. Em 2006, a revista Veja publicou uma daquelas "reportagens" lamentáveis. A matéria acusava Gushiken, assim como outros ministros do governo Lula, de manter conta bancária secreta no exterior. Oito anos se passaram e somente depois da morte de Gushiken a justiça reparou os ataques covardes condenando a Veja a indenizar a família do "samurai" em R$ 100 mil. Esses mesmo meios de comunicação não deram espaço para publicar a lição que a fétida revista recebeu.

Em 1989, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, a mesma mídia golpista, apontava militantes do PT como envolvidos diretamente no sequestro de Abílio Diniz. As acusações foram desmentidas somente após a vitória de Collor. E, segundo a professora de comunicação Diana Paula de Souza, a cobertura da mídia sobre o sequestro foi decisiva para o resultado da eleição.

Impossível não relacionar esses casos com o "mantra" atual da imprensa brasileira. O desejo de destruir a qualquer custo a continuidade do projeto de governo que atua decisivamente para a inclusão de milhares de brasileiras e brasileiros até então solenemente ignorados pelos "donos do poder", assume proporções antiéticas destrutivas, irresponsavelmente absurdas.

As tentativas diárias de envolver Lula e sua família em falcatruas, desvios de dinheiro, abuso de poder e influências para obter vantagens se tornam vergonhosas e demonstram o desespero de uma direita oligárquica e escravista, que faz questão de manter conceitos e ações retrógrados e inadmissíveis para um tempo que deveria ser de respeito à igualdade e ao direito de todos terem acesso a políticas públicas elementares para o exercício da cidadania.

A construção "jornalística" de personagens à revelia da verdade, com intenções vergonhosamente destrutivas para influenciar no resultado das eleições, como o que ocorre com Lula e o PT neste momento, precisa parar. Não é suficiente, apesar de ser um avanço na conservadora forma de coexistência social dos meios de comunicação, a regulamentação do direito de resposta. A democratização da mídia é imprescindível antes que a destruição de pessoas se amplie e a repetição torne as versões mentirosas em fatos.

Nosso papel para a construção e o fortalecimento da contrainformação é para ontem. Não podemos assistir aos desmandos de meios de comunicação que manipulam informações, criam manchetes mentirosas e falsas de primeira página, dão como verdade calúnias e difamações e ignoram solenemente as contraprovas e a verdade restabelecida. É hora de agir, pois as cartas dos processos eleitorais de 2016 e 2018 estão na mesa. As falácias que doem na retina e rasgam a alma precisam ser denunciadas e implodidas na sua origem.

As reformas necessárias para o país avançar, como o fim da especulação financeira e a reforma política, que são essenciais, serão viabilizadas de forma mais efetiva a partir da democratização dos meios de comunicação. Ações dessa magnitude seguramente podem garantir a manutenção e o fortalecimento da democracia do país com suor e sangue de muitos brasileiros.

A democratização dos meios de comunicação faz parte de um processo profundo de mudança e deve ser abraçada por todos: movimento sindical, movimento social, pelos nossos representantes políticos. Faz-se necessário forçar a mídia a olhar para si própria, apontar que há algo errado e podre em seu reino. Debater com a sociedade e construir mudanças em respeito ao povo brasileiro, à ética jornalística e à democracia tornou-se imprescindível para o avanço social e político que acreditamos necessários para formar um país realmente de todas e todos.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247