Um 'pixuleco' para Aécio

Disse o delator da Lava Jato que “Aécio era o mais chato na cobrança de propina”. Acredite se quiser. E agora, Aécio Neves?

Disse o delator da Lava Jato que “Aécio era o mais chato na cobrança de propina”. Acredite se quiser. E agora, Aécio Neves?
Disse o delator da Lava Jato que “Aécio era o mais chato na cobrança de propina”. Acredite se quiser. E agora, Aécio Neves? (Foto: Lula Miranda)
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Como se sabe, ‘pixuleco’ era, segundo as más línguas, o termo com que os operadores dos partidos e os lobistas premiados nas delações referiam-se às propinas desviadas de contratos públicos na Petrobras – mas também, como se sabe, em outras empresas públicas Brasil adentro, nos governos estaduais e municipais.

De maneira bastante criativa e jocosa, “pixuleco” então passou a ser o nome de monumentais bonecos infláveis utilizados em manifestações contra o Partido dos Trabalhadores, ou pelo impeachment da presidenta. Tem boneco do Lula, da Dilma  – até do pobre do Haddad, que não teve nada a ver com o peixe.

Agora – quem diria? – só estava faltando o “pixuleco” do Aécio.

Como se sabe, de uma hora para outra, “descobriu-se” um segredo da carochinha: que os ministros, secretários de estado, deputados federais, deputados estaduais e vereadores cobram propina sobre contratos firmados com o poder público.

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Ou seja: descobriram a roda em pleno século XXI.

E descobriu-se (pois estava encoberto), no Brasil a roda gira. E como gira!  

Gira para mover uma engrenagem que dá sustentação a mais de 30 partidos políticos e centenas de deputados achacadores. Só os hipócritas fingem não saber disso.

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Ou seja: descobriu-se que há corrupção no Brasil! E justo num governo do PT!

Mas a culpa, claro, a culpa é do Partido dos Trabalhadores – a Geni da vez.

“Joga bosta na Geni. Joga pedra na Geni” – cantam em uníssono as vestais e os hipócritas da ocasião. O resto da letra (e da história) a gente já sabe.

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Vamos lembrar então de algumas ‘vestais’ (de araque) da direita?

Demóstenes Torres. Precisa lembrar no que deu? E o cara era senador e promotor público de carreira! Era, salvo equívoco, do DEM.

Eduardo Cunha. O deputado que acolheu o pedido de impeachment da presidenta Dilma. Sobre esse nem precisa falar – não é mesmo? Ou precisa? É do PMDB.

E agora Aécio Neves. Do PSDB.

Mudemos a pontuação, a bem da verdade, pois assim muda o enredo da história.

E agora, Aécio Neves?

Aécio, para os de memória fraca, é o mesmo político que mexeu os pauzinhos, quando ainda era governador de Minas, para que se construísse um aeroporto em um terreno que pertencera a um seu parente, e que, coincidentemente, ficava nas proximidades de terras de outros parentes. Uma questão de “comodidade” – sabe como é...

Weber, lá atrás, já chamava isso de “patrimonialismo”. Coisa de intelectual. Mas ninguém precisa ter lido Weber para saber que o nome disso é “pouca vergonha” – não é mesmo?

Aécio é, como todos sabem, um dos principais arautos do golpismo. É o candidato que perdeu a eleição para Dilma Rousseff, ano passado (ou atrasado), e, até hoje, ainda não se conformou que perdeu. Está atrasado.

- Perdeu, playboy! – é o que se diria na gíria, lá no Rio de Janeiro, terra da predileção do político mineiro.

Este, até dias atrás, abria a boca, com muita “honra”, espalhafato e amplo espaço na mídia, para condenar o que viria a ser, nas suas palavras, “o maior caso de corrupção na história do país”, o “petrolão” – excluindo-se, claro, a chamada “privataria” tucana, nos tempos idos do governo FHC. Mas esse reparo, claro, ele não faz.

O tal “petrolão” é, de fato, um escândalo de grandes proporções. Uma vergonha. Fodeu com a Petrobras. É deplorável, mas...

Mas é perda de tempo ficar aqui discutindo (ou aquilatando) quem roubou mais. Se o PT ou o PSDB. Mas há que se perguntar: quem coibiu mais a corrupção? Em que governo banqueiros e empreiteiros foram investigados, processados, condenados e presos? Foi no governo FHC? Não. Não foi. Sejamos minimamente honestos.

Por falar em FHC, Cerveró, outro criminoso alcagueta premiado, citou uma propina de R$ 400 milhões no governo do “príncipe”.

FHC, nem precisaria lembrar, creio, é do PSDB.

Outro delator citou, lá atrás, propina de R$ 10 milhões para o presidente do PSDB, Sergio Guerra. Até Eduardo Campos (do PSB), o arauto da “nova política”, teria recebido seu milionário “pixuleco”. Mas deixemos que os mortos descansem em paz.

Agora, vejam os senhores, a ironia do destino: um dos premiados delatores da Operação Lava Jato [que, por sinal, só prende petistas e os aliados destes, diga-se] resolveu falar demais, deu com a língua nos dentes e acusou – também, como os demais criminosos alcaguetas, “de ouvir falar” – o senador Aécio Neves de receber R$ 300 mil.

Disse o delator que “Aécio era o mais chato na cobrança de propina”.

Acredite se quiser.

E agora? Um “pixuleco” para o Aécio?

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