Um pouco sobre a pintura tradicional chinesa

Aqui, assim como ocorre com todas as tradições e costumes orientais, a cultura não envelhece, ao contrário do dinamismo ocidental que obsolesce costumes, valores e, aplicando-se às artes, escolas artísticas a cada cem, duzentos anos, recentemente até menos que isso

Das muitas artes milenares chinesas, uma se destaca por ser de longe a mais jovem entre as tradições do país, embora essa caçulinha tenha nada menos que 1000 anos, consolidada durante a dinastia Song, contemporânea da nossa Idade Média, no ocidente. A tradição de mimetizar formas e cores, que, claro, já existia desde os anos Qin, e, se ampliada a reminiscência, desde a Idade da Pedra em paredes de cavernas, ganhou novos contornos e valores no último milênio e tornou-se uma tradição que, como é comum na China, obedeceu a uma temporalidade diferente da que existe no outro hemisfério.

Aqui, assim como ocorre com todas as tradições e costumes orientais, a cultura não envelhece, ao contrário do dinamismo ocidental que obsolesce costumes, valores e, aplicando-se às artes, escolas artísticas a cada cem, duzentos anos, recentemente até menos que isso. Por isso, a pintura tradicional chinesa há muitos séculos trabalha com releituras de conceitos basilares que dão formas e cores a uma arte que, embora recente do ponto de vista chinês, é já milenar aos olhos ocidentais.

Um primeiro elemento que diferencia a arte chinesa das escolas do ocidente é o uso de aquarela sobre folha de bambu ou amoreira, que se assemelha ao papel vegetal. Não são usados os tradicionais óleo sobre tela, grafite etc. A aquarela, inclusive, é bem mais aguada que aquela com que estamos acostumados, e o pincel é de ponta longa, macia e afilada, o que torna muito difícil o seu manejo por quem não faz parte dessa cultura. Tal material, no entanto, é fundamental para dar aos desenhos o traço desejado, que deve, mais do que no ocidente, evidenciar a dramaticidade da imagem.

Não se fala, na pintura chinesa, em dramaticidade através de luzes e jogos de cores, como ocorre nas escolas europeias e euro-americanas desde o período barroco, nos séculos XVII e XVIII. No caso chinês, a arte expressa emoções por meio dos traços. Seja na constituição das paisagens, em como interagem os elementos da cena, seja quando, aí mais facilmente, o artista retrata expressões nas personagens que compõem a cena. Em geral, sempre ha uma cena e seus personagens, que muitas vezes costumam ser animais.

Por sinal, outro elemento da pintura chinesa é o seu conteúdo. Sempre trata-se de elementos da natureza, sobretudo animais que, ao expressarem emoções, sobretudo nos olhares, dialogam com o nosso conceito de fábula, ao simular situações e dramas humanos. Há, também, imagens com a presença de seres humanos em trajes tradicionais, ou mesmo de ambientes urbanos da China antiga, porém ambos em menor quantidade. A regra é: retratar a natureza e a subjetividade humana através de seus elementos, ou valorizar a cultura nacional e as tradições antigas da China.

Mantendo esta tradição, vê-se por todos os lados, em Pequim, pessoas vendendo seus próprios trabalhos ou réplicas de artistas renomados, como o pintor e professor Liu Kuo, que antes dos 30 anos já é um dos artistas mais renomados do país, o mais importante jovem artista chinês, como os acadêmicos costumam apresentá-lo. A equipe de jornalistas latino-americanos da qual faço parte em nome do Brasil 247, que conta com representantes de veículos como a TV venezuelana Telesur, o jornal cubano Granma, o jornal Heraldo do México, o portal de economia argentino mbito Financeiro, a Agência Andina, do Peru, entre outros, participou de uma aula experimental com o sr. Liu e conheceu um pouco mais dessa tradição.

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