Um presidente entre o mito e a verdade

O presidente que iria governar de forma honesta, transparente e eficaz garantindo uma melhor qualidade de vida para os cidadãos era um mito. Agora, seus preconceitos, ignorância, autoritarismo, desprezo pelo meio ambiente e pelos direitos dos negros, mulheres, LGBTQI's, povos indígenas e ribeirinhos, bem como os trabalhadores e pobres desse país, isso é verdade

Um presidente entre o mito e a verdade
Um presidente entre o mito e a verdade (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Passados alguns dias desde a sua posse e pouco mais de dois meses desde sua vitória no segundo turno eleitoral, é possível analisar as diferenças e similaridades entre como Bolsonaro agiu como candidato e como vem se comportando como presidente. Durante a campanha eleitoral Bolsonaro conseguiu convencer a sociedade que era o melhor candidato para representar os interesses do cidadão médio, através das promessas de combate a corrupção, política de tolerância zero na segurança pública e eficiência do Estado com um nova forma de composição ministerial valorizando apenas quadros técnicos para o seu governo.

Em nome dessas promessas, uma parcela da sociedade relativizou e subestimou seu racismo, machismo, homofobia e o seu evidente despreparo técnico e político para o cargo como sendo apenas uma estratégia eleitoral para se promover de forma polêmica, ou como inúmeros mal entendidos em que ele sucessivamente e ingenuamente não se expressava bem. Enfim, acreditava-se que todo esse preconceito era apenas um discurso e que, após empossado, poderia adotar um tom conciliatório e de união como se espera de um chefe de Estado que possui algum apreço pelo ambiente plural e democrático.

Essa aposta se mostrou um grande equívoco, pois antes mesmo de assumir como presidente, sua família já estava envolvida em um esquema de corrupção que envolve cifras milionárias, funcionários fantasmas, motorista laranja e até mesmo atividade financeira suspeita na conta da primeira dama. Tudo isso dentro do gabinete do presidente e do seu filho. Bolsonaro também indicou ministros através de composição política negociando com as bancadas do Congresso, deixando de lado o perfil técnico anunciado durante a campanha e nomeou 9 ministros que são réus ou investigados pela justiça se contradizendo com seu discurso anti-corrupção.

Após o dia 1° de janeiro ficou claro que Bolsonaro não irá descer do palanque de campanha para se tornar presidente do Brasil. Seu discurso de posse foi repleto de ataques e de reafirmação da imposição da maioria sobre as minorias. Teve até espaço para fake news, ao dizer que existe uma doutrinação cultural marxista nas escolas do país e que o Brasil começou a se libertar do socialismo. Essas afirmações, além de mentirosas, são perigosíssimas uma vez que deixam a entender que aqueles que não comungam com sua ideologia de extrema direita não terão mais espaço no país.

Além disso, o presidente já colocou em prática diversas medidas que estão fazendo o país retroceder rapidamente: aprovou a retirada da demarcação das terra indígenas da FUNAI e a entregou para os ruralistas, excluiu os LGBTQI's da política de direitos humanos, dificultou o trabalho da imprensa mantendo os jornalistas críticos aos seu governo isolados, nomeou ministros que confundem seus posicionamentos ideológicos e pessoais com suas tarefas governamentais, como o caso da Ministra Damares que explicitamente organiza sua gestão através de preceitos religiosos, reduziu o valor do salário mínimo e pretende reduzir o imposto de renda dos mais ricos aumentando a carga tributária dos mais pobres.

Em suma, o presidente que iria governar de forma honesta, transparente e eficaz garantindo uma melhor qualidade de vida para os cidadãos era um mito. Agora, seus preconceitos, ignorância, autoritarismo, desprezo pelo meio ambiente e pelos direitos dos negros, mulheres, LGBTQI's, povos indígenas e ribeirinhos, bem como os trabalhadores e pobres desse país. Isso é verdade.

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