Um protesto com jeito de missa e público do salão de bilhar do Minas

Dizem que a nova geração é a mais indignada com o atual governo. Confesso que, na manifestação na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, fiquei um pouco confuso com o conceito de "nova geração"

Dizem que a nova geração é a mais indignada com o atual governo. Confesso que, na manifestação na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, fiquei um pouco confuso com o conceito de "nova geração"
Dizem que a nova geração é a mais indignada com o atual governo. Confesso que, na manifestação na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, fiquei um pouco confuso com o conceito de "nova geração" (Foto: Pedro Guadalupe)
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Hoje depois de brigar com a chata da minha mãe feminista (não brigamos por isso), deixei minha namorada almoçando com ela e fui passear na manifestação na Praça da Liberdade. Dizem que a nova geração é a mais indignada com o atual governo.

Confesso que fiquei um pouco confuso com o conceito de "nova geração": para mim, quem nasceu nos anos do baby boom já poderia ser avô. "Nova geração" deveria ser válido até no maximo uns 40 anos, né? Tudo bem, eu conheço até alguns quarentões que acham que tem 25. Mesmo assim…

Ainda que meio acabado, meus trinta anos de idade me impediram de enturmar no local. Me senti deslocado. Qualquer um no ambiente que não fosse grisalho não era levado muito a sério. E, se tentasse discutir, pior ainda! Rapidamente apareceria alguém usando uma camisa da Seleção Brasileira falando: "Você é jovem meu filho. Não viveu o que nós vivemos." Será que ele estava falando de que? Das Copas de 1950?

Deve ser por isso que, nos trios elétricos, a cada hora, aparecia uma senhorinha mais interessante do que a outra para discursar. Entre uma fala e outra, tocavam músicas e todos cantavam. Era mais ou menos assim "Olê, olê, olê, olê, vamos pra rua para derrubar o PT". Me lembrou um pouco um grito de guerra de estadio de futebol. Poderia até ser, mas com certeza, pela faixa etária, seria da torcida do América.

Brincadeiras a parte, até porque, para mim, no domingo, só missa que enchia, bem que fiquei na dúvida se não estava em uma. Em uma missa ou culto. Tanto faz. Até porque eu nunca vi uma fila para doar dinheiro que não fosse dentro de igreja ou templo.

Se a manifestação fosse vista como um grande evento religioso, com certeza o capeta seria o Lula. Assim como se se fala no inferno e no capeta nas igrejas, lá só se falava do Lula. Lula pra cá, Lula pra lá. Imagens de Lula de 9 metros de altura. Miniaturas de Lula infláveis, algumas até descansando em um carrinho de bebê.

Cheguei a conclusão de que, atualmente, ter um boneco inflavel do Lula é como ser dono do camarote na festa. Tem cordas separando, um monte de gente ali na frente tirando foto, e você lá, só curtindo a vibe, agregando valor ao evento.

Pensando melhor, cada grupo fora-dilma poderia ser uma entidade religiosa diferente. As Olavettes, seguidores de Olavo de Carvalho, representam os católicos. O Vem pra Rua, que é mais moderado, um pouco elitista, seria a Igreja Batista do Lagoinha. E claro, não podemos nos esquecer dos fanáticos e fiéis militantes do MBL. Uma dedicação à causa que daria inveja em qualquer membro da Universal ou Assembleia de Deus.

Entre uma música e outra, mais discursos. Eu acho que fui somente uma vez na missa em toda a minha vida e nunca me lembrei tanto desse dia quanto hoje.

As palavras de impacto faladas por pastores quando querem dar destaque a alguma coisa geralmente são: Amém, glória a Deus etc. Na manifestação, a cada grito Fora Dilma ou Pixuleco, centenas de pessoas levantavam a mão e gritavam: EEEEEE!

Mas uma coisa da qual gostei muito, que não me lembrou nada a igreja, foi o clima de festa. Tinha ambulantes vendendo cerveja para todos os lados, carrinhos de sanduíche formando filas. Pelo que conversei, todos felizes e satisfeitos com a vida.

No fim saí de lá feliz, achando graça em tudo. Deve ser por isso que nunca fui bem recebido no salão de bilhar do Minas I. O que faz muito sentido pela proximidade do evento em questão.

E antes que comecem as acusações: não sou petista. E sou a favor de que o atual governo pague por todas as falcatruas, falsas promessas e tudo mais. E, a cada dia que passa, me convenço ainda mais de que isso irá acontecer.

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