Um recado importante antes de viajar

Minha opinião é cristalina: a saída mais inteligente, do beco sem saída em que o golpe enfiou o PT e parte da esquerda, é se engajar com todas as suas forças na candidatura Ciro Gomes. Os setores que não concordam com isso tem de ser convencidos

Um recado importante antes de viajar
Um recado importante antes de viajar (Foto: Divulgação)

Estou embarcando para a Venezuela dentro de algumas horas, para cobrir as eleições. Volto no dia 23, e ainda não sei como será minha dinâmica e rotina nos próximos dias.

Preciso, no entanto, deixar alguns recados importantes aos nervosinhos e raivosos que estão me xingando por estar fazendo “campanha” para Ciro Gomes, “traindo” Lula, etc.

Até mesmo correntinha de fake news contra mim está rolando na internet. Um cara fez um tweet, com um trecho de vídeo meu onde vem escrito algo assim: “nesse vídeo Miguel do Rosário fala que Boulos e Manuela erraram em assinar manifesto em defesa de Lula”. Só que no vídeo eu não falo isso. Eu falo que os candidatos que assinarem manifesto dizendo que as eleições – das quais eles mesmo participarão – são fraudulentas, estarão cometendo um erro. Eu sei que o fazem por pressão emocional das circunstâncias. Entendo, mas é um erro.

Se alguém espalhar qualquer coisa contra mim, portanto, pergunte para mim antes de sair compartilhando por aí.  Este é meu email: [email protected] Se alguém espalhar que eu “traí” Lula, ou qualquer outra cretinice do gênero, meu conselho é: ignore, porque é mentira.

Falo isso na boa, porque francamente estou ficando com pena da vergonha que alguns passarão. Não sou isento a  críticas, e entendo que se eu faço críticas a uma maneira de agir, é normal que as pessoas que vestem a carapuça reajam às críticas e me critiquem. Normal. Tentemos, porém, manter a civilidade. Minha crítica não é pessoal a ninguém. É uma crítica de ordem política. Então o ideal é que rebatessem no âmbito da discussão política.

Não estou fazendo “campanha” para Ciro Gomes. Continuo, no entanto, na campanha pela liberdade de Lula, conforme já deixei claro em mais de 8 mil posts publicados aqui no blog. Minhas críticas ao judiciário brasileiro, além disso, são públicas e conhecidas, e não preciso me repetir aqui.

Nunca vi ou entrevistei Ciro Gomes, nem tenho contato com qualquer pessoa ou organização ligada à campanha dele.

Mas acompanho a trajetória de Ciro Gomes e, com o início da pré-campanha, comecei a assistir mais entrevistas, debates e intervenções com ele e outros candidatos.

Minha opinião é cristalina: a saída mais inteligente, do beco sem saída em que o golpe enfiou o PT e parte da esquerda, é se engajar com todas as suas forças na candidatura Ciro Gomes. Os setores que não concordam com isso tem de ser convencidos.

Ciro é um candidato de centro-esquerda, nacionalista, preparado para ganhar as eleições e tirar o país do atoleiro em que nos metemos, inclusive por culpa do PT, que encheu o STF de golpistas, por exemplo.

É minha opinião, pessoal. O Cafezinho tem colunistas com outra opinião.

Entretanto, como sou editor-chefe do blog, tenho algumas prerrogativas, como publicar análises e entrevistas de Ciro Gomes, que me interessam, que eu gostaria de ler e assistir, então publico aqui.

Qual o problema em se interessar por uma candidatura que está crescendo? Isso não é fazer “campanha”. Isso se chama jornalismo político. É o jornalismo que sempre fiz, que não esconde jamais a opinião do autor.

Sem pensar muito, as pessoas fazem coro a esse clima de demonização da política, emulando exatamente o que faz a mídia conservadora e os lavajateiros. Tudo é “campanha”, tudo é feito com algum objetivo secreto, escuso.

Apoiei Lula e Dilma, de graça, quando minha consciência dizia que era preciso fazer isso. Fiz as críticas que achei necessárias e pertinentes. Continuo no mesmo lugar de sempre, no campo da luta popular, em defesa de melhor distribuição de renda, escolas públicas, fortalecimento das estatais, impostos progressivos, etc.

Tentem pensar a política com um pouco de grandeza, por favor!

Depois de 15 anos escrevendo contra os ataques judiciais à classe política, defendendo Lula e o PT, acho que eu mereço um votinho de confiança dos petistas, não? Ou vão confiar apenas em quem fala o que vocês querem ouvir?

Antes de me acusar por ser transparente e franco com os internautas, mesmo à custa de desagradar muitos leitores que tem outra opinião, lembre-se que uma das nossas grandes lutas é justamente consolidar alguns princípios éticos: um deles é que não se pode acusar, denunciar e condenar… sem provas!

Quanto a Lula, é uma grande liderança popular injustiçada. Para ajudar Lula, no entanto, talvez tenhamos que, gentilmente, discordar de sua insistência em permanecer candidato. Para ajudar Lula, precisamos eleger um presidente sem problemas na justiça, porque ele precisará de autoridade moral para… interferir no sistema judicial, quebrando o poder de juízes e procuradores. Precisamos de um presidente que tenha condições políticas para explicar ao judiciário e ao ministério público que o poder emana do povo e de seus  representantes diretos.

Juízes e procuradores tem de ser humildes e dedicados ao povo, que paga seus salários, ao invés de serem estes pavões que só pensam em ganhar cachês generosos em eventos patrocinados por milionários, como Sergio Moro, que aliás está indo mais uma vez aos EUA dar uma palestra organizada pela turma do João Dória.

A estratégia do PT em insistir numa candidatura que, eles mesmo sabem, não tem como se viabilizar, produz uma instabilidade que atrapalha a construção de alianças políticas. É o que eu acho. Olhe esse artigo do Maurício Dias, na Carta Capital. Chega a ser engraçado.

Se o PT e Lula sabem que a candidatura não será aceita, então acho que seria mais honesto explicar isso aos militantes e eleitores em geral. É preciso, sobretudo, desautorizar e neutralizar a campanha “Lula ou Nada”, porque se a candidatura de Lula não será aceita pelo judiciário, então será… Nada.

Só que “Nada” não existe em política e a arrogância de achar que bastará Lula apontar o dedo para qualquer poste, que este será reeleito, é perigosíssima, além falsa. Nenhum candidato cuja força derive simplesmente de um dedaço de Lula terá a mesma força política do que um outro que, com apoio de Lula, construir sua candidatura falando diretamente ao povo, debatendo, explicando suas propostas, convencendo partes inclusive do eleitorado não-petista ou mesmo antipetista, de que possui as melhores soluções para o país.

Basta de postes e dedaços, né?

Não quero “impor” a minha opinião a ninguém, e a nenhum partido. Mas eu tenho a minha opinião e procuro convencer os outros sobre ela, porque é para isso que inventaram o conceito de “opinião”. Opinião só é opinião se é uma ideia que você gostaria de partilhar com outra pessoa.

Há uma eleição presidencial daqui a alguns meses, e tem um candidato que eu acho que é seguro e preparado, cujas ideias encontram eco na minha maneira de pensar, então eu vou escrever todos os dias sobre esse candidato, para criticá-lo, questioná-lo, para que eu mesmo possa entendê-lo e conhecê-lo melhor.

A plano do PT é o seguinte: manter a candidatura de Lula até o limite, criar uma quizumba nacional e internacional quando o judiciário negar sua candidatura, fazer algumas manifestações de rua, mas aí aceitar e indicar um outro petista, que irá herdar miraculosamente todos os votos de Lula, chegar ao segundo turno e ganhar as eleições.

O plano não é bom, no meu entender, e a principal razão é que não tem nenhum petista querendo concorrer às eleições. Haddad não quer e Jaques Wagner também não. Se quisessem, estariam nas ruas, desde já, fazendo campanha.

A segunda razão para que o plano não seja bom é a parecida com a primeira: não tem ninguém do PT, nesse momento, fazendo campanha presidencial. Isso é um absurdo porque a campanha… já começou.

Então, reiterando: não estou fazendo “campanha” de ninguém. Estou dando minha opinião sincera, como blogueiro, cidadão, jornalista. Meu trabalho é esse: estudar o cenário, analisar, informar-me, para, em seguida, apresentar aos internautas uma opinião coerente.

Outros amigos do PT, que apoiam uma aliança com Ciro Gomes, acham que a melhor estratégia é ficar quieto, para não despertar a ira da militância. Assim como os que acreditam na candidatura de Lula falam em “milagre” sem ficarem com as bochechas coradas, esses falam que é preciso construir a aliança nos bastidores, sem debater nada agora para não “atrapalhar”. Também acreditam em milagres.

Outro erro, a meu ver.

A estratégia de “ficar quieto” tem sido usada pelo PT há muitos anos e esse foi um dos seus piores erros. Tem de quebrar o pau, isso é política e isso é democracia. Se existe intenção do PT de se aliar a Ciro Gomes, então isso tem de ser debatido agora, neutralizando desde já oposições internas, tomando decisões corajosas, inclusive cortando na carne. Se o PT já convenceu militantes a apoiar a nomeação de Joaquim Levy para o ministério da fazenda, ou entregar o ministério da saúde a pessoas ligadas a Eduardo Cunha, para dar apenas dois exemplos recentes, por que não conseguiria convencê-los da necessidade de dar um passo atrás e apoiar a candidatura de um aliado de esquerda, nacionalista, um político que nunca vacilou com o PT?

Acho importante que as pessoas se posicionem, porque só aí poderemos entender melhor quais são as possibilidades de uma aliança nacional entre PDT e PT.

Os petistas que apoiam a aliança com Ciro Gomes tem de enfrentar o debate: o silêncio não é a melhor maneira de construir nada, até porque  uma aliança entre PDT e PT, se existir, tem de ser forte, orgânica, decidida!

Não ligo tanto para os xingamentos. Não processo ninguém. Não ameaço processar. Então fiquem livres para comentar e criticar minha posição e a mim mesmo, inclusive duramente.

Estou publicando todos os comentários.

Minha preocupação é com a vergonha que alguns mais exaltados irão passar. Por isso aconselho a respirar fundo e pensar duas vezes antes de fazer uma insinuação qualquer, das quais você irá se arrepender depois, não por causa de um processo, mas porque se dará conta de que cometeu uma injustiça.

Saudações fraternais a todos e a todas.

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