“Um regime impopular, antidemocrático e ditatorial”, apoiado pelos EUA

Os números da violência em Honduras são assustadores. Dezenas de milhares de hondurenhos foram assassinados, incluindo mais de 300 pessoas LGBTQ, cerca de 60 jornalistas, centenas de ativistas por direitos dos camponeses e ambientais

Quando o presidente Fernando Lugo, do Paraguai, foi impedido em 2012 e, em seu lugar, assumiu o vice-presidente, achávamos que nada parecido ocorreria no Brasil. Afinal as instituições brasileiras não poderiam ser comparadas àquelas do país vizinho. Estávamos enganados.

Hoje, no aniversário de 10 anos do golpe em Honduras, assistimos a crise humanitária do povo hondurenho e, possivelmente, nossa linha de raciocínio será semelhante: o que teria o pequeno país centro-americana a nos alertar? 

De todo modo, mesmo que insistamos no erro, vale ouvir o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, no exato momento em que seu povo é caçado e aprisionado nas fronteiras dos Estados Unidos, para onde correm na esperança de encontrar uma saída para sobreviver.

Desde o golpe militar de Honduras apoiado pelos EUA em 2009, a pobreza extrema e a violência dispararam no país, forçando dezenas de milhares de hondurenhos a fugirem para os EUA com a esperança de receber asilo político. Perguntado sobre o aniversário de 10 anos do golpe em Honduras, em entrevista ao DemocracyNow!, afirmou Zelaya:

“O golpe de Estado, inexoravelmente, marca uma nova forma de intromissão dos EUA em nossa sociedade. Dez anos atrás, John Negroponte, subsecretário de Estado, e o presidente George W. Bush me alertaram e me ameaçaram, quando eu era presidente de Honduras, dizendo que se tivesse relações com Hugo Chávez, eu teria problemas com os Estados Unidos. Seis meses após esse aviso, fui removido do poder e removido deste país. 

O problema para os Estados Unidos é que os amigos daqueles que consideram seus adversários não são seus amigos. Eles decidiram que são inimigos dos Estados Unidos, simplesmente, porque eu estava procurando melhores relações com o sul, trazendo petróleo da Venezuela e conseguindo financiamento para projetos hidrelétricos com o presidente Lula da Silva, que eles agora estão mantendo prisioneiros em Brasil.”

Zelaya aponta que o poder em seu país está nas mãos das gangues, das “marras” e que a absoluta falta de opções leva os hondurenhos a tentar a sorte nos EUA:

“As gangues são um elo no negócio de tráfico de drogas, e elas acontecem porque não há empregos. Há um excesso de pobreza. […] Além disso, ela são componentes da ditadura que os Estados Unidos estão apoiando. […] Além disso, eles saqueiam as instituições do estado. Os níveis de corrupção são exorbitantes. Eles são abusivos em todos os sentidos da palavra. Eles saquearam instituições como a Previdência Social, que é onde estão os fundos de aposentadoria para os idosos e onde os fundos devem cobrir as doenças que as mães sofrem. Eles saquearam essas instituições para financiar um regime impopular, antidemocrático e ditatorial.”

Os números da violência em Honduras são assustadores. Dezenas de milhares de hondurenhos foram assassinados, incluindo mais de 300 pessoas LGBTQ, cerca de 60 jornalistas, centenas de ativistas por direitos dos camponeses e ambientais.

Enquanto isso, protestos em massa continuam ocorrendo em Honduras contra o governo direitista de Juan Orlando Hernández e seus planos de privatizar serviços de saúde, aposentadorias e educação. Os manifestantes têm sido recebidos com violenta repressão por parte das forças armadas e policiais hondurenhas. “As pessoas estão nas ruas protestando pelo custo da eletricidade, o custo do transporte, o custo do combustível. Quase tudo foi privatizado em Honduras”, diz Zelaya.

As ameaças de Trump de cortar ajuda ao país não incomodam o ex-presidente, já que giram em torno de 200 ou 300 imlhões de dólares, enquanto os expatriados hondurenhos remetem para casa cerca de 4 bilhões de dólares. O que o preocupa, de fato, é a intromissão dos EUA na economia por meio das empresas transnacionais e do FMI e BID, na segurança por conta do Comando Sul e no sistema de justiça pela OEA e sua MACCIH - Missão de Apoio contra a Corrupção e Impunidade em Honduras. “Agora os Estados Unidos não apenas treinam militares, mas também juízes, porque eles estão usando o sistema de justiça como uma ferramenta para fins políticos.”, conclui o presidente deposto.

O governo hondurenho é um governo violento, é capturado por gangues, saqueia o Estado, já privatizou quase tudo, fazendo subir preços como eletricidade e combustível, e ainda planeja privatizar a educação, a saúde e a previdência. O governo hondurenho foi alçado ao poder pelos Estados Unidos, que aprisiona os hondurenhos que tentam fugir para seu país.

Para ver a entrevista completa de Manuel Zelaya na página do DemocracyNow! Brasil: 


 

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